Uma iniciativa conjunta foi assumida dias atrás pelos
governos de Israel, Jordânia e Autoridade Palestina. Concordaram
na hipótese da construção de um canal entre
o golfo jordaniano de Ácaba, no Mar Vermelho, ao lado
do porto israelense de Eilat, atravessando o deserto para chegar
até o Mar Morto. Este mar interior que fica a 400 metros
abaixo do nível do Mar Mediterrâneo, é a
depressão mais baixa do globo terrestre. Suas praias são
centros turísticos da Jordânia e de Israel. E em
suas águas extremamente salgadas as pessoas podem se sentar
e ler jornal sem temor de se afogar. Nas margens existiram Sodoma
e Gomorra, que desapareceram conforme narrativa do Velho Testamento. É o
local onde a mulher de Lot olhou para trás e transformou-se
em estátua de sal. Ainda hoje há quem não
entre direto em chuveiro ao sair do mar de águas medicinais
e fica coberto de sal.
Só que se descobriu que o Mar Morto está secando.
Ano após ano, a evaporação motivada pelo
forte calor, o excesso de sal e outras substâncias químicas
estão fazendo as margens do grande lago salgado aumentar,
enquanto seu conteúdo diminui. A intenção
da iniciativa é concretizar um projeto de um canal que
vai gerar eletricidade, prover água fresca e evitar que
o Mar Morto seque e desapareça. Pegará água
em Ácaba para elevá-la a 170 metros do nível
do Mar Vermelho. Daí, a á
gua virá em queda até baixar aos 400 metros de
profundidade do Mar Morto que é o local habitado mais
baixo do mundo.
Serão cerca de 140 quilômetros de túneis
e canos. A eletricidade produzida purificará água
que será distribuída entre os paises. Trata-se
de um projeto arrojado. O canal irá viabilizar centros
de turismo, jardins e agricultura.
O estudo de viabilidade — como fazer para construí-lo
e torná-lo rentável — já está sendo
elaborado ao custo de 20 milhões de dólares, assumidos,
em parte, pelo Banco Mundial. Serão necessários
um bilhão de dólares para sua construção,
mas serão necessários muitos milhões mais
para todos os projetos que se desdobrarão do principal.
Á
gua sempre foi uma questão critica na região. O
controle das fontes é constante ameaça às
relações dos países na área. Já houve
até previsões de que as guerras futuras seriam
causadas por disputa pela água, que se torna cada vez
mais escassa, num planeta onde há gente irresponsável.
O canal é um sonho da região desde o século
19. O estudo de viabilidade pode concluir que seja pouco econômico.
Mas a questão é: Qual o valor de paz? Qualquer
país com menos de mil e 500 metros cúbicos per
capita sofre de escassez. Israel tem 350 metros cúbicos,
a Jordânia 140 m3, a área palestina, 70 m3 por habitante
atualmente. O canal, imagina-se, poderá produzir 800 milhões
de metros cúbicos, o equivalente ao atualmente disponível
pela Jordânia. Água equivale a vida. Em termos de
dólares ou euros a água do canal, se construído,
será cara. Mas vale muito mais do que o chamado ouro negro
cujo desperdício vem custando o aquecimento atmosférico.
E ameaça o futuro da Terra. (De Nahum Sirotsky, em Israel).