Visão Judaica - Edição N° 25
:. Israel 56 anos .:

 

Por: Daniel Benjamin Barenbein

Entre os tantos comentários recheados de sabedoria do Rav Menachem Diesendruck, z’l, está um publicado em seu livro “Sermões”, onde ele diz algo que o jornalista Alberto Dines reproduziria também no prefácio da edição especial da Revista Shalom de alguns anos atrás sobre o Holocausto: não há tributo maior que Hitler (Imach Shemo – que o seu nome seja apagado) poderia ter nos dado do que nos escolher como suas vítimas. Não que isso seja bom, não que desejássemos isso (D-us nos livre), não que se pudéssemos ter evitado a tragédia não deveríamos tê-lo feito. Nada disso. Mas sim que se existe algo positivo da calamidade é o fato de que ao decidir que seriamos seus piores inimigos, Hitler mandou o recado de que éramos (e somos) o absoluto oposto do que ele pregava.
O povo judeu é aquele que desde os primórdios da humanidade manda o recado de que antes do po0der existe uma moralidade; existe uma ética e valores a serem cultivados e cultuados. Hoje o povo judeu sofre por querer implementar a única democracia do Oriente Médio. Por querer dar direitos iguais as minorias e não discriminar mulheres e homossexuais. Por ter uma imprensa livre. Por lutar pela paz e pelo desenvolvimento da região. Por ser diferente. Por ser o judeu entre as nações. Novamente são nossos inimigos que fazem os maiores elogios ao nosso povo: O sheik Nasralla, líder do grupo terrorista Hezbollah, em uma entrevista há pouco tempo declarou que considerava a guerra do martírio como a melhor arma contra os sionistas, pois atacava os judeus em seu ponto mais sensível, afinal “os judeus são o povo que mais valoriza a vida”. Se este é o preço que temos de pagar para ver a vontade de D-’us e realizar a missão que Ele nos designou neste mundo, ver sua Moral e Ética espalhadas no mundo, então valeu a pena. É um preço pequeno até.
Valeu a pena esperar dois mil anos de angústias e sofrimentos para mostrar o quão valoroso, persistente e digno é este povo que mesmo após todos estes percalços retorna a sua terra ancestral e reconstrói sua nação, com base em sua cultura e filosofia, refloresce sua língua original, o hebraico, e traz para casa seus cativos espalhados por mais de 72 nações.
Valeu a pena enfrentar dificuldades e duras batalhas para poder construir universidades em Jerusalém, Tel Aviv e Haifa e continuar a contribuir para o desenvolvimento do mundo com o gênio criativo judaico. Valeu a pena enfrentar a desconfiança do mundo e trazer incontáveis avanços na área de medicina, high tech, arqueologia, cultura, filosofia, física e agronomia. Valeu a pena esperar tanto para ver as profecias do Talmud se concretizarem e o deserto florescer e dar colheita (literalmente e não apenas poeticamente como imaginávamos até então).
Nada poderia ser mais emblemático neste sentido, do que Iom Haazmaut (o Dia da Independência) vir na seqüência do Iom Hazicaron (Dia de Lembrança dos Soldados que Caíram nas Batalhas por Israel). Todos estes bravos heróis que deram sua vida por esta nação tinham um ideal: brigar pelo futuro de seus filhos e netos. Garantir que sejam homens livres em uma terra livre, a sua terra. Fazer deste um mundo mais justo. Impedir um novo Holocausto. Todos eles tinham uma meta definida e que pode ser resumida na palavra Haazmaut: a independência.
Sim. Como disse Ariel Sharon, primeiro ministro de Israel, hoje os judeus são independentes e livres. Hoje os judeus não dependem de ninguém para se defender. Hoje os judeus não precisam implorar ajuda ao mundo. Hoje os judeus têm uma vida normalizada e uma nação. Hoje os judeus defendem a si próprios e ao seu país. Hoje, o povo judeu é um povo livre. Tudo graças ao Exército de Defesa de Israel, o Tsahal, a persistência do povo judeu em sobreviver e a Kadosh Baruch Hu (O Santo Bendito Seja Ele). Se não fosse por estes fatores não teríamos Israel. E se não tivéssemos Israel, posso garantir-lhe caro leitor que provavelmente já não estaríamos aqui para escrever estas linhas agora (se o anti-semitismo já está em níveis elevadíssimos com a existência de Israel, imagine sem).
E quem forma o exército de Israel senão um punhado de quase crianças, recém-saídos da escola, com seus 18, 19, 20 anos...? Jovens que provavelmente gostariam de estar indo à balada e namorando, e não servindo em lugares “aprazíveis” como Ramallah e Beit Hanoun. E, no entanto, eles têm a consciência do seu dever, e sabem porque estão ali. São nossa honra e nosso bem mais precioso. Como dizia o Rebbe de Lubavitch, z’l: “Todos os nossos soldados caídos em batalha são Kidushim Hashem (Santificados em Nome de D-us) que deram sua vida pela Terra e pelo povo de Israel. Estão no lugar mais elevado do Mundo Vindouro, junto àa Presença Divina e aos grandes tsadikim (justos) de todos os tempos”. Semana passada estiveram no Brasil realizando uma série de palestras em várias cidades três universitários israelenses (dois homens e uma mulher) membros da organização americana “Israel At Heart”. Falaram sobre o dia-a-dia do país, universidade, terrorismo e é claro, exército. E neste último item descreveram seus vários dilemas diários: parar uma ambulância palestina ou não nos postos de controle? Prender um terrorista diante da família, e tantas outras dúvidas e confusões que os perseguem a cada minuto de serviço militar. Dilemas que fazem com que nós possamos repetir com ainda mais vigor: valeu a pena. Apesar de tudo que Israel sofre, e das inúmeras tentativas de paz e de acordo inúteis e que em nada resultaram, ainda assim não nos rendemos a tentações baixas de exterminar indiscriminadamente palestinos ou dificultar sua vida de propósito. Nossos soldados não são cumpridores de ordens como era o exército nazista e tampouco são robôs sem consciência. São jovens heróis dignos que tem dilemas de consciência, humanos, que sofrem, mas sabem no final do dia que o que fizeram foi o mais correto para salvaguardar sua família e seu povo, ao mesmo tempo em que evitam ao máximo (por conta dos dilemas) prejudicar desnecessariamente o outro lado. Como já dizia Renato Russo, z’l, e o Legião Urbana: “Ter Bondade é Ter Coragem”.
Israel sofre hoje uma das piores campanhas de difamação da história do mundo. Calúnias, mentiras, distorções, libelos que deixariam Goebbels (Imach Shemo), de cabelo em pé. Hoje os Protocolos dos Sábios de Sião é o best-seller mais vendido na Síria e na Judéia, Samária e Gaza, nas cidades árabes. Os cidadãos dos países árabes, muçulmanos, estão consumindo “A Paixão” de Gibson apenas por se tratar de um filme anti-semita. Os jornais e a mídia do mundo, bem como grande parte da ala esquerda da política e a extrema-direita se alinham automaticamente contra os judeus e Israel. A ONU solta inúmeras resoluções contra Israel e nenhuma condenação aos homens-bomba palestinos. Na conferência de Durban, feita para discutir problemas tão importantes e críticos da humanidade, como racismo, o plenário se tornou palco de uma baixaria e da desvirtuação de seus fins pelos países árabes para se tornar uma reunião discriminatória que equalizou sionismo ao racismo. Vergonhoso. Como já dizia Martin Luther King, z’l: “Não existe anti-sionismo. Existe anti-semitismo. Quem nega o direito de autodeterminação de um povo em sua terra natal e sua pátria ancestral, está na verdade negando o seu direito de existência”.
E mesmo, e apesar de tudo isso, vale a pena. E porque vale a pena? Pela resposta de Israel. Enquanto boa parte do mundo mais uma vez vira as costas à nação judaica, Israel responde estendendo o braço: oferecendo ajuda humanitária a quem precisa nos conflitos da Somália, do Sudão e de Serra Leoa. Envia hospitais de campo para vítimas de terremotos no México, Japão e até no Irã (que recusou a ajuda), além de ajudar a ensinar técnicas de cultivo no deserto para regiões áridas como o norte da África ou o nordeste do Brasil. Israel realiza conferências e seminários com professores do mundo todo no Yad Vashem ensinando as lições do Holocausto e até onde a discriminação pode levar. Israel é o país que tem o maior índice de artigos científicos publicados por cabeça, e em 56 anos criou a 12ª potência econômica mundial, um feito extraordinário e sem comparação com qualquer outro na história do mundo.
Já foi dito uma vez que o que atinge os judeus primeiro acaba por atingir todo o mundo depois. Assim foi com os romanos, as cruzadas, o nazismo e hoje é com o terrorismo. Parece que o mundo teima em não aprender a lição, e só se arrepende quando é tarde demais. Mas desta vez o canário não vai se deixar ser morto pela salvaguarda dos operários (vide texto de Pilar Rahola: “A Rebelião dos Canários”). Desta vez, Israel, nação soberana e livre está disposta a tudo para defender sua democracia, seus valores, seus cidadãos, e o povo judeu em todo o mundo. E é por isso que vale a pena. E finalmente vale a pena porque este é o principio da redenção. Porque somente quando Jerusalém tiver paz, o mundo estará em paz, conforme dizem nossos profetas, aceitos por todas as grandes religiões do mundo. Com o restabelecimento dos judeus em sua terra e com a restituição de nossa capital eterna, Jerusalém, nossa fé na redenção, e na liberdade para nós e para toda a humanidade está mais do que nuca renovada. E é por tudo isso que vale a pena. Orgulho de ser judeu e sionista hoje e sempre. Shalom Moadim Lê Simcha Lê Geulat Shlema.

* Daniel Benjamin Barenbein é jornalista e publicou este artigo em 30/4/2004 em Mídia Sem Máscara (www.midiasemmascara.com.br)


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