O ministro das Relações Exteriores do Brasil,
Celso Amorim, declarou que sua missão oficial a Israel "criou
o clima adequado" para uma visita do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva ao país e que a viagem foi um dos temas
do encontro com o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.
As relações entre Brasil e Israel, segundo fontes
israelenses, tornaram-se "desconfortáveis" após
a visita de Lula aos países árabes e da missão
de Amorim ao Oriente Médio, que não incluíram
Israel, além da cúpula entre países sul-americanos
e árabes, em Brasília, em maio.
Depois do encontro com Sharon, descrito como "franco e
positivo", Amorim declarou que se sentia "absolutamente
realizado": "Fiquei quase uma hora com ele, que é o
primeiro-ministro de um país que tem muitos problemas.
Isso demonstra a importância que ele dá ao Brasil.
Só posso entender isso como uma homenagem ao Brasil
e ao presidente Lula".
"
Foi ótimo. Até mostramos fotos dos netos um para
o outro." Conforme Amorim, o tema da cúpula foi
levantado por Sharon, porém discutido apenas "de
passagem": "Sharon expressou as preocupações
do ponto de vista de Israel".
Amorim relatou que Sharon demonstrou conhecimento sobre a população
e o território do Brasil e sobre as relações
comerciais de Israel com o país. Ele disse ainda que
convidou Sharon a visitar o Brasil, e que ele respondeu com "muito
gosto e interesse".
O gabinete de Sharon chegou a cancelar o encontro com Amorim.
Mas, sob insistência do Departamento da América
Latina da Chancelaria israelense, apenas o horário da
reunião foi mudado. Sharon não fez declarações à imprensa
brasileira depois do encontro e o gabinete em Jerusalém
não emitiu nota com reações oficiais.
Amorim disse que repetiu a Sharon o ponto de vista brasileiro
em relação ao conflito no Oriente Médio. "Disse
que o plano de retirada é um ato corajoso, que somos
a favor da criação de um Estado palestino, mas
que Israel também tem direito a viver em segurança".
Antes do encontro com Sharon, Amorim visitou uma escola de
futebol que reúne crianças israelenses e palestinas
em Jerusalém, patrocinada pelo Centro Peres para a Paz.
Ele tirou fotos ao lado dos garotos, tentou fazer embaixadas
e trocou passes com um aluno. Amorim também se reuniu
em Tel Aviv com Shimon Peres, vice-premiê israelense
e líder do Partido Trabalhista, e participou do encontro
de empresários brasileiros da delegação
oficial com firmas israelenses. Segundo o Itamaraty, Israel
tem interesse em jatos comerciais e álcool, além
de projetos conjuntos de irrigação e tecnologia
espacial.
Celso Amorim chegou a Israel dia 28/5, para uma visita oficial
de três dias. Acompanhado de uma comitiva, o chanceler
brasileiro foi recepcionado pela embaixadora de Israel no Brasil,
Tzipora Rimon. Da agenda constaram ainda encontros com o com
o presidente Moshe Katsav, com o vice primeiro-ministro e ministro
da Indústria, Comércio e Trabalho, Ehud Olmert,
com o ministro das Relações Exteriores, Silvan
Shalom, além de reuniões com a Diretoria Geral
para Assuntos Latino-americanos do Ministério das Relações
Exteriores de Israel e com a Presidência da Câmara
de Comércio e Indústria Brasil-Israel.
No Yad Vashem
A primeira das visitas que o ministro das Relações
Exteriores Celso Amorim fez, foi em Jerusalém, no Museu
do Holocausto — o Yad Vashem, onde colocou uma coroa
de flores, em nome do Brasil, em memória dos 6 milhões
de judeus assassinados pelos nazistas durante a Segunda Guerra
Mundial.
Durante a cerimônia, perto da chama eterna, num recinto
onde estão escritos os nomes dos campos de concentração,
o rabino Henry Sobel, de São Paulo, fez a oração
do kadish em homenagem aos mortos. "Quando rezei o kadish
segurei a mão do ministro e senti uma emoção
forte por parte dele", declarou depois Sobel.
Ao sair do museu, a caminho de seu segundo compromisso em Israel,
uma reunião com presidente Moshe Katsav, Celso Amorim
afirmou: "Esta foi uma visita muito emocionante, pois
nos mostra a que ponto pode chegar a loucura humana. E tudo
isso aconteceu num tempo não muito distante".
"
Este museu deve ser visitado por todos, para que a memória
se mantenha viva e coisas como essas jamais se repitam",
acrescentou o ministro.
Segundo o rabino da Congregação Israelita Paulista
(CIP), que integrou a comitiva oficial de Amorim, "o Brasil
que estava tão longe do palco das atrocidades cometidas
durante o Holocausto está se conscientizando cada vez
mais do pecado da omissão das nações durante
esta tragédia".
A delegação brasileira que acompanhou Amorim,
além do rabino Henry Sobel, foi composta por 13 empresários
e representantes de instituições: Alexandre Lodygensky
Junior, da Comexport Cia. de Comércio Exterior; Antônio
Rocha da Silva, presidente da Federação das Indústrias
do Distrito Federal e sua esposa, Mônica Valéria
Valadares Ferreira; Ary Júnior, RC Cola Empresa de Refrigerantes;
Beno Suchodolski, da Câmara Brasil-Israel de Comércio
e Indústria de São Paulo; Carlos Antônio
Cavalcanti e Fernando Greiber, da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp;
Djalma Petit, coordenador da Softex;, José Frederico Álvares,
da Confederação Nacional da Indústria
(CNI); Marcus Vinícius Pratini de Moraes, da Associação
Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec);
Rafael Eliasquevitch Mantovani, da Bradesco Corporate e coordenador
da Câmara Jovem da Câmara Brasil-Israel de Comércio
e Indústria de São Paulo; Rodrigo de Azeredo
Santos, do Ministério das Relações Exteriores
do Brasil.
A Câmara Israel-Brasil de Indústria e Comércio,
através de seu diretor Henrique Kuchnir, e a Embaixada
de Israel, através do conselheiro Samuel H. Bueno dos
Santos, trabalharam em parceria na organização
da agenda e na coordenação da Rodada de Negócios.
Segundo o presidente da Câmara Israel-Brasil, Tzvi Chazan,
os contatos estabelecidos e as perspectivas traçadas
pelos participantes abrem novos rumos para o intercâmbio
comercial, cultural e tecnológico entre Brasil e Israel.