Nestes dias de Sefirat Haômer, lembramos da praga que
dizimou 24.000 alunos do famoso Rabi Akiva. O Talmud questiona
qual foi a culpa dos discípulos para merecer este destino
e explica que lo nahagu cavod zé bazé, “não
se conduziram com respeito uns aos outros”.
Estes dias servem para refletirmos sobre a importância
do amor ao próximo. Veahavta lereiacha camocha zé klal
gadol baTorá — “Amarás ao teu próximo
como a ti mesmo — este é um grande princípio
da Torá.” (Levítico 19:18).
Os mestres Chassídicos enfatizavam muito este preceito,
ilustrando a extensão de sua aplicação
na prática.
Rabi Israel Baal Shem Tov, fundador do Chassidismo, louvava
os judeus simples salientando a sua virtude acima dos eruditos.
O povo judeu é chamado dos “Tefilin” de
D-us. Na ordem da colocação dos Tefilin, diariamente,
o da mão precede o da cabeça. Assim também,
os judeus mais simples, praticantes de boas ações,
equivalem a Tefilin da mão e em certos aspectos são
superiores aos eruditos, que se comparam a Tefilin da cabeça.
O discípulo do Baal Shem Tov, Rabi Dov Ber, o Maguid
do Mezeritch, aprofundou ainda mais este conceito. Uma vez
o mestre chamou um aluno e lhe disse: “Ouça o
que ensinam agora na academia celestial — amor ao próximo
tem que ser estendido igualmente a todos, aos pecadores e aos
piedosos”. Rabi Dov Ber explicou que o ponto essencial
de cada judeu, o pintele yid, preserva sempre a sua pureza
e inocência e neste nível não há diferença
entre os maus e os justos.
O seu discípulo, Rabi Schneur Zalmen de Liadi, na sua
obra magna, Tanya, elucida que o amor ao próximo tem
que ser como amor próprio. Mesmo ciente dos próprios
defeitos uma pessoa consegue continuar se amando. Devemos amar
o próximo independente de seus erros.
Sublime demais para seres humanos normais?
O Chassidismo ensina que amor ao próximo é conseqüência
lógica de amor a D-us. Se amarmos a D-us de todo coração,
amaremos àqueles que Ele ama. Todos são filhos
de D-us e, Ele ama a todos com um amor incondicional. Ao lembrarmos
que todas as nossas almas derivam da mesma fonte, são
todas verdadeiras partículas de D-us, conseguiremos
enxergar que amar ao outro é na verdade amar a si mesmo!
Recitamos na prece da Amidá três vezes ao dia
Barcheinu avinu culanu keechad -—Abençoa-nos nosso
Pai, a todos conjuntamente. Quando estamos unidos atraímos
maiores bênçãos do nosso Pai celestial.
Conflitos e mágoas entopem o canal bloqueando, D-us
o livre, o fluxo de bênção.
Uma vez um casal que não podia ter filhos procurou o
conselho do Lubavitcher Rebe. “Procure verificar”,
disse o Rebe ao marido, “se você não magoou
uma outra moça antes de casar com a sua esposa”.
O homem ficou surpreso. Como é que o Rebe sabia que
ele tinha rompido um compromisso com uma outra moça
e deixado ressentimentos? Ele mesmo já tinha esquecido;
provavelmente não tinha pedido perdão. O que
devia fazer agora?
O Rebe o orientou mandar alguém procurar e falar com
a moça que morava em outra cidade, e ressaltar que se
ela perdoasse de bom grado, encontraria o seu beshert, parceiro
para casar, muito em breve.
O marido não perdeu tempo, mandou pedir sinceras desculpas à moça,
e esta, por sua vez, incentivada pela promessa do Rebe perdoou
de todo coração. Em curto espaço de tempo
duas comemorações aconteceram, em duas cidades
diferentes. O casal foi abençoado com um filhinho, e
a moça noivou e casou!
Hinei ma tov uma naim shevet achim gam iachad. (Salmos 133:1) “Como é bom
e agradável, irmãos morando juntos”. Quando
amamos ao outro completamente, fazemos que o amor de D-us se
revele dentro da nossa vida sem restrições.
* Yossef Dubrawsky é Rabino do Beit Chabad de Curitiba.