Visão Judaica - Edição N° 24
:. Turismo: Jerusalém (11) - Bairro Cristão (2).:

Por:
Antonio Carlos Coelho *

Seguindo o roteiro cristão na cidade antiga de Jerusalém, saindo da Igreja de Sant’Ana, da qual tratamos na última edição, subindo a Via Dolorosa, o visitante irá encontrar o Convento Franciscano, o Convento de Ecce Homo, das irmãs de Sion e o Convento da Igreja Ortodoxa Grega conhecido por “Prisão de Cristo”. Os três conventos estão situados no local da antiga fortaleza Antonia, construída por Herodes ao lado do Templo, e ocupada pelo governo romano em Israel.
O Convento Franciscano abriga as Capelas da Condenação e da Flagelação de Jesus. Segundo a tradição medieval foi naquele local em que Jesus foi condenado e flagelado. A capela maior, da Condenação, de origem medieval, foi restaurada no século 19 durante o domínio turco e, em 1929, durante o período de Mussolini, foi renovada, recebendo os vitrais que fecham os arcos em volta do presbitério.
A capela menor, da Flagelação, situada à esquerda de quem entra no pátio do convento, possui parte do piso original da antiga fortaleza. Pouco requintada e de gosto duvidoso, recorda a flagelação ordenada por Pilatos. Há também no local um museu bíblico e uma escola de estudos de arqueologia bíblica. O museu, fechado ao público, reserva-se aos estudantes e especialistas em Bíblia.
Logo acima, seguindo a Via Dolorosa, o visitante encontrará o Convento de Ecce Homo. Este convento, mantido pelas Irmãs de Sion, conserva o piso original do pátio da antiga fortaleza, o Lithostrotos, com marcas dos jogos praticados pela guarda romana e parte da antiga rua que dava acesso à fortaleza. Ali há também peças de valor histórico e referências sobre o local e os fatos que ali ocorreram.
O Convento possui uma belíssima capela. No fundo, atrás do altar, está o arco de Ecce Homo. Tem esse nome porque há uma tradição do século 16 que afirma ter sido ali o local da apresentação de Jesus, por Pilatos, aos que assistiram ao seu julgamento, ocasião em que o governador romano teria dito: ecce homo, eis o homem.
Na realidade o arco é posterior ao período herodiano. Foi construído por ordem de Adriano em 135, como um “arco do triunfo”, pela tomada da “Aelia Capitolina”, nome dado a Jerusalém anos após a destruição do Templo.
Mais adiante, quando a Via Dolorosa tem um declive acentuado, surge o convento grego conhecido como Prisão de Cristo. Este convento, bem como os outros, faz parte do local da Fortaleza Antonia. Ali existe uma gruta com um banco de pedra. Nele está fixada uma argola de ferro que os gregos atribuem ao local onde Jesus ficou amarrado durante sua prisão.
Não há nenhuma comprovação histórica que esses locais foram cenários da prisão e flagelação de Jesus embora haja indicações de textos antigos e da tradição contada desde os primeiros séculos do cristianismo. Deve-se ter em conta que o valor dos “lugares santos” não se encontra nas peças e construções, não dependendo assim, do reconhecimento científico que possam receber. Seu valor está no significado para a memória e para a fé cristã.

* Antonio Carlos Coelho é professor e diretor do Instituto Ciência e Fé.

 



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