Visão Judaica - Edição N° 25
:. A marcha do fascismo global .:

Por: Luiz Nazário*

Como se já não bastasse a judeofobia tupiniquim para envenenar, no Brasil, o debate racional sobre as causas históricas do conflito no Oriente Médio e a busca de soluções políticas para o mesmo, a revista eletrônica Carta Maior acaba de importar a judeofobia lusa: no artigo ‘O coração da Matéria` (2/6/2004)’, o professor de economia Boaventura de Sousa Santos, da Universidade de Coimbra, prega a velha medida nazista de boicote aos judeus sob a forma atualizada e pós-moderna do boicote ao Estado judeu.
Para apresentar a medida neo-hitlerista como libertária e progressista, o catedrático português, à maneira de Saramago, inverte a realidade, qualificando o único Estado democrático do Oriente Médio, onde os árabes têm livre acesso à Justiça, ao Parlamento, à Universidade, etc. como regime de campos de concentração, de limpeza étnica e de apartheid.
Naturalmente, ele tem o cuidado de omitir de sua análise a judeofobia européia que presenteou a humanidade com o crime máximo do Holocausto; a recusa dos árabes em aceitar um Estado para os árabes palestinos ao lado do Estado judeu; as diversas guerras movidas pelos Estados árabes contra esse jovem Estado; a limpeza étnica de milhares de judeus orientais expulsos dos países árabes onde viviam há séculos; as ações racistas e genocidas do terrorismo islâmico, que vem vitimando centenas de civis na terra ancestral dos judeus.
A ordem superior recebida pelo escriba é a de reduzir o conflito a um ritualístico “massacre” de palestinos pobres e oprimidos por israelenses colonialistas e opressores. Mas para os que pensam por si mesmos e assim resistem à nova judeofobia, a leitura do artigo desse neo-Saramago causa asco. Não pensem os fascistas de hoje, que tentam dignificar seus instintos assassinos com a bandeira da “nobre causa palestina”, que estão conseguindo enganar a todos. No futuro, nossa época será vista como a era do terror em massa servido pela propaganda de milhares de medíocres universitários que preparavam, com seus discursos infectos, um Segundo Holocausto.
Os novos fascistas hoje se mascaram de “intelectuais esclarecidos” para continuar a perseguir o sonho bestial da igualdade, tão rapidamente desintegrado na prática, mas sempre vivo na teoria. Em seu sadismo característico, eles se apóiam em “fontes e interpretações judaicas” para pregar a destruição dos judeus, eximindo-se de qualquer retrógrado anti-semitismo. Fica, contudo, patente, a cada nova peça de propaganda, que os fascistas de hoje encontraram, no Estado de Israel, a imagem magnificada do “judeu malvado” que os perseguia no íntimo, gravada que fora em suas mentes ainda infantis por um sistema educacional deformado por séculos de anti-semitismo.
Tendo suas mentes turvas subitamente esclarecidas pela Segunda Intifada, os novos fascistas podem alardear com orgulho sua judeofobia convertida em nobre causa progressista: eles não hesitam mais em comparar o Estado judeu ao que há de mais odioso na face da Terra, um Estado que, por sua mera existência, merece ser estigmatizado, condenado, boicotado, isolado e, finalmente, destruído.
Hoje o lar judeu é chamado de “Nazisrael” por José Arbex e por “Israelixo” pelos neonazistas; extremistas de esquerda e de direita abraçam a mesma causa, apoiados por inúmeras resoluções da ONU, tão tímida quando se trata de condenar o terrorismo islâmico ou a limpeza étnica no Sudão. Vivemos a formação de um novo fascismo global, e os agentes desse novo fascismo desejam esquecer o Holocausto para conquistar uma boa consciência enquanto preparam um novo Holocausto.
Disfarçados de progressistas, assumem o papel de cavaleiros da esperança, abandonado pelas esquerdas, tão desnorteadas com a ruína da URSS, a queda do Muro de Berlim, a desintegração do comunismo do Leste europeu, a ocidentalização da China e o lento apodrecimento de Cuba.
Para os órfãos de Mussolini, Salazar, Franco, Hitler, Stalin, Tito, Hoenecker, Ceaucescu, Hoxha, Mao e Pol Pot, que ainda se agarram às camisetas de Che Guevara e às barbas brancas de Fidel Castro, antevendo o Declínio do Império Americano, o totalitarismo islâmico representa a última esperança dos famélicos da Terra. Basta! O Holocausto não justifica tudo, mas justifica Israel, e sua luta para sobreviver num mundo cada vez mais intoxicado pela propaganda dos novos fascistas globais que, por não poderem tolerar a existência de um povo diferente, reivindicam todo poder à ONU enquanto única força capaz de impor ao Estado judeu um regime mundial de apartheid, para facilitar seu extermínio prometido em tantos documentos pelos fanáticos da causa palestina.

* Luiz Nazário é professor da Universidade Federal de Minas Gerais



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