Por: Daniel Benjamin Barenbein
Entre os tantos comentários recheados de sabedoria do Rav Menachem
Diesendruck, z’l, está um publicado em seu livro “Sermões”,
onde ele diz algo que o jornalista Alberto Dines reproduziria também
no prefácio da edição especial da Revista Shalom de
alguns anos atrás sobre o Holocausto: não há tributo
maior que Hitler (Imach Shemo – que o seu nome seja apagado) poderia
ter nos dado do que nos escolher como suas vítimas. Não que
isso seja bom, não que desejássemos isso (D-us nos livre),
não que se pudéssemos ter evitado a tragédia não
deveríamos tê-lo feito. Nada disso. Mas sim que se existe algo
positivo da calamidade é o fato de que ao decidir que seriamos seus
piores inimigos, Hitler mandou o recado de que éramos (e somos) o
absoluto oposto do que ele pregava.
O povo judeu é aquele que desde os primórdios da humanidade
manda o recado de que antes do po0der existe uma moralidade; existe uma ética
e valores a serem cultivados e cultuados. Hoje o povo judeu sofre por querer
implementar a única democracia do Oriente Médio. Por querer
dar direitos iguais as minorias e não discriminar mulheres e homossexuais.
Por ter uma imprensa livre. Por lutar pela paz e pelo desenvolvimento da
região. Por ser diferente. Por ser o judeu entre as nações.
Novamente são nossos inimigos que fazem os maiores elogios ao nosso
povo: O sheik Nasralla, líder do grupo terrorista Hezbollah, em uma
entrevista há pouco tempo declarou que considerava a guerra do martírio
como a melhor arma contra os sionistas, pois atacava os judeus em seu ponto
mais sensível, afinal “os judeus são o povo que mais
valoriza a vida”. Se este é o preço que temos de pagar
para ver a vontade de D-’us e realizar a missão que Ele nos
designou neste mundo, ver sua Moral e Ética espalhadas no mundo, então
valeu a pena. É um preço pequeno até.
Valeu a pena esperar dois mil anos de angústias e sofrimentos para
mostrar o quão valoroso, persistente e digno é este povo que
mesmo após todos estes percalços retorna a sua terra ancestral
e reconstrói sua nação, com base em sua cultura e filosofia,
refloresce sua língua original, o hebraico, e traz para casa seus
cativos espalhados por mais de 72 nações.
Valeu a pena enfrentar dificuldades e duras batalhas para poder construir
universidades em Jerusalém, Tel Aviv e Haifa e continuar a contribuir
para o desenvolvimento do mundo com o gênio criativo judaico. Valeu
a pena enfrentar a desconfiança do mundo e trazer incontáveis
avanços na área de medicina, high tech, arqueologia, cultura,
filosofia, física e agronomia. Valeu a pena esperar tanto para ver
as profecias do Talmud se concretizarem e o deserto florescer e dar colheita
(literalmente e não apenas poeticamente como imaginávamos até então).
Nada poderia ser mais emblemático neste sentido, do que Iom Haazmaut
(o Dia da Independência) vir na seqüência do Iom Hazicaron
(Dia de Lembrança dos Soldados que Caíram nas Batalhas por
Israel). Todos estes bravos heróis que deram sua vida por esta nação
tinham um ideal: brigar pelo futuro de seus filhos e netos. Garantir que
sejam homens livres em uma terra livre, a sua terra. Fazer deste um mundo
mais justo. Impedir um novo Holocausto. Todos eles tinham uma meta definida
e que pode ser resumida na palavra Haazmaut: a independência.
Sim. Como disse Ariel Sharon, primeiro ministro de Israel, hoje os judeus
são independentes e livres. Hoje os judeus não dependem de
ninguém para se defender. Hoje os judeus não precisam implorar
ajuda ao mundo. Hoje os judeus têm uma vida normalizada e uma nação.
Hoje os judeus defendem a si próprios e ao seu país. Hoje,
o povo judeu é um povo livre. Tudo graças ao Exército
de Defesa de Israel, o Tsahal, a persistência do povo judeu em sobreviver
e a Kadosh Baruch Hu (O Santo Bendito Seja Ele). Se não fosse por
estes fatores não teríamos Israel. E se não tivéssemos
Israel, posso garantir-lhe caro leitor que provavelmente já não
estaríamos aqui para escrever estas linhas agora (se o anti-semitismo
já está em níveis elevadíssimos com a existência
de Israel, imagine sem).
E quem forma o exército de Israel senão um punhado de quase
crianças, recém-saídos da escola, com seus 18, 19, 20
anos...? Jovens que provavelmente gostariam de estar indo à balada
e namorando, e não servindo em lugares “aprazíveis” como
Ramallah e Beit Hanoun. E, no entanto, eles têm a consciência
do seu dever, e sabem porque estão ali. São nossa honra e nosso
bem mais precioso. Como dizia o Rebbe de Lubavitch, z’l: “Todos
os nossos soldados caídos em batalha são Kidushim Hashem (Santificados
em Nome de D-us) que deram sua vida pela Terra e pelo povo de Israel. Estão
no lugar mais elevado do Mundo Vindouro, junto àa Presença
Divina e aos grandes tsadikim (justos) de todos os tempos”. Semana
passada estiveram no Brasil realizando uma série de palestras em várias
cidades três universitários israelenses (dois homens e uma mulher)
membros da organização americana “Israel At Heart”.
Falaram sobre o dia-a-dia do país, universidade, terrorismo e é claro,
exército. E neste último item descreveram seus vários
dilemas diários: parar uma ambulância palestina ou não
nos postos de controle? Prender um terrorista diante da família, e
tantas outras dúvidas e confusões que os perseguem a cada minuto
de serviço militar. Dilemas que fazem com que nós possamos
repetir com ainda mais vigor: valeu a pena. Apesar de tudo que Israel sofre,
e das inúmeras tentativas de paz e de acordo inúteis e que
em nada resultaram, ainda assim não nos rendemos a tentações
baixas de exterminar indiscriminadamente palestinos ou dificultar sua vida
de propósito. Nossos soldados não são cumpridores de
ordens como era o exército nazista e tampouco são robôs
sem consciência. São jovens heróis dignos que tem dilemas
de consciência, humanos, que sofrem, mas sabem no final do dia que
o que fizeram foi o mais correto para salvaguardar sua família e seu
povo, ao mesmo tempo em que evitam ao máximo (por conta dos dilemas)
prejudicar desnecessariamente o outro lado. Como já dizia Renato Russo,
z’l, e o Legião Urbana: “Ter Bondade é Ter Coragem”.
Israel sofre hoje uma das piores campanhas de difamação da
história do mundo. Calúnias, mentiras, distorções,
libelos que deixariam Goebbels (Imach Shemo), de cabelo em pé. Hoje
os Protocolos dos Sábios de Sião é o best-seller mais
vendido na Síria e na Judéia, Samária e Gaza, nas cidades árabes.
Os cidadãos dos países árabes, muçulmanos, estão
consumindo “A Paixão” de Gibson apenas por se tratar de
um filme anti-semita. Os jornais e a mídia do mundo, bem como grande
parte da ala esquerda da política e a extrema-direita se alinham automaticamente
contra os judeus e Israel. A ONU solta inúmeras resoluções
contra Israel e nenhuma condenação aos homens-bomba palestinos.
Na conferência de Durban, feita para discutir problemas tão
importantes e críticos da humanidade, como racismo, o plenário
se tornou palco de uma baixaria e da desvirtuação de seus fins
pelos países árabes para se tornar uma reunião discriminatória
que equalizou sionismo ao racismo. Vergonhoso. Como já dizia Martin
Luther King, z’l: “Não existe anti-sionismo. Existe anti-semitismo.
Quem nega o direito de autodeterminação de um povo em sua terra
natal e sua pátria ancestral, está na verdade negando o seu
direito de existência”.
E mesmo, e apesar de tudo isso, vale a pena. E porque vale a pena? Pela resposta
de Israel. Enquanto boa parte do mundo mais uma vez vira as costas à nação
judaica, Israel responde estendendo o braço: oferecendo ajuda humanitária
a quem precisa nos conflitos da Somália, do Sudão e de Serra
Leoa. Envia hospitais de campo para vítimas de terremotos no México,
Japão e até no Irã (que recusou a ajuda), além
de ajudar a ensinar técnicas de cultivo no deserto para regiões áridas
como o norte da África ou o nordeste do Brasil. Israel realiza conferências
e seminários com professores do mundo todo no Yad Vashem ensinando
as lições do Holocausto e até onde a discriminação
pode levar. Israel é o país que tem o maior índice de
artigos científicos publicados por cabeça, e em 56 anos criou
a 12ª potência econômica mundial, um feito extraordinário
e sem comparação com qualquer outro na história do mundo.
Já foi dito uma vez que o que atinge os judeus primeiro acaba por
atingir todo o mundo depois. Assim foi com os romanos, as cruzadas, o nazismo
e hoje é com o terrorismo. Parece que o mundo teima em não
aprender a lição, e só se arrepende quando é tarde
demais. Mas desta vez o canário não vai se deixar ser morto
pela salvaguarda dos operários (vide texto de Pilar Rahola: “A
Rebelião dos Canários”). Desta vez, Israel, nação
soberana e livre está disposta a tudo para defender sua democracia,
seus valores, seus cidadãos, e o povo judeu em todo o mundo. E é por
isso que vale a pena. E finalmente vale a pena porque este é o principio
da redenção. Porque somente quando Jerusalém tiver paz,
o mundo estará em paz, conforme dizem nossos profetas, aceitos por
todas as grandes religiões do mundo. Com o restabelecimento dos judeus
em sua terra e com a restituição de nossa capital eterna, Jerusalém,
nossa fé na redenção, e na liberdade para nós
e para toda a humanidade está mais do que nuca renovada. E é por
tudo isso que vale a pena. Orgulho de ser judeu e sionista hoje e sempre.
Shalom Moadim Lê Simcha Lê Geulat Shlema.
* Daniel Benjamin Barenbein é jornalista e publicou este artigo em
30/4/2004 em Mídia Sem Máscara (www.midiasemmascara.com.br)