Memoriais do novo Estado de Israel

Por: Antonio Carlos Coelho

Estamos próximos a Iom Haatzmaut, Iom Hashoah, Iom Hazicaron e outras data importantes do calendário judaico. Iom Haatzmaut, Dia da Independência, aniversário do novo Estado de Israel, é um dia festivo. Diferente de um dia da pátria como conhecemos, a festa se faz nas calçadas, nas escolas, nas comunidades de maneira muito espontânea.
Essas datas estão no calendário para nos fazer lembrar de momentos importantes da vida nacional. Assim se mantém a memória de um povo. Povo que não tem feriados não tem o que comemorar. Deve ser muito triste viver onde não se tenha nada a ser celebrado. Felizmente, em Israel e no Brasil temos bastante o que lembrar. Tristes ou alegres, solenes ou descontraídas, são datas sempre comemoradas ao que pede o motivo.
Lembro de locais interessantes a serem visitados em Israel relacionados com a Independência do Estado. Em Tel Aviv temos alguns museus que, sem o garbo de outros que existem em Israel (160 aproximadamente), também merecem a nossa atenção.
O Museu da Independência, situado no Boulevard Rothschild, 16, centro da cidade, apresenta objetos, fotografias, gravações, entre outros documentos que registram os momentos dramáticos do 14 de maio de 1948. A casa que o abriga foi doada por Meir Dizengoff, primeiro prefeito de Tel Aviv.
Próximo ao Museu da Independência, no número 3 do mesmo Boulevard, encontra-se o Museu da Haganah. A Haganah foi um dos grupos que lutou pela independência do Estado de Israel. O museu está situado na casa de um dos seus líderes, Eliyahu Golomb. Ali há objetos, armas, fotos e outros documentos que registram os fundamentos da atual Força de Defesa de Israel.
O Museu do Palmach (Pelugot Hamahatz) – grupo formado por pioneiros para defesa dos ataques árabes às comunidades agrícolas. Este grupo, como a Haganah, serviu também de base para a formação das Forças de Defesa de Israel. Na “Casa do Palmach”, situada na Rua Levanon 10, encontram-se arquivos educacionais, informatizados, que oferecem informações sobre o grupo pioneiro (nomes de pessoas, de locais de batalhas, mapas, fotos e filmes). Há uma biblioteca com mais de 1.000 volumes sobre o Palmach, 30.000 fotos referenciadas à história de Israel. A “Casa do Palmach” é muito mais do que uma exposição de documentos. Nela é possível conhecer os valores que formaram a personalidade israeli.
A criação do novo Estado de Israel está relacionada a um nome: Ben Gurion. Sua casa, situada no Kibutz Sde Boker (Negev) traduz o tipo de vida que Ben Gurion e sua mulher, Paula, tiveram após 1953. Ali não temos objetos e documentos da formação do Estado. Encontramos com um pouco da história e do espírito pioneiro de um homem que, sem dúvida, foi um exemplar pai de Israel. Há dois quilômetros do Kibutz, onde está a sua casa, encontram-se os túmulos do casal pioneiro. É um local isolado, de absoluto silêncio, próprio para refletir sobre o heroísmo daqueles que há 57 anos estabeleceram o Estado de Israel e que, 30 séculos depois, refizeram honrosamente a história bíblica dos Juízes: Josué, Débora, Baraq, Otoniel e outros.

*Antonio Carlos Coelho é professor e diretor do Instituto Ciência e Fé.