Entra-se na biblioteca da Universidade Hebraica de Jerusalém
ao lado do bíblico Monte das Oliveiras e as recepcionistas
são terminais de computadores.
Muito eficientes, elas podem atender em hebraico ou em inglês,
corrigindo automaticamente as consultas erradas, aceitando
mesmo perguntas que apenas querem testá-las.
Se o leitor escrever “Cami” ao invés de
Camus, por exemplo, surgirão na tela todos os nomes
com “Ca”, para que se encontre o desejado.
Decidido, o consulente marca o número que aparece acompanhado
do nome de outra e a tela mostrará todos os seus livros
disponíveis.
Escolhe-se um dos livros, basta registrar no teclado uma outra
referência e saberá qual a editora, em que ano
foi publicado, em que estante o encontrará e por quantos
dias pode pedi-lo emprestado (em geral 14 dias).
A pesquisa pode ser feita por tema. Brasil, por exemplo, aí o
sistema se repete. A bibliografia disponível enchendo
a tela é um aviso. Se quiser mais, pressione a tela
F.
Apertando F a tela volta a se cobrir com novos títulos,
pontos de partida para uma busca que duraria pelo menos um
dia, mas que aqui é instantânea, um diálogo
silencioso.
Isto me parece telepatia. É a biblioteca do século
XXI dizem os jerusolamitas. Mas não é apenas
isso se levarmos em conta o plano de integrá-la às
demais bibliotecas do país. Assim, um estudante do extremo
sul, em Eilat, dialogando com a central do computador, saberá em
que cidade encontrará o que quer, exatamente em que
estante e se tal livro está disponível no momento.
A biblioteca é objeto de estudo por parte da Suíça,
dos dinamarqueses, sul-africanos e norte-americanos que gostariam
de reproduzir o seu modelo.
A programação do computador é única
no mundo, e o seu criador Yocheman Sprech quis um diálogo
entre o consulente e o computador.
As instruções estão na tela, basta segui-las
como num jogo. A biografia sobre Jorge Amado surpreende pela
sua riqueza.
A biblioteca tem 400.000 volumes, e a verba, como a própria
biblioteca surgiu de uma doação dos canadenses
Loris e Bernard Bloomfield, de Montreal.
A biblioteca tem 14 mil metros quadrados, quatro andares. No
primeiro andar estão as recepcionistas, que se espalham
em menor quantidade nos andares superiores.
Os periódicos, 2.000 publicações e pequenas
salas a prova de som para grupos de estudo.
Esta biblioteca do século XXI tem capacidade para abrigar
dois mil leitores, vinte e sete mil discos com a proibição
de Wagner. Tudo o que pode ser emprestado nesta biblioteca
está ligado ao computador, se tentar retirar livro ou
disco sem tê-lo pedido na saída será automaticamente
barrado e o alarme soará.
Os livros são arrumados de acordo com a classificação
da Biblioteca do Congresso Norte-Americano.
O 4º andar abrange Filosofia, Religião, Oriente
Médio e Extremo Oriente. Foram necessários três
anos para vencer o desafio de transformar um pequeno armazém
num grande supermercado, re-classificar, combinar, sem impedi-los
de circular entre os estudantes ou outros leitores.
Trata-se de mais um desafio vencido, algo muito importante
que deveria ser conhecido no mundo todo.
Num momento ao saber e ao conhecimento do ser humano, algo
inimaginável há poucos anos atrás.
Progresso, informação e conhecimento combinados
com o interesse do saber e do desenvolvimento da mente humana,
o mais perfeito computador conhecido até hoje.
A nova biblioteca do século XXI representa um desafio
incalculável ao seu usuário, um desafio aos conhecimentos
da humanidade pensante, e uma ampliação imensa à rede
do conhecimento intelectual do ser humano.
A amplitude e a capacidade mental dos alunos e dos leitores é imponderável
e esta biblioteca está ao dispor da amplitude de interesses
que o novo século e milênio determinaram para
o ser humano.
Um desafio a ser alcançado com perseverança,
com amor, dedicação e apego ao conhecimento humano
desde os seus primórdios.
Ao serem expulsos do Paraíso, Adão e Eva optaram
pela árvore do conhecimento.
Ele aqui está em toda a sua plenitude e exuberância
e representa o maior desafio para um ser humano pensante desde
a criação do mundo.
A árvore do conhecimento do século XXI sem o
Paraíso e sua visão do mundo perfeito.
* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional da
B’nai B’rith.