Shavuot - 13 de junho de 2005


Shavuot é o segundo dos três maiores Dias Festivos (Pêssach é o primeiro e Sucot o terceiro), e vem exatamente cinqüenta dias após Pêssach. A Torá foi outorgada por D-us ao povo judeu no Monte Sinai há mais de três mil e trezentos anos. Todos os anos neste dia, renovamos nossa aceitação do presente de D-us. A palavra Shavuot significa "semanas": assinala a compleição das sete semanas entre Pêssach e Shavuot (o período do ômer), durante o qual o povo judeu preparou-se para a Outorga da Torá. Durante este tempo, purificou-se das cicatrizes da escravidão e tornou-se uma nação sagrada, pronta a entrar em uma aliança eterna com D-us, com a Outorga da Torá. Shavuot também significa "juramentos". Com a Outorga da Torá, o povo judeu e D-us trocaram juramentos, formando um pacto duradouro de não abandonar um ao outro.

A Torá é composta de duas partes: a Lei Escrita e a Lei Oral. A Torá escrita contém os Cinco Livros de Moshê (Moisés), os Profetas e os Escritos. Juntamente com a Torá Escrita, Moshê recebeu também a Lei Oral, que explica e esclarece a Lei Escrita. Foi transmitida oralmente de geração a geração e finalmente transcrita no Talmud e Midrash.

A palavra "Torá" significa instrução ou orientação. A palavra mitsvá significa tanto mandamento como conexão. Há 613 mandamentos. Os positivos (faça), totalizando 248, são equivalentes ao número de órgãos no corpo humano. Os 365 negativos (não faça) são equivalentes ao número de vasos sanguíneos no corpo humano.

Através do estudo de Torá e cumprimento das mitsvót conectamos a nós e ao ambiente a D-us. O propósito de D-us ao criar o mundo é para que santifiquemos toda a Criação, imbuindo-a de santidade e espiritualidade.

A Outorga da Torá foi um evento de grande alcance espiritual — que tocou a essência da alma judaica na ocasião e para todo o sempre. Nossos Sábios a compararam a um casamento entre D-us e o povo judeu. Um dos muitos nomes de Shavuot é o Dia do Grande Juramento, (a palavra shavua significa também juramento). Neste dia, D-us jurou-nos eterna devoção, e nós também prometemos lealdade eterna a Ele.

Neste dia recebemos um presente do Alto, que não teríamos conseguido com nossas limitadas faculdades. Recebemos a habilidade de atingir e tocar o Divino; não apenas para sermos seres humanos refinados, mas seres humanos Divinos, capazes de se elevar acima e além das limitações da natureza.

Shavuot é o dia no qual celebramos a grande revelação da Outorga da Torá no Monte Sinai, no ano 2448. Você ficou ao pé da montanha. Seus avós e bisavós antes deles. As almas de todos os judeus de todos os tempos juntaram-se para ouvir os Dez Mandamentos, transmitidos pelo próprio D-us.

Este ano, na segunda-feira, dia 13 de junho de 2005, vá até sua sinagoga para ouvir os Dez Mandamentos e reafirmar o pacto com D-us e Sua Torá.

Como todos nós ficamos no Monte Sinai, devemos confirmar nosso compromisso. Bebês, crianças, os idosos, todos que estiverem em condições deverão comparecer.

Em muitas sinagogas lê-se o Livro de Ruth no segundo dia de Shavuot. Há vários motivos para este costume: a) Shavuot é a data de nascimento e yahrzeit (dia de falecimento) do Rei David, e o Livro de Ruth registra sua ancestralidade. Ruth e seu marido Boaz foram os bisavôs do Rei David; b) As cenas de colheita, descritas no Livro de Ruth, são apropriadas ao Festival da Colheita; c) Ruth foi uma convertida sincera que abraçou o judaísmo de todo o coração. Em Shavuot, todos os judeus foram como convertidos, tendo aceitado a Torá e todos seus preceitos.

Shavuot é também chamado de Atsêret, que significa a Compleição, porque juntamente com Pêssach, completa uma unidade. Ganhamos nossa liberdade em Pêssach a fim de recebermos a Torá em Shavuot.

Outro nome para Shavuot é Iom Habicurim, ou o Dia dos Primeiros Frutos. Numa expressão de agradecimento a D-us, começando em Shavuot, cada fazendeiro na terra de Israel levava ao Templo Sagrado uma oferenda do primeiro trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras que cresciam no campo.

Finalmente, Shavuot é também chamado Chag Hacatsir, a Festa da Colheita, porque o trigo, o último dos grãos a ficar pronto para ser cortado, era colhido nesta época do ano.

Em Shavuot se costuma enfeitar a casa e a sinagoga com frutas, flores e folhagens. O motivo disso é que na época do Templo Sagrado, os primeiros frutos da colheita eram oferecidos em Shavuot. Nossos Sábios relatam também que, embora o Monte Sinai se localizasse em um deserto, quando a Torá foi outorgada a montanha floresceu e muitas flores brotaram. Todos os arranjos devem ser feitos até domingo, 12 de junho, antes do despontar do dia festivo, para respeitar a santidade de Shavuot.

Costuma-se comer alimentos à base de leite em Shavuot. Existem várias razões para este costume: a partir da outorga da Torá, passou a valer a obrigação de cumprir as leis da Cashrut. Como a Torá foi outorgada no Shabat, nenhum animal podia ser abatido e nem os utensílios podiam ser casherizados, portanto neste dia come-se laticínios.

Outro motivo é que a Torá é comparada ao leite. A palavra hebraica para leite é chalav. Quando o valor numérico de cada uma das letras da palavra chalav são somadas (8+30+2), chega-se ao total de quarenta. Quarenta é o número de dias que Moshê passou no Monte Sinai, recebendo a Torá diretamente de D-us.

A Torá foi outorgada livremente, em um local público sem proprietário. Se tivesse sido outorgada na terra de Israel, as nações do mundo diriam que não têm uma porção nela. Qualquer povo que a deseje aceitar é bem vindo a fazê-lo.

Por que o Monte Sinai foi escolhido para ser o local para a Outorga da Torá? A resposta convencional é que a escolha do Monte Sinai foi para ensinar-nos a humildade, pois o Monte Sinai era a mais humilde de todas as montanhas. Se é assim, por que não foi dada em um vale profundo? Não seria esta uma lição mais forte sobre a humildade?
Daí, aprendemos que um judeu deve ser capaz de distinguir entre ser orgulhoso e ser arrogante. A arrogância é de mau gosto. Orgulhar-se de suas raízes é uma virtude. Portanto, a Torá foi outorgada em uma humilde montanha.


A Revelação no Sinai

A alvorada do terceiro dia trouxe trovões e relâmpagos que encheram o ar. Pesadas nuvens pairavam sobre a montanha, e os sons crescentes e constantes do shofar fizeram o povo estremecer com temor. Moshê levou os Filhos de Israel para fora do acampamento e colocou-os ao pé do Monte Sinai, que estava todo coberto por fumaça e trepidações, pois D-us tinha descido sobre ele, em fogo.
O toque do shofar intensificou-se, mas de repente todos os sons cessaram, e seguiu-se um silêncio absoluto; então D-us proclamou os Dez Mandamentos desta forma:

1 - "Eu sou o Senhor teu D-us, que te tirei da terra do Egito, da casa dos escravos.
2 - "Não terás outros deuses diante de Mim. Não farás para ti imagem de escultura, figura alguma do que há em cima, nos céus, e abaixo na terra, ou nas águas, abaixo da terra. Não te prostrarás diante deles, nem os servirá, pois sou o Eterno, teu D-us, D-us zeloso, que visita a iniqüidade dos pais aos filhos sobre terceiras e quartas gerações aos que me aborrecem; e mostrarei misericórdia até mil gerações daqueles que Me amam e guardam Meus mandamentos.
3 - "Não jurarás em nome do Eterno, teu D-us, em vão; porque não livrará o Eterno ao que jurar Seu nome em vão.
4 - "Lembra-te do dia de Shabat para santificá-lo. Seis dias trabalharás, e farás toda tua obra. E o sétimo é o Shabat do Eterno, teu D-us, e não farás nenhuma obra, tu, teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, teu animal, e teu peregrino que estiver em tuas cidades; pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar, e tudo o que há neles, e repousou no sétimo dia; portanto, abençoou o Eterno o dia de Shabat e o santificou.
5 - "Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem teus dias sobre a terra que o Eterno, teu D-us, te dá.
6 - "Não matarás.
7 - "Não cometerás adultério.
8 - "Não furtarás.
9 - "Não levantarás falso testemunho contra teu próximo.
10 - "Não cobiçarás a casa de teu próximo; não cobiçarás a mulher de teu próximo, e seu servo, ou sua serva, e seu boi, e seu asno, e tudo que seja de teu próximo."

Todo o povo ouviu as palavras de D-us, e ficaram assustados.
Imploraram a Moshê para ser o intermediário entre D-us e eles, pois se o próprio D-us continuasse a dar-lhes toda a Torá, certamente morreriam. Moshê disse-lhes para não terem medo, pois D-us revelara-Se a eles para que O temessem e não pecassem.
Então D-us pediu a Moshê para subir a montanha; pois apenas ele era capaz de ficar na presença de D-us. Lá Moshê receberia as duas tábuas contendo os Dez Mandamentos e a Torá completa, para ensiná-los aos Filhos de Israel.
Moshê subiu a montanha e lá permaneceu por quarenta dias e quarenta noites, sem comer ou dormir, pois havia se tornado semelhante a um anjo. Durante este tempo, D-us revelou a Moshê toda a Torá, com todas suas leis e suas interpretações.
Finalmente, D-us deu a Moshê as duas Tábuas do Testemunho, feitas de pedra, contendo os Dez Mandamentos, escritos pelo próprio D-us. (Fonte: www.chabad.org.br).