A Knesset
Por: Antonio Carlos Coelho
No lado oeste de Jerusalém, em Givat Ram, encontra-se
o Parlamento israelense, a Knesset, isto é, Assembléia.
Tanto o nome quanto o número de representantes que o compõem
vêm dos tempos bíblicos, após o retorno dos
judeus da Babilônia, quando houve a reestruturação
das instituições judaicas feitas por Esdras e Nehemias
no século 5 a.e.c. Portanto, o termo Knesset vem da Grande
Assembléia (Knesset Haguedolá) formada por 120
membros representantes do povo judeu.
Seguindo pela Avenida Ruppin pode-se chegar a um amplo edifício
de linhas modernas cercado de um grande jardim de plantas típicas
da região de Jerusalém. É ali que se reúne
o Parlamento para as suas seções legislativas seguindo
a tradição desde os tempos bíblicos.
O visitante poderá, após rigorosa checagem de documentos
visitar a sala de sessões e as dependências abertas
ao público, sempre acompanhado por um guia. As visitas
são realizadas aos domingos e quintas-feiras.
A sala da câmara e o hall de recepção são
decorados com enormes obras de Marc Chagall: a Criação,
a Saída do Egito, Jerusalém. Chagall que é a
maior expressão judaica das artes em pintura, tapeçarias,
murais e vitrais, tem suas obras, além da Knesset, na
Sinagoga do Hospital Hadassa em Jerusalém, no Museu de
Arte de Tel Aviv, na Ópera de Nova York, na Ópera
de Paris, na sede das Nações Unidas, e foi um dos
poucos artistas a ter suas obras expostas no Museu do Louvre
em vida. Talvez Chagall (1887-1985) tenha sido o artista que
melhor expressou o espírito judaico da Diáspora.
A Knesset tem a função de legislar e fiscalizar
o trabalho do governo. Trabalha em sessões plenárias
e por meio de dez comissões permanentes sendo que cada
uma está dedicada a um aspecto específico dos assuntos
do País. Os debates nas sessões da Knesset podem
ser feitos tanto em hebraico como em árabe (com tradução
simultânea) uma vez que os dois idiomas são tidos
como oficiais.
Os diferentes partidos – e são muitos – refletem
o espírito democrático que se desenvolveu em Israel
após a sua criação em 1948. Embora sejam
muitos os partidos políticos, basicamente se dividem em
Trabalhistas, com tendência social-democrata, e no Likud
que congrega opiniões de centro e nacionalistas. Os representantes
são eleitos por um período de quatro anos, porém,
o parlamento pode dissolver-se e então, ser necessária
a convocação de nova eleição.
Na frente do portão principal da Knesset encontra-se uma
grande Menorá. Ela foi elaborada pelo escultor Benno Elkan
(judeu inglês) e doada a Israel pelo Parlamento Britânico
em 15 de abril de 1956 por ocasião da data nacional de
Israel. No corpo da Menorá estão gravados elementos
da tradição judaica.
A visita à Knesset oferece ao visitante a possibilidade
de conhecer um dos mais belos e expressivos edifícios
de arquitetura moderna e com característica médio
oriental, conhecer parte da obra de Marc Chagall representada
por tapeçarias e murais e também assistir as acaloradas
sessões do parlamento israelense.
* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do jornal
Visão Judaica e diretor do Instituto Ciência e Fé.
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