A História vivida e sua síntese
Por: Edda Bergmann

“Eu adoraria ser um pacifista, se o mundo o permitisse” disse certa vez um soldado israelense a um jornalista americano.
Eis aí em dez palavras a essência do caso israelense. O suposto pecado imperialista de Israel é tão duvidoso quanto a pureza imperialista dos governos árabes.
A primeira imprecisão é que ele não foi estabelecido como uma criação do imperialismo britânico, e sim a despeito dele.
Emergiu como resultado de prolongada campanha de desobediência civil e conflitos armados dos israelenses contra os ocupantes britânicos da Palestina.
Curiosamente no tocante ao desafio aos ingleses, o presidente Nasser foi uma espécie de aprendiz de Israel.
Quando os ingleses do mandato britânico da Palestina, após seu fracasso na tentativa de derrotar uma prolongada insurreição judaica, abandonaram o país, fizeram-no na esperança de que os árabes realizariam o que eles mesmos não haviam conseguido e que então voltariam na esteira da Legião Árabe, vitoriosa, que eles diretamente comandavam, equipavam e financiavam.
O major I.C. Clayton elemento de ligação entre o Foreing Office britânico e a Liga Árabe, foi quem planejou e coordenou a invasão daquele que seria o Estado Judaico pelas forças armadas do Egito, Transjordânia, Iraque e outros países.
Estas forças estavam sob o comando de elementos tão progressistas quanto o play-boy, potentado feudal e rei do Egito, Faruk e o primeiro-ministro Neuri Said Paxá, a real invenção britânica, rei Abdullah e líderes árabes particulares como Fawzi el Kowukju, o notório colaborador nazista.
Devido a esses fatos históricos, Israel obteve sua independência, não contra a oposição dos governos socialistas, mas com o seu total apoio político e mesmo ajuda militar.
O apoio político foi expresso no voto da União Soviética e de outros países socialistas nas Nações Unidas em 1947, a favor da Partilha da Palestina na Assembléia Geral da ONU presidida pelo chanceler brasileiro Oswaldo Aranha.
A assistência militar veio sob a forma de armas enviadas aos israelenses com as bênçãos de Moscou pela Tchecoslováquia.
As acusações de que Israel nada mais é do que um instrumento do imperialismo americano não resistem às críticas.
Se de fato Israel fosse um mero instrumento do imperialismo ocidental, a maioria dos seus problemas não existiria.
Acho difícil apoiar movimentos de “libertação” que fazem circular livremente uma contra-facção czarista manchada de sangue como “Os Protocolos dos Sábios de Sião”.
Não consigo compreender socialistas que se aliam a reis e sheikes feudais. E acho difícil desculpar “humanitaristas” que embora dispostos a derramar um milhão de lágrimas por um único judeu perseguido não podem perdoar a existência de uma Israel vitoriosa que se dedica ao trabalho, fertilizando desertos, criando sindicatos, educando os milhares de judeus orientais e etíopes que trouxeram consigo o seu atraso.
Construíram um país onde cada instituição é fundamentada e vitalizada pelo espírito democrático, uma economia dominada pelas organizações trabalhistas e uma sociedade que dá segurança e oferece esperança aos seus cidadãos árabes.
Capaz de desenvolver em alta escala ciência e tecnologias entre as mais avançadas do mundo, competindo com vantagens especiais e específicas com os países mais adiantados do mundo.
Criaram e desenvolveram os campos das ciências humanas e da salvaguarda da vida sobre o planeta Terra.
Sofisticaram seus conhecimentos do mundo em universidades de primeira linha no âmbito mundial e de inestimável progresso para o desenvolvimento da humanidade.
A biblioteca da Universidade Hebraica de Jerusalém no monte Scopus é a verdadeira jóia do século XXI, extremamente bem aparelhada com toda a sofisticação do novo século e o desenvolvimento do conhecimento humano.
Ladeando com o Monte das Oliveiras, ela mostra em toda a sua totalidade o respeito aos sítios históricos e à história do passado e a veneração pelas religiões.
Da sua luta pela independência aos dias de hoje, Israel sempre buscou e sonhou com a Paz. Paz com os seus vizinhos, paz com o mundo árabe e paz com o mundo em geral. Objetivamente todos os elementos necessários para uma solução construtiva do conflito árabe-israelense existem de fato de maneira potencial.
Encruzilhada natural de três continentes e com acesso ao mar, a segurança desta região, no entanto, depende de atitudes humanas. E isto torna mais difícil uma tarefa já complicada.
As atitudes devem se transformar para que o necessário encadeamento dos elementos disponíveis no Oriente Médio se realize.
Vamos sonhar, vamos trabalhar para que haja paz nesta encruzilhada do mundo, no já e no agora!

* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional da B’nai B’rith.