A agressão ocorreu em pleno centro de Varsóvia. Um jovem gritou: "A Polônia para os poloneses" e o atingiu com gás pimenta
O grande rabino da Polônia, Michael Schudrich, de 51 anos, foi agredido em pleno centro de Varsóvia no sábado 27/5, por um desconhecido que lhe gritou: "A Polônia para os poloneses!", e depois o atacou a socos e atingiu-o com um spray de pimenta ou gás lacrimogêneo, no que, segundo a Polícia "parece um ataque anti-semita".
Schudrich, nascido em Nova York e grão-rabino da Polônia há dois anos, disse que estava se dirigindo a um almoço de shabat, a festividade semanal judaica, quando um jovem gritou-lhe na rua "A Polônia para os poloneses".
"Essa é uma conhecida lema anterior à Segunda Guerra Mundial. Na realidade quer dizer: 'Judeus vão embora da Polônia'. Como a frase não me agradou aproximei-me do jovem, de uns 25 anos, para pedir-lhe explicações. Então me socou o peito e, quando estava por devolver-lhe a agressão, me atingiu com um spray que me causou ardor nos olhos", disse o grande rabino.
Schudrich declarou que "em todos os lugares há gente estúpida". A agressão, por outro lado, é um episódio grave porque o homem que atacou o grão-rabino da Polônia podia tê-lo esfaqueado, ou atirado nele. E não havia nenhum policial encarregado de sua segurança.
O primeiro-ministro, Kazimierz Marcinkiewicz, conversou por telefone com Schudrich para lamentar a ocorrência e dizer-lhe que "não há lugar para o anti-semitismo na Polônia".
O grão-rabino dialogou dia 28/5 com o Papa, que sabendo o que havia passado tratou-o com muito afeto na cerimônia realizada nos campos de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau.
Os judeus poloneses, que não são mais que 15 mil em todo o país, lamentam os contínuos fatos de "pequeno anti-semitismo". E o premiê Marcinkiewicz há um mês teve que chamar o padre Tadeusz Rydzyk, responsável pela importante rede católica tradicionalista Rádio Maria, para exigir-lhe que se desculpasse pelas campanhas anti-semitas da emissora.
O Vaticano fez uma intervenção na rádio nomeando uma comissão de programação, depois que o embaixador do Papa em Varsóvia disse aos bispos que em Roma estavam perdendo a paciência com a posição da Rádio Maria.
O padre Rydzyk, com o império da mídia, que inclui também um canal de televisão e um jornal que vende mais de 250 mil exemplares, apoiou abertamente a eleição do presidente Lech Kaczynski e a entrada em seu governo de dois líderes da extrema direita anti-semita.
O Holocausto, como se sabe, começou com palavras. A agressão que o grão-rabino da Polônia sofreu por parte de um jovem pode ser também o resultado dessa persistente campanha anti-semita via mídia.
Na Polônia existe o grupo Grande Juventude Polonesa, controlado pela Liga das Famílias, um dos dois grupos ultradireitistas que entraram no governo em princípios de maio. Esse grupo é fortemente nacionalista, anti-europeu e anti-semita. Também lidera os ataques às manifestações de homossexuais e outras minorias. Se o jovem agressor for capturado poder-se-ia saber quem inspirou seu fanatismo. (Fonte: Clarín).