Visão Judaica - Edição N° 25
:. Curitiba ouviu Pilar Rahola falar sobre mitos e verdades.:

Apesar do frio, a comunidade judaica de Curitiba e seus convidados, entre eles o cônsul da Espanha em Curitiba e delegado no Paraná da Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil, Saturnino Hernando Gordo, foram ao Centro Israelita do Paraná (CIP) no dia 20/5 ouvir as palestras proferidas pela jornalista, escritora, pensadora e ex-deputada do Congresso espanhol Pilar Rahola. O público presente lotou os auditórios do clube por duas vezes: uma para quase uma centena jovens e a outra no grande auditório, mais completa e concisa, com quase o dobro daquela audiência. A palestrante impressionou pela lucidez e clareza de raciocínio, e pela coragem de enfrentar tema tão difícil, com tanto conhecimento.
A presença de Pilar Rahola em Curitiba foi possível graças ao empenho e aos esforços da diretoria do Fundo Comunitário e colaboraram para o sucesso do evento a Kehilá e o jornal Visão Judaica. Foi, sem dúvida alguma, uma bela oportunidade de ouvir com profundidade alguém que conhece a fundo o tema do anti-semitismo, proporcionando aos ouvintes muita reflexão e aprendizado.
Foi também uma noite memorável, pois a escritora, jornalista e política espanhola Pilar Rahola, com determinação e coragem, expôs a questão dos Mitos e Verdades sobre o que tem sido dito, escrito e propagado acerca dos judeus, de Israel e do povo palestino e seus representantes.
A problemática atual do mundo judaico, parte, segundo Pilar, de quatro conceitos básicos: o anti-semitismo crescente, o fundamentalismo islâmico, a demonização de Israel e a manipulação da informação. “Com essa situação, sinto-me no dever moral de me converter à causa judaica. Uma delas é o que se refere às atitudes da imprensa. Ninguém fala das mortes dos soldados israelenses, apenas dos palestinos indefesos. Se, por acaso, são citadas, eles apenas morrem, não são assassinados. Mas, ao contrário, os soldados israelenses matam. Da mesma maneira, quando um jovem terrorista acorda de manhã, reza a seu D-us, despede-se de sua mãe e, ao chegar em um ônibus lotado de crianças, idosos, trabalhadores, cidadãos comuns, decide explodir uma bomba, a manchete do dia seguinte nos jornais será: ‘Jovem resistente se explode em Tel Aviv’, não “Terrorista enlouquecido mata 40 pessoas em Tel Aviv”. Quanto a ONU, Pilar se referiu a ela como sendo “um circo”. É dominada por países árabes e islâmicos e teve a Líbia na direção de sua Comissão dos Direitos Humanos.
Para facilitar a compreensão de algumas de suas idéias usaremos um esquema de Mitos e Realidades, com o qual ela nos elucidou em sua apresentação:
Mito: O povo palestino é milenar. Os judeus europeus tiraram a sua terra.
Realidade: O conceito palestino nasce na Jordânia. Tem, na verdade, poucas décadas de existência.
Mito: Israel não quer a paz.
Realidade: Nunca, nenhum Estado, correu tanto atrás da paz como Israel vem fazendo.
Mito: O povo palestino se defende como pode do inimigo rico, poderoso e belicista, que é Israel. Existe um certo “imperialismo sionista”, o que torna esse mito, talvez, mais poderoso.
Realidade: Todos os meses, chega à Palestina, dinheiro do mundo árabe, da Unesco, da Onu, da Unicef, dos Estados Unidos e da União Européia. Se existe pobreza dentro da população palestina a culpa é dos seus governantes e não de Israel.
Mito: Todos os males do mundo são culpa de Ariel Sharon. O Primeiro Ministro de Israel virou ícone do mal em toda a imprensa européia.
Realidade: Quantos governantes Israel já teve? A democracia faz parte de Israel, enquanto Yasser Arafat é um mito da resistência. “Poucos líderes têm tanto sangue e corrupção em sua carreira”.
Mito: Israel só quer saber de matar palestinos.
Realidade: Ninguém matou mais palestinos do que o próprio mundo árabe.
Mito: Israel é o inimigo da causa palestina.
Realidade: “Atrevo-me a dizer que o único amigo da causa palestina é a democracia israelense“.
Mito: A culpa dos ataques terroristas no mundo é de Israel.
Realidade: Não existe uma organização fundamentalista que fale na construção de um estado palestino. Todos os documentos falam somente na destruição de Israel, o que, definitivamente não é a mesma coisa. A causa palestina é uma desculpa para a destruição do Estado de Israel. “O Estado de Israel é o único país do mundo que tem que pedir perdão por existir e, apesar disto, Israel é o único país do mundo que acumulou um direito moral à sua existência. Parece-me, no entanto, que a própria história acumulou razões para a existência de Israel. Comparar a ação de Israel ao nazismo é uma forma de minimização do Holocausto”.
Mito: Os judeus dominam o mundo.
Realidade: É incompreensível que um povo que tenha se dedicado tanto em diversos campos como medicina, física, química, história, letras, quantos prêmios Nobel, só seja considerado culpado. “Os palestinos dizem que os judeus têm idéias obscuras, mas eles (palestinos) não sabem quais são. Engraçado isso”.
Mito: Se acabarmos com o problema dos palestinos, acabamos com o problema do terrorismo.
Realidade: É exatamente o contrário: se não acabarmos com o terrorismo, não vamos acabar com os problemas dos palestinos. A paz está nas mãos de todos os líderes do Oriente Médio. Apenas quando todos eles a quiserem, ela chegará. “Hoje, a causa palestina está seqüestrada pelos interesses sírios, iranianos e líbios.
Mito: A Europa se preocupa com os palestinos, os Estados Unidos não.
Realidade: A Europa minimiza o terrorismo. “È um antiamericanismo patológico”. Não fazem nada pela paz e ainda a afasta quando transforma líderes árabes em libertadores.
Pilar chamou a atenção para o recado que o presidente Lula da Silva deu aos brasileiros e ao mundo quando visitou três ditaduras do Oriente Médio, e não visitou a única democracia da região: Israel. Visitou Síria e Líbia que patrocinam o terrorismo, que pagam os treinamentos do Hezbollah para que terroristas explodam bombas em ônibus israelenses. O recado para a comunidade e para os jovens em particular foi: “Convertam-se em militantes, para explicar que isto não está correto. Que não se faz uma democracia assim”.
“ Os judeus não devem se esconder, caso contrário, cedo ou tarde, serão proibidos de viver em um país como judeus, em seguida, serão proibidos de viver em um certo país e, não muito depois, serão proibidos de viver”, disse Pilar a respeito da luta contra o anti-semitismo. Os judeus devem se preocupar com a propaganda. Por que apenas Israel tem que se justificar? Eu não sou judia, mas conheci esta parte da história, o nazismo, a inquisição, a expulsão dos judeus, porque meu tio avô foi a primeira pessoa a ser condenada à morte, na Espanha, por ser anti-fascista e meu pai me contava as histórias da guerra. “Mas considero que todos que lutam contra um regime como o fascismo são um pouco judeus”.
Como aconteceu em todas as conferências ministradas por ela, a jornalista chamou a atenção para o anti-semitismo europeu, a grande massa de interesses econômicos administrada pelas oligarquias árabes com sua influência no mundo europeu e a contínua propagação de mentiras que, se não questionadas, tornam-se verdades, passando pelas artimanhas da Autoridade Palestina e pelo fundamentalismo islâmico.
Aos jovens judeus de Curitiba ela recomendou união, organização e conhecimento de seus valores em prol da defesa do povo judeu e de Israel. “Vocês só têm a vocês mesmo para os defenderem”, disse ela. Falou também de sua própria formação familiar, republicana e democrática, sempre em defesa da pluralidade, e liberdade com paz, tendo sua família perdido muito na época da repressão fascista na Espanha. A todos deixou uma mensagem encorajadora e um exemplo de tenacidade: a defesa intransigente que faz de Israel e do povo judeu. Devemos conhecer melhor nossa história e nossos valores de justiça, de paz, liberdade e solidariedade humana, recomendou a jornalista. Só assim teremos respaldo para combater o anti-semitismo e os que atacam Israel.


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