Visão Judaica - Edição N° 25
:.O rabino que virou santo popular

 

Este mundo é mesmo curioso. Um projeto vencedor de um concurso de documentários para TV, do Ministério da Cultura e da TV Cultura do Pará, filmado em Manaus, Belém e outras cidades, e que se chama Eretz Amazônia (Terra da Amazônia, em hebraico) narra a história de um rabino que virou beato para os católicos.
Em Manaus, o documentário mostra o fato curioso: um rabino que virou santo popular católico. A história é do rabino Emannuel Muuyal, que por volta de 1900 deixou a Palestina para iniciar uma campanha de arrecadação de dinheiro para a escola de rabinos que ele mantinha na Terra Santa.
Muuyal foi ao Marrocos e soube que muita gente tinha vindo para a Amazônia fazer fortuna com a extração da borracha das seringueiras. O rabino, então, viajou ao Brasil e se estabeleceu em Manaus. Em 1908, Muuyal morreu, vítima de uma doença tropical. O corpo dele foi enterrado num cemitério no centro de Manaus porque não havia um cemitério judaico na capital do Amazonas. Não demorou muito, começaram a surgir placas de agradecimento de graças alcançadas.
Nos anos 40, a comunidade judaica fez um muro em torno do túmulo do rabino para separá-lo do cemitério cristão. O muro acabou virando um espaço a mais para as placas e bilhetes de agradecimentos de milagres. Por volta de 1978, um ministro do governo israelense de Menahem Beguin, sobrinho de Muuyal, enviou uma carta solicitando o translado dos restos mortais do rabino para Israel. A própria comunidade judaica se opôs e até hoje o túmulo do rabino continua em Manaus, cheio de velas e cercado de relatos de milagres atribuídos a ele.
O Documentário Eretz Amazônia vai estrear o Circuito Nacional do DocTV no dia 26 de junho, às 21 horas pela Rede Pública de TV, a RPTV. O documentário paraense é o primeiro dos 26 documentários produzidos pelo I Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro a ir ao ar. Eretz Amazônia terá pré-lançamento dentro do I Festival de Cinema de Belém. A decisão de colocar o documentário paraense como o primeiro da lista foi tomada na II Oficina de Planejamento do DocTV, que aconteceu nos dias 22 e 23 em São Paulo.
O documentário do Pará conta uma história que pouca gente conhece: a saga dos judeus que, no começo do século 19 e ao longo de mais de 150 anos, deixam o norte da África para viver no norte do Brasil. Em algum momento na história de um povo perseguido, a Amazônia se tornou a eretz, a terra da promissão. É essa aventura que o documentário conta com depoimentos e reconstituições de época.
A base histórica do documentário é o livro Eretz Amazônia, do pesquisador amazonense Samuel Benchimol, que no final dos anos 80 e início dos anos 90, fez um levantamento completo das famílias judaicas que se estabeleceram na Amazônia. A pesquisa de Benchimol têm agora uma continuidade acadêmica. O antropólogo Wagner Lins, um dos autores do roteiro do documentário faz pós-graduação na Universidade de São Paulo sobre a história dos judeus no norte do Brasil. O documentário foi gravado em dois meses em sete cidades do Pará e do Amazonas, incluindo as capitais Belém e Manaus, onde hoje se concentra a maioria das famílias de origem judaica na região. A equipe passou por Itacoatiara e Parintins (AM), Óbidos, Santarém e Cametá (PA). Para se ter uma idéia do volume de imigração, Cametá, no baixo Tocatins, chegou a ter uma comunidade de mais de 7 mil judeus no final do século 19.
A história completa do documentário que narra a vida judeus na Amazônia (Eretz Amazônia) pode ser lida na internet, no seguinte link: http://www.conib.org.br/noticias/amaz2.html


 

 

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