Visão Judaica - Edição N° 25
:. Turismo: Jerusalém (12) - Bairro Cristão (3).:

Por:
Antonio Carlos Coelho *

Passamos a primeira parte da Via Dolorosa onde se encontram as primeiras estações da via sacra percorrida por muitos cristãos que visitam Jerusalém. Chegamos a uma rua transversal, a El Wad, onde há um bom café e suco de laranja. Os cafés árabes, apesar de muito simples e pouco inspiradores, servem um aromático café com cardamomo. Jerusalém antiga não é só arquitetura, lugares santos, vielas estreitas. O aroma e o ruído das ruas são importantes para quem quer mergulhar no espírito da Cidade. O aroma e o sabor do café são umas das tantas lembranças que ficam para sempre.
Nesse encontro de ruas está a quarta estação. Há uma igreja católica armênia para lembrar o episódio do encontro de Jesus com a sua mãe. Mais adiante, seguindo a Via Dolorosa que se dobra à esquerda em uma forte subida, cercada de lojas típicas com muitas quinquilharias em metal amarelo, tapetes, pratos, encontra-se a quinta estação: Simão Cirineu ajuda Jesus carregar a cruz. Neste local há uma capela franciscana que recorda o fato do Evangelho. Logo adiante está a sexta estação, onde uma igreja grega lembra o encontro de Jesus com Verônica. Mais adiante está a sétima estação marcada por uma igreja franciscana. Ali há uma coluna de 7 metros de altura por 0,75 m de diâmetro que provavelmente fazia parte do Cardo Maximus, rua central das cidades bizantinas.
A trinta metros aproximadamente está a estação seguinte: Jesus fala às filhas de Jerusalém. O local é indicado por uma cruz colocada sobre o muro do convento grego de S. Caralambos. Neste ponto a Via Dolorosa sofre uma interrupção e só mais adiante se retoma o possível antigo caminho. A nona estação: Jesus cai pela terceira vez, está indicado por uma pequena coluna ao lado da porta do convento copta que faz parte do complexo do Santo Sepulcro. As estações seguintes estão localizadas dentro da Basílica do Santo Sepulcro.
Há quem percorra o caminho da Via Dolorosa com muita piedade, observando cada uma das estações, meditando sobre cada passo de Jesus. Mas há aqueles que se perdem nas lojas e nas compras de lembranças da Cidade. Isto se dá porque os roteiros de peregrinação são muito apertados e oferecem pouco tempo de permanência em Jerusalém antiga que é, sem dúvida, um dos locais de visita mais pitorescos da viagem a Israel; ou ainda se perdem, porque, no fundo, não estão interessados em percorrer o caminho da cruz.
As procissões de peregrinos cristãos são muito freqüentes pelas ruas de Jerusalém. Alguns vão em silêncio, carregam cruzes, recompondo simbolicamente os passos de Jesus; outros cantam músicas tristes, lembrando o sofrimento do caminho do Calvário.

* Antonio Carlos Coelho é professor e diretor do Instituto Ciência e Fé.


 



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