|
Por: Helena Kessel - correspondente VJ
·
Sessenta anos após o desembarque aliado na Normandia, antigos
aliados e inimigos da Segunda Guerra Mundial vieram celebrar,
no domingo dia 6 de junho, o sexagésimo aniversário
desse importante evento histórico.
·
Sob o céu azul da Normandia, diferentemente do mau
tempo que fazia no mesmo dia, do mesmo mês,
todavia do ano de 1944, uns 20 chefes de Estado e governos
foram
convidados a comemorar justamente o que os une: "diante
da violência e do ódio que contaminam os seres
humanos e os povos, a mensagem dos heróis do Dia mais
Longo são a nossa herança
comum”. Foram as palavras do presidente Jacques Chirac.
·
O final de semana foi repleto de atividades, dentre
as quais uma cerimônia, da qual fez parte o presidente
norte-americano George W. Bush, no cemitério de Colleville.
No seu discurso, cuidadosamente ele evitou estabelecer um
paralelo entre o combate pela liberdade de 1944 e o que
está sendo hoje vivenciado no Iraque, em razão
da posição tomada pelo Hexagone. Na costa da
Normandia, Bush afirmou que a aliança entre os Estados
Unidos e a Europa resta forte e necessária.
·
Durante as comemorações, mais de 50 mil pessoas
participaram, sobretudo no sábado 5/6, do dia dedicado às
comemorações populares, nelas inclusas as diversas
manifestações contra a ocupação
americana no Iraque. Já no domingo, a festa foi reservada
aos convidados "vip", sobretudo com a presença
do chanceler alemão Gerhard Schröder.
·
1. 350 milhões de eleitores, espalhados pelos
25 paises que compõem a atual União Européia,
se deslocaram às urnas
para depositar seus votos com o objetivo de eleger os deputados
do Parlamento Europeu. Dentre eles, 41 milhões de
franceses foram às urnas, no domingo 13/6, através
do sufrágio universal, eleger seus 78 deputados. Uma
derrota da direita moderada de Chirac nestas eleições
confirmaria o descontentamento frente a uma administração
inundada de reformas econômicas muito impopulares.
E assim ocorreu. A oposição socialista francesa
liderou as eleições européias daquele
ensolarado domingo primaveril, com 29,18% dos votos, deixando
para trás a direita do presidente Jacques Chirac,
que obteve 16,6%, após 90% dos votos apurados.
·
Este foi o melhor resultado já obtido pelo Partido
Socialista numa eleição européia. Nas
eleições do Parlamento europeu de 1999, os
socialistas conseguiram 21,95% dos votos. Em terceiro lugar
está o partido de centro União pela Democracia
Francesa (UDF) de François Bayrou, que avançou
consideravelmente em relação às eleições
de 1999 e conseguiu 11,8% dos votos. Em seguida vem o partido
de ultradireita Frente Nacional, com 9,99% dos votos, enquanto
o partido Verde obteve 7,38%.
·
O dia, tipicamente primaveril, com temperatura na faixa dos
28°C, ensolarado e lindo, foi marcado por uma taxa de
abstenção recorde na França, que chegou
a 57%, contra os 53% registrados nas consultas passadas do
Parlamento europeu. Compreensível... Já que
o sufrágio universal não é obrigatório
e os franceses estão um tanto quanto descontentes
com a falta de opção, votando no "menos
pior".
·
Felizmente o partido "euro-palestina", dirigido,
em Paris, por Cristophe Oberlin, pelo humorista Dieudonné e
por Olivia Zémor não conseguiu nenhuma cadeira
no Parlamento. Era só o que faltava... sobretudo porque
uma das mais árduas funções desse novo
parlamento, com mandato de cinco anos, é resolver
questões delicadas, como o anti-semitismo, o racismo
e o terrorismo.
·
Outrossim, certamente anti-semitismo está na ordem
do dia, principalmente após a tentativa de assassinato
do jovem bachur da yeshivá de
Epinay, Israel Ifrah. Ainda internado, porém não
mais em estado grave, afirmou em entrevista ao jornal Actualité Juive
sua pretensão de fazer aliá (imigração)
assim que terminar algumas provas que ainda lhe restam a
realizar.
·
Aliás, ele não é o único. Vários
franceses estão cansados, descontentes, desiludidos
não só com o anti-semitismo como também
com a forma passiva que o governo enfrenta tão grave
situação. Outro ingrediente que nutre a vontade
de morar em Eretz Israel é a grande quantidade de
muçulmanos que moram atualmente em Paris. "Nem
tanto pela presença,
mas, sobretudo pelo fato de eles tirarem dinheiro do governo
francês sem de fato trabalharem me dá náusea",
me confidencia um dos lideres da União dos Estudantes
Judeus da Franca, UEJF.
·
Na véspera das comemorações do Dia D,
ocorreram diversas manifestações em
Paris, porém, não somente contra o presidente
norte-americano George W. Bush. No dia 5/6, 20 mil manifestantes
saíram as ruas, erguendo bandeiras contra a reforma
da previdência, contra a intervenção
americana no Iraque e, claro, diversos cartazes pró-Palestina.
·
No entanto, foi curioso observar a “Solidariedade no
Iraque", um grupo comunista iraquiano hostil à intervenção
americana, todavia que denuncia igualmente as atitudes condenáveis
dos muçulmanos de Moqtada al-Sadr. Além disso,
ele chamou a atenção por manifestar-se contra
Bush, Poutine e Chirac sem citar —pasmem — Ariel
Sharon e sem mencionar o Estado de Israel.
·
Foi igualmente possível estampar um sorriso no rosto
quando alguns militantes do Hezbollah foram impedidos de
subir no carro de som e logo em seguida expulsos do cortejo.
·
No dia 7/6 o Conselho de Paris aprovou, por unanimidade,
a adoção do nome de Theodor Herzl para uma
das ruas de Paris. A idéia de homenagear o fundador
do Sionismo, presente em Paris por ocasião do caso
Dreyfus partiu de dois conselheiros (vereadores) do partido
UMP, Jack-Yves Bohbot e Laurent Dominati. O presidente do
Partido Verde, Alain Riou, fez questão de registrar
que espera a mesma atitude do Conselho quanto ao futuro fundador
do Estado Palestino.
|