Por: Luiz
Nazário*
Como se já não bastasse a judeofobia tupiniquim
para envenenar, no Brasil, o debate racional sobre as causas
históricas do conflito no Oriente Médio e a busca
de soluções políticas para o mesmo, a
revista eletrônica Carta Maior acaba de importar a judeofobia
lusa: no artigo ‘O coração da Matéria`
(2/6/2004)’, o professor de economia Boaventura de Sousa
Santos, da Universidade de Coimbra, prega a velha medida nazista
de boicote aos judeus sob a forma atualizada e pós-moderna
do boicote ao Estado judeu.
Para apresentar a medida neo-hitlerista como libertária
e progressista, o catedrático português, à maneira
de Saramago, inverte a realidade, qualificando o único
Estado democrático do Oriente Médio, onde os árabes
têm livre acesso à Justiça, ao Parlamento, à Universidade,
etc. como regime de campos de concentração, de
limpeza étnica e de apartheid.
Naturalmente, ele tem o cuidado de omitir de sua análise
a judeofobia européia que presenteou a humanidade com
o crime máximo do Holocausto; a recusa dos árabes
em aceitar um Estado para os árabes palestinos ao lado
do Estado judeu; as diversas guerras movidas pelos Estados árabes
contra esse jovem Estado; a limpeza étnica de milhares
de judeus orientais expulsos dos países árabes
onde viviam há séculos; as ações
racistas e genocidas do terrorismo islâmico, que vem
vitimando centenas de civis na terra ancestral dos judeus.
A ordem superior recebida pelo escriba é a de reduzir
o conflito a um ritualístico “massacre” de
palestinos pobres e oprimidos por israelenses colonialistas
e opressores. Mas para os que pensam por si mesmos e assim
resistem à nova judeofobia, a leitura do artigo desse
neo-Saramago causa asco. Não pensem os fascistas de
hoje, que tentam dignificar seus instintos assassinos com a
bandeira da “nobre causa palestina”, que estão
conseguindo enganar a todos. No futuro, nossa época
será vista como a era do terror em massa servido pela
propaganda de milhares de medíocres universitários
que preparavam, com seus discursos infectos, um Segundo Holocausto.
Os novos fascistas hoje se mascaram de “intelectuais
esclarecidos” para continuar a perseguir o sonho bestial
da igualdade, tão rapidamente desintegrado na prática,
mas sempre vivo na teoria. Em seu sadismo característico,
eles se apóiam em “fontes e interpretações
judaicas” para pregar a destruição dos
judeus, eximindo-se de qualquer retrógrado anti-semitismo.
Fica, contudo, patente, a cada nova peça de propaganda,
que os fascistas de hoje encontraram, no Estado de Israel,
a imagem magnificada do “judeu malvado” que os
perseguia no íntimo, gravada que fora em suas mentes
ainda infantis por um sistema educacional deformado por séculos
de anti-semitismo.
Tendo suas mentes turvas subitamente esclarecidas pela Segunda
Intifada, os novos fascistas podem alardear com orgulho sua
judeofobia convertida em nobre causa progressista: eles não
hesitam mais em comparar o Estado judeu ao que há de
mais odioso na face da Terra, um Estado que, por sua mera existência,
merece ser estigmatizado, condenado, boicotado, isolado e,
finalmente, destruído.
Hoje o lar judeu é chamado de “Nazisrael” por
José Arbex e por “Israelixo” pelos neonazistas;
extremistas de esquerda e de direita abraçam a mesma
causa, apoiados por inúmeras resoluções
da ONU, tão tímida quando se trata de condenar
o terrorismo islâmico ou a limpeza étnica no Sudão.
Vivemos a formação de um novo fascismo global,
e os agentes desse novo fascismo desejam esquecer o Holocausto
para conquistar uma boa consciência enquanto preparam
um novo Holocausto.
Disfarçados de progressistas, assumem o papel de cavaleiros
da esperança, abandonado pelas esquerdas, tão
desnorteadas com a ruína da URSS, a queda do Muro de
Berlim, a desintegração do comunismo do Leste
europeu, a ocidentalização da China e o lento
apodrecimento de Cuba.
Para os órfãos de Mussolini, Salazar, Franco,
Hitler, Stalin, Tito, Hoenecker, Ceaucescu, Hoxha, Mao e Pol
Pot, que ainda se agarram às camisetas de Che Guevara
e às barbas brancas de Fidel Castro, antevendo o Declínio
do Império Americano, o totalitarismo islâmico
representa a última esperança dos famélicos
da Terra. Basta! O Holocausto não justifica tudo, mas
justifica Israel, e sua luta para sobreviver num mundo cada
vez mais intoxicado pela propaganda dos novos fascistas globais
que, por não poderem tolerar a existência de um
povo diferente, reivindicam todo poder à ONU enquanto única
força capaz de impor ao Estado judeu um regime mundial
de apartheid, para facilitar seu extermínio prometido
em tantos documentos pelos fanáticos da causa palestina.
* Luiz Nazário é professor da Universidade
Federal de Minas Gerais