Visão Judaica - Edição N° 24
:. Ética e moral contra o ódio e a selvageria .:

O desfile da barbárie no Oriente Médio tem chocado o mundo nos últimos dias. Atos indescritíveis de selvageria, que julgáramos extintos no século 21, como os que assistimos, e que nos envergonham de pertencer à espécie humana, continuam a existir na mente tresloucada e fanática de seres perversos. A justificativa para a decapitação de Nicholas Berg, exibida na internet, foi a de que era vingança aos atos de tortura e humilhação cometidos por norte-americanos contra prisioneiros no Iraque. É mentira! Berg foi executado por ser judeu! E diante das câmeras, como um animal, num espetáculo deprimente da banalização da morte. Lembrem-se da semelhança com o assassinato do jornalista judeu norte-americano Daniel Pearl, que teve seu pescoço cortado por uma lâmina, há pouco mais de dois anos no Afeganistão. Coincidência?
Não. Judeus têm sido vítimas da ferocidade assassina de islâmicos integristas há muito tempo. Em 1929, decapitaram judeus em pleno mandato britânico da Palestina. Durante a vigência dos acordos de Oslo, três soldados israelenses — ou o que restou deles — foram jogados pela janela de uma delegacia em Gaza, depois de assassinados e esquartejados. A foto do fígado de um deles sendo comido correu o mundo.
O ódio alcançou norte-americanos, bem antes de virem a público as denúncias dos horrores praticados dentro da prisão de Bagdá. Americanos assassinados e desmembrados, tiveram seus pedaços exibidos como troféus e pendurados em fios de postes elétricos. A única e grande diferença é que a democracia pune esses crimes, como vem sendo o caso dos torturadores dos iraquianos simbolizados na imagem da soldada abusando de um deles. Sete militares dos EUA já estão sendo levados à Justiça. A nódoa pode não se apagar facilmente, entretanto, ameniza um pouco o fato de que a ética e a moral prevalecem. Mas e do outro lado? Há Justiça? Ou o terror sanguinário continuará livre com sua sanha assassina?
Dias atrás uma mãe judia, grávida de oito meses, e suas quatro filhas pequenas foram friamente assassinadas com tiros na cabeça por “corajosos mártires palestinos”. Duas emboscadas mataram 11 soldados israelenses com atentados a bomba dos terroristas do Hamas e da Jihad. Cenas brutais foram vistas na TV com os palestinos dançando pelas ruas com restos mortais e pedaços de metal dos veículos explodidos. Para provocar ainda mais afirmaram que não devolveriam os corpos. É uma espécie de adoração nauseante pela morte e por explosivos, essa que substitui os verdadeiros preceitos do Islã, que, como o Judaísmo, defende e valoriza vida.
Vida é um valor primordial. Por isso, é oportuno observar que logo iremos comemorar Shavuót, o evento que marca a entrega dos 10 Mandamentos ao povo judeu e, justamente, o início de uma nova vida, a da ética e da moral, da aceitação plena da fé judaica e da Lei da Torá. Em Shavuót, com a celebração do aniversário da entrega da Torá, nos inspiramos, nos elevamos e, em última análise, somos gratos a D-us por este Seu presente maravilhoso que é a vida e da qual só Ele pode dispor.
Ser judeu também é ser otimista. Devemos acreditar que as coisas vão melhorar. Antes do fim do mês, na Tunísia, líderes dos países árabes podem reunir-se para rever as tragédias que acontecem em seu meio. A guerra do Iraque, o terrorismo islâmico, o conflito israelense-palestino e o rumo para entrar num processo de democratização.

A Redação




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