Ali Yahya, o embaixador da paz - De origem árabe e cidadania israelense, ele prova que a convivência é possível

Ali Yahya é um árabe-israelense, mas é também a prova viva de como uma sociedade democrática no Oriente Médio pode proporcionar oportunidades iguais a qualquer um de seus cidadãos. Yahya é membro do corpo diplomático israelense, exerceu funções de embaixador de Israel na Finlândia, e está sendo agora nomeado para o posto de embaixador nas Nações Unidas. Ele esteve no Brasil, em maio, fez palestras, participou de eventos e concedeu uma esclarecedora entrevista ao programa Milênio, apresentado pelo canal Globonews, da TV a cabo Net.

Em todos os seus contatos com o público, o embaixador israelense Ali Yahya falou sobre Israel como sendo uma sociedade multi-cultural, com diversas minorias no país. Muçulmano, ele disse claramente que o Islã não é o que está sendo pregado atualmente, e que o Alcorão, assim como a Bíblia dizem que a Terra de Israel – a Palestina, pertence ao povo hebreu, ou seja, aos judeus.

Para Ali Yahya, a Guerra dos Seis Dias mostrou aos países árabes que o Estado de Israel veio para ficar. “Enquanto as rádios desses países diziam que os soldados que invadiram Israel estariam tomando a cidade de Tel Aviv, na verdade eram os israelenses que estavam chegando ao Cairo”. Ele enfatizou que considera um erro a não aceitação da Partilha da Palestina em um estado árabe e outro judeu, determinada pela ONU em 1947.

Yahya comparou o desenvolvimento dos árabes-israelenses, cujos filhos cursam as melhores escolas e universidades no país, assim como suas esposas, hoje doutoradas e especialistas em diversos campos do saber, e que têm uma situação financeira invejável, com os palestinos vivendo como refugiados.

Defensor incondicional de Israel, Ali é professor com doutorado, e dirigiu durante anos um instituto de ensino do árabe e do hebraico na cidade de Natânia, procurando formas para que os dois povos aprendessem os dois idiomas, ambos oficiais no país. Uma dessas maneiras foi ensinar o árabe para soldadas do exército, ícones em que muitos se espelham. “Não é o russo, não é o iídiche, o segundo idioma oficial de Israel é o árabe”, enfatizou, contando também que sempre disse aos judeus que vieram da Rússia e aos provenientes da Etiópia para que não esquecessem suas raízes e seu idioma natal, e para que se orgulhassem deles, assim como ele se orgulha das tradições árabes.

Falando expressões tipicamente judaicas e com muito bom humor e simpatia, Ali abordou temas sérios como a guerra e a paz, mostrando que a convivência saudável e harmônica é possível. Disse que nem sempre é fácil ser minoria (há um milhão de árabes israelenses no país, com plenos direitos de cidadania), mas que não concordou quando alguns parlamentares árabes-israelenses decidiram se voltar contra Israel. “Sempre fomos respeitados, estudamos em escolas israelenses, em universidades e estamos no Parlamento”, relatou demonstrando orgulho de ser israelense e de defender seu país.

Quando foi convidado pelo então presidente Itzhak Rabin para acompanhá-lo na viagem a Oslo, onde recebeu o Prêmio Nobel da Paz conta que “parecia que meu coração ia explodir de tanta emoção”, lembrou. Rabin, que considerava como um grande amigo, foi quem lhe disse que ele era um verdadeiro embaixador da paz. Convidado a ser de fato embaixador, hoje serve na Finlândia, onde sempre foi muito bem recebido.