O espírito de Shavuot pede respeito

O mês de Sivan assinala a chegada do clima ameno e do verão na Terra Santa. Os judeus, na época do Templo Sagrado, estariam agora atarefados, se preparando para a grande peregrinação a Jerusalém. Em meio a festividades e júbilo, transportavam os primeiros frutos de suas colheitas como oferendas ao Templo Sagrado. Shavuot é tanto a Festa das Primícias como o Tempo da Outorga da Torá. Os Dez Mandamentos são conhecidos em todo o mundo como a pedra fundamental da existência moral. Tratam não somente das relações entre as pessoas e D-us, como também entre o homem e seu próximo. Baseados nestes preceitos é que nos indignamos com os fatos ocorridos em Porto Alegre, onde jovens foram brutalmente agredidos pelo simples fato de serem judeus. Desrespeito ao semelhante e desrespeito à lei.
Revolta também o fato de que alguns indivíduos escrevam para jornais sobre temas políticos nacionais, destilando veneno judeófobo, quando não claramente neonazistas, como foi o caso de Joinville. Mais recentemente, tivemos outro caso aqui em Curitiba. O que surpreende nisso, não são os artigos produzidos por mentalidades perturbadas, mas a acolhida que os mesmos têm em alguns veículos de imprensa. Parecem faltar critérios ou discernimento para distinguir o certo do errado, o plausível do absurdo, o real do imaginário, a boa intenção da má fé.
Intelectuais tentaram explicar o anti-semitismo, ou melhor, a judeufobia, através da psicologia, da sociologia, da filosofia e da antropologia. Todavia, é muito difícil enquadrar cientificamente uma coisa que se chama maldade. Pierre André Tagnieff, politólogo, afirma que o termo anti-semitismo (a perseguição racial, étnica, biológica) não é mais funcional e que deveria ser substituído por judeufobia. Gustavo D. Perednik nos dá cinco justificativas ao termo judeufobia usado em lugar de anti-semitismo. Estas incluem motivos históricos, semânticos e lógicos. O prefixo anti, combinado com o sufixo ismo sugere uma opinião que vem a se opor a uma outra opinião. Porém, a judeufobia não é uma idéia. Jean-Paul Sartre, em seu famoso livro sobre o tema, sugere que não permitamos ao judeófobo disfarçar seu ódio em "opinião". Na medida em que usamos anti-semitismo, os judeófobos poderão adornar seus rancores com uma aura de critério racional, o que descaracteriza a irracionalidade da judeufobia. Não tentem, portanto, nossos inimigos usar disfarces, pois estamos preparados para desmascará-los.
Nesta edição de Visão Judaica há a transcrição de um sermão proferido numa mesquita de Gaza, dia 13 de maio, por um xeique judeófobo. Como o sermão fora transmitido pela TV oficial palestina, as acusações medievalistas aos judeus, o ódio irracional e a manifesta patifaria — negando o Holocausto e culpando os judeus pela 2ª Guerra Mundial, entre outros — ao repercutirem no mundo, resultaram num constrangimento sem precedentes para a Autoridade Palestina, aparentemente comprometida com o processo de paz no Oriente Médio. Esta se viu obrigada a proibir sermões desse tipo na televisão e no rádio. Entretanto, o xeique falastrão ainda não foi punido. Tudo isso mostra o quão distante está ainda a paz na região. O respeito ao próximo e o cumprimento da lei, serão sempre recompensados com a fartura da colheita. Esta é, na essência, a bela mensagem inserida no evento de Shavuot.

A Redação