Por:Antonio
Carlos Coelho *
Passamos a primeira parte da Via Dolorosa
onde se encontram as primeiras estações da via sacra percorrida por
muitos cristãos que visitam Jerusalém. Chegamos
a uma rua transversal, a El Wad, onde há um bom café e
suco de laranja. Os cafés árabes, apesar de muito
simples e pouco inspiradores, servem um aromático café com
cardamomo. Jerusalém antiga não é só arquitetura,
lugares santos, vielas estreitas. O aroma e o ruído das
ruas são importantes para quem quer mergulhar no espírito
da Cidade. O aroma e o sabor do café são umas das
tantas lembranças que ficam para sempre.
Nesse encontro de ruas está a quarta estação.
Há uma igreja católica armênia para lembrar
o episódio do encontro de Jesus com a sua mãe.
Mais adiante, seguindo a Via Dolorosa que se dobra à esquerda
em uma forte subida, cercada de lojas típicas com muitas
quinquilharias em metal amarelo, tapetes, pratos, encontra-se
a quinta estação: Simão Cirineu ajuda Jesus
carregar a cruz. Neste local há uma capela franciscana
que recorda o fato do Evangelho. Logo adiante está a sexta
estação, onde uma igreja grega lembra o encontro
de Jesus com Verônica. Mais adiante está a sétima
estação marcada por uma igreja franciscana. Ali
há uma coluna de 7 metros de altura por 0,75 m de diâmetro
que provavelmente fazia parte do Cardo Maximus, rua central das
cidades bizantinas.
A trinta metros aproximadamente está a estação
seguinte: Jesus fala às filhas de Jerusalém. O
local é indicado por uma cruz colocada sobre o muro do
convento grego de S. Caralambos. Neste ponto a Via Dolorosa sofre
uma interrupção e só mais adiante se retoma
o possível antigo caminho. A nona estação:
Jesus cai pela terceira vez, está indicado por uma pequena
coluna ao lado da porta do convento copta que faz parte do complexo
do Santo Sepulcro. As estações seguintes estão
localizadas dentro da Basílica do Santo Sepulcro.
Há quem percorra o caminho da Via Dolorosa com muita piedade,
observando cada uma das estações, meditando sobre
cada passo de Jesus. Mas há aqueles que se perdem nas
lojas e nas compras de lembranças da Cidade. Isto se dá porque
os roteiros de peregrinação são muito apertados
e oferecem pouco tempo de permanência em Jerusalém
antiga que é, sem dúvida, um dos locais de visita
mais pitorescos da viagem a Israel; ou ainda se perdem, porque,
no fundo, não estão interessados em percorrer o
caminho da cruz.
As procissões de peregrinos cristãos são
muito freqüentes pelas ruas de Jerusalém. Alguns
vão em silêncio, carregam cruzes, recompondo simbolicamente
os passos de Jesus; outros cantam músicas tristes, lembrando
o sofrimento do caminho do Calvário.
* Antonio Carlos Coelho é professor e diretor do Instituto
Ciência e Fé.