Visão Judaica - Edição N° 24
:. A Ânsia do Poder .:

Por: Edda Bergmann

Neste começo de milênio é muito complicado saber aonde vão as veleidades do poder operacional dos vários organismos políticos internacionais.
Não existem mais definições do alcance dos mesmos, e da ânsia de mando que alcança o mundo a partir dos vários pontos do planeta Terra.
Assim é que de repente você fica surpreendido com a Liga Árabe querendo ditar normas e dar ordens na Áustria, como se fosse terreno livre do seu alcance.
Os austríacos resolveram colocar o nome de Theodor Herzl numa rua de Viena e a Liga Árabe protestou, chegou até a querer proibir.
Obteve como resposta, a copiosa frase de que o pedido chegou tarde demais.
Vejam o absurdo da situação. O que a Liga Árabe tem a ver com as ruas de Viena.
Essa tentativa de mostrar poder e força em todas as situações. De utilizar toda e qualquer questão para atacar Israel naquilo que não lhe diz respeito, tornou-se uma situação fóbica que asfixia os ambientes e impede totalmente o diálogo necessário para se chegar à convivência pacífica no Oriente Médio.
A ânsia do poder árabe especialmente sobre a Europa é uma constante de uma nova situação que abrange novas diretrizes e orientações.
A informação a respeito do que acontece nos países europeus também é impressionante.
Existe toda uma rede muito bem constituída e alinhavada de acordo com as mais modernas técnicas de comunicação.
O mundo da comunicação deveria ser o mundo do entendimento, do relacionamento com homens, povos e nações. Deveria ser um mundo de amizade, de respeito de relacionamento humano baseado em tudo o que existe de melhor na face da terra.
Mas não é isto que está acontecendo em nenhum lugar do planeta.
Pagamos caro pela rapidez da comunicação, pois não temos nem o tempo de engoli-la, muito menos de assimilá-la ou digeri-la. De entendê-la, nem se fala.
O que aprendemos com tudo isso é que as pequenas coisas, o acontecimento aparentemente de pouca importância, também tem o seu peso, por vezes pesado.
Determinam situações, criam problemas, definem posições, por vezes irreversíveis.
A diplomacia sempre foi um tabuleiro de xadrez, mas hoje se transformou em algo muito mais pesado, em algo que mexe com a vida humana e facilmente define quem deve ser julgado bom e quem mau numa apresentação de valores inequivocamente levianos e instáveis.
O mundo poderia imaginar que a Áustria proibisse a colocação do nome de uma rua na Síria, ou na Arábia Saudita, que tal no Irã? Eis o paradoxo!
Dois pesos e duas medidas para tudo o que se passa no mundo. Até onde? Até quando?
O controle que a Liga Árabe exerce sobre a Europa complica todas as possibilidades dos países europeus integrarem seus imigrantes árabes que são muitos em quase todos os países europeus.
E com a diminuição quase total da natalidade estes países se vêm sujeitos a um futuro em que toda esta imigração, totalmente necessária como mão-de-obra, vai se tornar um fluxo populacional enorme e pesado, se não for assimilado e europeizado.
A Europa resolveu não crescer numericamente, não se reproduzir, mas isto tem um preço bastante alto a pagar.
É que ao contrário todos os imigrantes, principalmente árabes que para lá se deslocam, se desenvolvem numericamente de forma impressionante.

Emulas, famílias patriarcais conservam seus valores, seus ambientes, sua maneira de pensar, de agir, de viver, de se desenvolver.
E se não houver assimilação e cruzamentos, isto constituirá um quisto dentro de alguns países europeus, bastante distinto, não apenas em usos e costumes, o que seria totalmente normal, mas algo mais pesado e talvez não tão indiferente.
Uma Europa arabizada? Talvez?

* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional da B’nai B’rith


 

 


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