Por:Antonio
Carlos Coelho *
Seguindo o roteiro
cristão na cidade antiga de Jerusalém,
saindo da Igreja de Sant’Ana, da qual tratamos na última
edição, subindo a Via Dolorosa, o visitante irá encontrar
o Convento Franciscano, o Convento de Ecce Homo, das irmãs
de Sion e o Convento da Igreja Ortodoxa Grega conhecido por “Prisão
de Cristo”. Os três conventos estão situados
no local da antiga fortaleza Antonia, construída por Herodes
ao lado do Templo, e ocupada pelo governo romano em Israel.
O Convento Franciscano abriga as Capelas da Condenação
e da Flagelação de Jesus. Segundo a tradição
medieval foi naquele local em que Jesus foi condenado e flagelado.
A capela maior, da Condenação, de origem medieval,
foi restaurada no século 19 durante o domínio turco
e, em 1929, durante o período de Mussolini, foi renovada,
recebendo os vitrais que fecham os arcos em volta do presbitério.
A capela menor, da Flagelação, situada à esquerda
de quem entra no pátio do convento, possui parte do piso
original da antiga fortaleza. Pouco requintada e de gosto duvidoso,
recorda a flagelação ordenada por Pilatos. Há também
no local um museu bíblico e uma escola de estudos de arqueologia
bíblica. O museu, fechado ao público, reserva-se
aos estudantes e especialistas em Bíblia.
Logo acima, seguindo a Via Dolorosa, o visitante encontrará o
Convento de Ecce Homo. Este convento, mantido pelas Irmãs
de Sion, conserva o piso original do pátio da antiga fortaleza,
o Lithostrotos, com marcas dos jogos praticados pela guarda romana
e parte da antiga rua que dava acesso à fortaleza. Ali
há também peças de valor histórico
e referências sobre o local e os fatos que ali ocorreram.
O Convento possui uma belíssima capela. No fundo, atrás
do altar, está o arco de Ecce Homo. Tem esse nome porque
há uma tradição do século 16 que
afirma ter sido ali o local da apresentação de
Jesus, por Pilatos, aos que assistiram ao seu julgamento, ocasião
em que o governador romano teria dito: ecce homo, eis o homem.
Na realidade o arco é posterior ao período herodiano.
Foi construído por ordem de Adriano em 135, como um “arco
do triunfo”, pela tomada da “Aelia Capitolina”,
nome dado a Jerusalém anos após a destruição
do Templo.
Mais adiante, quando a Via Dolorosa tem um declive acentuado,
surge o convento grego conhecido como Prisão de Cristo.
Este convento, bem como os outros, faz parte do local da Fortaleza
Antonia. Ali existe uma gruta com um banco de pedra. Nele está fixada
uma argola de ferro que os gregos atribuem ao local onde Jesus
ficou amarrado durante sua prisão.
Não há nenhuma comprovação histórica
que esses locais foram cenários da prisão e flagelação
de Jesus embora haja indicações de textos antigos
e da tradição contada desde os primeiros séculos
do cristianismo. Deve-se ter em conta que o valor dos “lugares
santos” não se encontra nas peças e construções,
não dependendo assim, do reconhecimento científico
que possam receber. Seu valor está no significado para
a memória e para a fé cristã.
* Antonio Carlos
Coelho é professor e diretor do Instituto
Ciência e Fé.