Haifa
Antonio Carlos Coelho *
Haifa é uma das cidades mais belas de Israel. Situada no extremo sul da baia de Akko, aos pés do monte Carmel, se divide em três partes distintas que acompanha sua topografia: a costeira, distribuída ao longo do porto, a de encosta, construída em ladeiras que dão acesso a cadeia do Carmel e a parte da montanha.
Sua população, a terceira numericamente em Israel, é formada por uma maioria judaica e, em menor número, por muçulmanos e cristãos latinos e melquitas, estes de origem árabe.
O seu porto, construído em 1936, doze anos antes da independência do Estado de Israel, é o mais importante do leste do Mediterrâneo. Além do porto, Haifa é uma cidade com economia baseada na produção industrial, representando significativa fonte de renda para Israel.
A vida cultural em Haifa é marcada pela existência de inúmeras bibliotecas, teatros, museus, conservatórios de música e principalmente pela intensa vida acadêmica que gira em torno de duas grandes instituições: a Universidade de Haifa (1963) e o Instituto Technion, fundado ainda nos anos 20. Este Instituto é um dos mais representativos nas pesquisas das áreas da física, da informática e espacial.
O nome Haifa está citado em documentos judaico do século 2 e.c. A população que vivia na cidade se ocupava da pesca e da coleta de conchas próprias para o fabricação de tinta púrpura para tingir tecidos. Durante o período bizantino, os judeus ali residentes, resistiram aos assédios proselitistas dos cristãos. Alguns séculos depois, Haifa foi ocupada pelos árabes, tornando-se um porto que servia ao comércio regional.
Durante o período dos cruzados os judeus foram obrigados a se converter ao cristianismo. Desta forma poderiam preservar suas propriedades e, sobretudo, suas vidas. Os judeus não aceitaram a proposta, dando origem a uma luta desigual. Após 25 dias de luta, foram massacrados pelos cristãos.
Em 1256 a cidade foi arrasada pelos árabes. Após a queda de Akko, em 1291, tornou-se uma pequena aldeia. Durante o domínio otomano, Haifa voltou a ser um porto que serviu de base aos piratas malteses. No século 18, atacada freqüentemente, foi destruída pelo seu defensor, Taher El-Omar, e depois, reconstruida por ele mesmo, na região onde atualmente está o seu porto. No final do século 18, por um curto período, foi dominada por Napoleão, e mais tarde retornou às mãos otomanas.
No início do século 20 chegaram imigrantes alemães que instalaram as primeiras indústrias. Neste tempo, os judeus da Europa passaram a ocupar a cidade, aumentando a população judaica e contribuindo para o seu desenvolvimento. No mandato britânico aumentou significativamente o número de indústrias e foi inaugurado o Technion. Após a Guerra de Independência, a população judaica que ultrapassava pouco mais de 50% dos habitantes cresceu. Os árabes, orientados pelo Mufti, deixaram a cidade, restando cerca de 3.000 pessoas apenas. Haifa, então, passou a receber grande parte dos imigrantes que vinham da Europa, convertendo-se na mais importante cidade judaica no norte de Israel que, além da sua forte economia, é um centro de desenvolvimento de novas e sofisticadas tecnologias.
* Antônio Carlos Coelho é professor, diretor do Instituto Ciência e Fé, e colaborador do jornal Visão Judaica.
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