Shavuot é o segundo dos três maiores Dias Festivos
(Pêssach é o primeiro e Sucot o terceiro), e vem
exatamente cinqüenta dias após Pêssach. A
Torá foi outorgada por D-us ao povo judeu no Monte Sinai
há mais de três mil e trezentos anos. Todos os
anos neste dia, renovamos nossa aceitação do
presente de D-us. A palavra Shavuot significa "semanas":
assinala a compleição das sete semanas entre
Pêssach e Shavuot (o período do ômer), durante
o qual o povo judeu preparou-se para a Outorga da Torá.
Durante este tempo, purificou-se das cicatrizes da escravidão
e tornou-se uma nação sagrada, pronta a entrar
em uma aliança eterna com D-us, com a Outorga da Torá.
Shavuot também significa "juramentos". Com
a Outorga da Torá, o povo judeu e D-us trocaram juramentos,
formando um pacto duradouro de não abandonar um ao outro.
A Torá é composta de duas partes: a Lei Escrita
e a Lei Oral. A Torá escrita contém os Cinco
Livros de Moshê (Moisés), os Profetas e os Escritos.
Juntamente com a Torá Escrita, Moshê recebeu também
a Lei Oral, que explica e esclarece a Lei Escrita. Foi transmitida
oralmente de geração a geração
e finalmente transcrita no Talmud e Midrash.
A palavra "Torá" significa instrução
ou orientação. A palavra mitsvá significa
tanto mandamento como conexão. Há 613 mandamentos.
Os positivos (faça), totalizando 248, são equivalentes
ao número de órgãos no corpo humano. Os
365 negativos (não faça) são equivalentes
ao número de vasos sanguíneos no corpo humano.
Através do estudo de Torá e cumprimento das mitsvót
conectamos a nós e ao ambiente a D-us. O propósito
de D-us ao criar o mundo é para que santifiquemos toda
a Criação, imbuindo-a de santidade e espiritualidade.
A Outorga da Torá foi um evento de grande alcance espiritual — que
tocou a essência da alma judaica na ocasião e
para todo o sempre. Nossos Sábios a compararam a um
casamento entre D-us e o povo judeu. Um dos muitos nomes de
Shavuot é o Dia do Grande Juramento, (a palavra shavua
significa também juramento). Neste dia, D-us jurou-nos
eterna devoção, e nós também prometemos
lealdade eterna a Ele.
Neste dia recebemos um presente do Alto, que não teríamos
conseguido com nossas limitadas faculdades. Recebemos a habilidade
de atingir e tocar o Divino; não apenas para sermos
seres humanos refinados, mas seres humanos Divinos, capazes
de se elevar acima e além das limitações
da natureza.
Shavuot é o dia no qual celebramos a grande revelação
da Outorga da Torá no Monte Sinai, no ano 2448. Você ficou
ao pé da montanha. Seus avós e bisavós
antes deles. As almas de todos os judeus de todos os tempos
juntaram-se para ouvir os Dez Mandamentos, transmitidos pelo
próprio D-us.
Este ano, na segunda-feira, dia 13 de junho de 2005, vá até sua
sinagoga para ouvir os Dez Mandamentos e reafirmar o pacto
com D-us e Sua Torá.
Como todos nós ficamos no Monte Sinai, devemos confirmar
nosso compromisso. Bebês, crianças, os idosos,
todos que estiverem em condições deverão
comparecer.
Em muitas sinagogas lê-se o Livro de Ruth no segundo
dia de Shavuot. Há vários motivos para este costume:
a) Shavuot é a data de nascimento e yahrzeit (dia de
falecimento) do Rei David, e o Livro de Ruth registra sua ancestralidade.
Ruth e seu marido Boaz foram os bisavôs do Rei David;
b) As cenas de colheita, descritas no Livro de Ruth, são
apropriadas ao Festival da Colheita; c) Ruth foi uma convertida
sincera que abraçou o judaísmo de todo o coração.
Em Shavuot, todos os judeus foram como convertidos, tendo aceitado
a Torá e todos seus preceitos.
Shavuot é também chamado de Atsêret, que
significa a Compleição, porque juntamente com
Pêssach, completa uma unidade. Ganhamos nossa liberdade
em Pêssach a fim de recebermos a Torá em Shavuot.
Outro nome para Shavuot é Iom Habicurim, ou o Dia dos
Primeiros Frutos. Numa expressão de agradecimento a
D-us, começando em Shavuot, cada fazendeiro na terra
de Israel levava ao Templo Sagrado uma oferenda do primeiro
trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras
que cresciam no campo.
Finalmente, Shavuot é também chamado Chag Hacatsir,
a Festa da Colheita, porque o trigo, o último dos grãos
a ficar pronto para ser cortado, era colhido nesta época
do ano.
Em Shavuot se costuma enfeitar a casa e a sinagoga com frutas,
flores e folhagens. O motivo disso é que na época
do Templo Sagrado, os primeiros frutos da colheita eram oferecidos
em Shavuot. Nossos Sábios relatam também que,
embora o Monte Sinai se localizasse em um deserto, quando a
Torá foi outorgada a montanha floresceu e muitas flores
brotaram. Todos os arranjos devem ser feitos até domingo,
12 de junho, antes do despontar do dia festivo, para respeitar
a santidade de Shavuot.
Costuma-se comer alimentos à base de leite em Shavuot.
Existem várias razões para este costume: a partir
da outorga da Torá, passou a valer a obrigação
de cumprir as leis da Cashrut. Como a Torá foi outorgada
no Shabat, nenhum animal podia ser abatido e nem os utensílios
podiam ser casherizados, portanto neste dia come-se laticínios.
Outro motivo é que a Torá é comparada
ao leite. A palavra hebraica para leite é chalav. Quando
o valor numérico de cada uma das letras da palavra chalav
são somadas (8+30+2), chega-se ao total de quarenta.
Quarenta é o número de dias que Moshê passou
no Monte Sinai, recebendo a Torá diretamente de D-us.
A Torá foi outorgada livremente, em um local público
sem proprietário. Se tivesse sido outorgada na terra
de Israel, as nações do mundo diriam que não
têm uma porção nela. Qualquer povo que
a deseje aceitar é bem vindo a fazê-lo.
Por que o Monte Sinai foi escolhido para ser o local para a
Outorga da Torá? A resposta convencional é que
a escolha do Monte Sinai foi para ensinar-nos a humildade,
pois o Monte Sinai era a mais humilde de todas as montanhas.
Se é assim, por que não foi dada em um vale profundo?
Não seria esta uma lição mais forte sobre
a humildade?
Daí, aprendemos que um judeu deve ser capaz de distinguir
entre ser orgulhoso e ser arrogante. A arrogância é de
mau gosto. Orgulhar-se de suas raízes é uma virtude.
Portanto, a Torá foi outorgada em uma humilde montanha.
A Revelação no Sinai
A alvorada do terceiro dia trouxe trovões e relâmpagos
que encheram o ar. Pesadas nuvens pairavam sobre a montanha,
e os sons crescentes e constantes do shofar fizeram o povo
estremecer com temor. Moshê levou os Filhos de Israel
para fora do acampamento e colocou-os ao pé do Monte
Sinai, que estava todo coberto por fumaça e trepidações,
pois D-us tinha descido sobre ele, em fogo.
O toque do shofar intensificou-se, mas de repente todos os
sons cessaram, e seguiu-se um silêncio absoluto; então
D-us proclamou os Dez Mandamentos desta forma:
1 - "Eu sou o Senhor teu D-us, que te tirei da terra
do Egito, da casa dos escravos.
2 - "Não terás outros deuses diante de Mim.
Não farás para ti imagem de escultura, figura
alguma do que há em cima, nos céus, e abaixo
na terra, ou nas águas, abaixo da terra. Não
te prostrarás diante deles, nem os servirá, pois
sou o Eterno, teu D-us, D-us zeloso, que visita a iniqüidade
dos pais aos filhos sobre terceiras e quartas gerações
aos que me aborrecem; e mostrarei misericórdia até mil
gerações daqueles que Me amam e guardam Meus
mandamentos.
3 - "Não jurarás em nome do Eterno, teu
D-us, em vão; porque não livrará o Eterno
ao que jurar Seu nome em vão.
4 - "Lembra-te do dia de Shabat para santificá-lo.
Seis dias trabalharás, e farás toda tua obra.
E o sétimo é o Shabat do Eterno, teu D-us, e
não farás nenhuma obra, tu, teu filho, tua filha,
teu servo, tua serva, teu animal, e teu peregrino que estiver
em tuas cidades; pois em seis dias o Senhor fez os céus
e a terra, o mar, e tudo o que há neles, e repousou
no sétimo dia; portanto, abençoou o Eterno o
dia de Shabat e o santificou.
5 - "Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem
teus dias sobre a terra que o Eterno, teu D-us, te dá.
6 - "Não matarás.
7 - "Não cometerás adultério.
8 - "Não furtarás.
9 - "Não levantarás falso testemunho contra
teu próximo.
10 - "Não cobiçarás a casa de teu
próximo; não cobiçarás a mulher
de teu próximo, e seu servo, ou sua serva, e seu boi,
e seu asno, e tudo que seja de teu próximo."
Todo o povo ouviu as palavras de D-us, e ficaram assustados.
Imploraram a Moshê para ser o intermediário entre
D-us e eles, pois se o próprio D-us continuasse a dar-lhes
toda a Torá, certamente morreriam. Moshê disse-lhes
para não terem medo, pois D-us revelara-Se a eles para
que O temessem e não pecassem.
Então D-us pediu a Moshê para subir a montanha;
pois apenas ele era capaz de ficar na presença de D-us.
Lá Moshê receberia as duas tábuas contendo
os Dez Mandamentos e a Torá completa, para ensiná-los
aos Filhos de Israel.
Moshê subiu a montanha e lá permaneceu por quarenta
dias e quarenta noites, sem comer ou dormir, pois havia se
tornado semelhante a um anjo. Durante este tempo, D-us revelou
a Moshê toda a Torá, com todas suas leis e suas
interpretações.
Finalmente, D-us deu a Moshê as duas Tábuas do
Testemunho, feitas de pedra, contendo os Dez Mandamentos, escritos
pelo próprio D-us. (Fonte: www.chabad.org.br).