Apesar do frio,
a comunidade judaica de Curitiba e seus convidados, entre eles
o cônsul da Espanha em Curitiba e delegado no
Paraná da Câmara Oficial Espanhola de Comércio
no Brasil, Saturnino Hernando Gordo, foram ao Centro Israelita
do Paraná (CIP) no dia 20/5 ouvir as palestras proferidas
pela jornalista, escritora, pensadora e ex-deputada do Congresso
espanhol Pilar Rahola. O público presente lotou os auditórios
do clube por duas vezes: uma para quase uma centena jovens e
a outra no grande auditório, mais completa e concisa,
com quase o dobro daquela audiência. A palestrante impressionou
pela lucidez e clareza de raciocínio, e pela coragem de
enfrentar tema tão difícil, com tanto conhecimento.
A presença de Pilar Rahola em Curitiba foi possível
graças ao empenho e aos esforços da diretoria do
Fundo Comunitário e colaboraram para o sucesso do evento
a Kehilá e o jornal Visão Judaica. Foi, sem dúvida
alguma, uma bela oportunidade de ouvir com profundidade alguém
que conhece a fundo o tema do anti-semitismo, proporcionando
aos ouvintes muita reflexão e aprendizado.
Foi também uma noite memorável, pois a escritora,
jornalista e política espanhola Pilar Rahola, com determinação
e coragem, expôs a questão dos Mitos e Verdades
sobre o que tem sido dito, escrito e propagado acerca dos judeus,
de Israel e do povo palestino e seus representantes.
A problemática atual do mundo judaico, parte, segundo
Pilar, de quatro conceitos básicos: o anti-semitismo crescente,
o fundamentalismo islâmico, a demonização
de Israel e a manipulação da informação. “Com
essa situação, sinto-me no dever moral de me converter à causa
judaica. Uma delas é o que se refere às atitudes
da imprensa. Ninguém fala das mortes dos soldados israelenses,
apenas dos palestinos indefesos. Se, por acaso, são citadas,
eles apenas morrem, não são assassinados. Mas,
ao contrário, os soldados israelenses matam. Da mesma
maneira, quando um jovem terrorista acorda de manhã, reza
a seu D-us, despede-se de sua mãe e, ao chegar em um ônibus
lotado de crianças, idosos, trabalhadores, cidadãos
comuns, decide explodir uma bomba, a manchete do dia seguinte
nos jornais será: ‘Jovem resistente se explode em
Tel Aviv’, não “Terrorista enlouquecido mata
40 pessoas em Tel Aviv”. Quanto a ONU, Pilar se referiu
a ela como sendo “um circo”. É dominada por
países árabes e islâmicos e teve a Líbia
na direção de sua Comissão dos Direitos
Humanos.
Para facilitar a compreensão de algumas de suas idéias
usaremos um esquema de Mitos e Realidades, com o qual ela nos
elucidou em sua apresentação:
Mito: O povo palestino é milenar. Os judeus europeus tiraram
a sua terra.
Realidade: O conceito palestino nasce na Jordânia. Tem,
na verdade, poucas décadas de existência.
Mito: Israel não quer a paz.
Realidade: Nunca, nenhum Estado, correu tanto atrás da
paz como Israel vem fazendo.
Mito: O povo palestino se defende como pode do inimigo rico,
poderoso e belicista, que é Israel. Existe um certo “imperialismo
sionista”, o que torna esse mito, talvez, mais poderoso.
Realidade: Todos os meses, chega à Palestina, dinheiro
do mundo árabe, da Unesco, da Onu, da Unicef, dos Estados
Unidos e da União Européia. Se existe pobreza dentro
da população palestina a culpa é dos seus
governantes e não de Israel.
Mito: Todos os males do mundo são culpa de Ariel Sharon.
O Primeiro Ministro de Israel virou ícone do mal em toda
a imprensa européia.
Realidade: Quantos governantes Israel já teve? A democracia
faz parte de Israel, enquanto Yasser Arafat é um mito
da resistência. “Poucos líderes têm
tanto sangue e corrupção em sua carreira”.
Mito: Israel só quer saber de matar palestinos.
Realidade: Ninguém matou mais palestinos do que o próprio
mundo árabe.
Mito: Israel é o inimigo da causa palestina.
Realidade: “Atrevo-me a dizer que o único amigo
da causa palestina é a democracia israelense“.
Mito: A culpa dos ataques terroristas no mundo é de Israel.
Realidade: Não existe uma organização fundamentalista
que fale na construção de um estado palestino.
Todos os documentos falam somente na destruição
de Israel, o que, definitivamente não é a mesma
coisa. A causa palestina é uma desculpa para a destruição
do Estado de Israel. “O Estado de Israel é o único
país do mundo que tem que pedir perdão por existir
e, apesar disto, Israel é o único país do
mundo que acumulou um direito moral à sua existência.
Parece-me, no entanto, que a própria história acumulou
razões para a existência de Israel. Comparar a ação
de Israel ao nazismo é uma forma de minimização
do Holocausto”.
Mito: Os judeus dominam o mundo.
Realidade: É incompreensível que um povo que tenha
se dedicado tanto em diversos campos como medicina, física,
química, história, letras, quantos prêmios
Nobel, só seja considerado culpado. “Os palestinos
dizem que os judeus têm idéias obscuras, mas eles
(palestinos) não sabem quais são. Engraçado
isso”.
Mito: Se acabarmos com o problema dos palestinos, acabamos com
o problema do terrorismo.
Realidade: É exatamente o contrário: se não
acabarmos com o terrorismo, não vamos acabar com os problemas
dos palestinos. A paz está nas mãos de todos os
líderes do Oriente Médio. Apenas quando todos eles
a quiserem, ela chegará. “Hoje, a causa palestina
está seqüestrada pelos interesses sírios,
iranianos e líbios.
Mito: A Europa se preocupa com os palestinos, os Estados Unidos
não.
Realidade: A Europa minimiza o terrorismo. “È um
antiamericanismo patológico”. Não fazem nada
pela paz e ainda a afasta quando transforma líderes árabes
em libertadores.
Pilar chamou a atenção para o recado que o presidente
Lula da Silva deu aos brasileiros e ao mundo quando visitou três
ditaduras do Oriente Médio, e não visitou a única
democracia da região: Israel. Visitou Síria e Líbia
que patrocinam o terrorismo, que pagam os treinamentos do Hezbollah
para que terroristas explodam bombas em ônibus israelenses.
O recado para a comunidade e para os jovens em particular foi: “Convertam-se
em militantes, para explicar que isto não está correto.
Que não se faz uma democracia assim”.
“
Os judeus não devem se esconder, caso contrário,
cedo ou tarde, serão proibidos de viver em um país
como judeus, em seguida, serão proibidos de viver em um
certo país e, não muito depois, serão proibidos
de viver”, disse Pilar a respeito da luta contra o anti-semitismo.
Os judeus devem se preocupar com a propaganda. Por que apenas
Israel tem que se justificar? Eu não sou judia, mas conheci
esta parte da história, o nazismo, a inquisição,
a expulsão dos judeus, porque meu tio avô foi a
primeira pessoa a ser condenada à morte, na Espanha, por
ser anti-fascista e meu pai me contava as histórias da
guerra. “Mas considero que todos que lutam contra um regime
como o fascismo são um pouco judeus”.
Como aconteceu em todas as conferências ministradas por
ela, a jornalista chamou a atenção para o anti-semitismo
europeu, a grande massa de interesses econômicos administrada
pelas oligarquias árabes com sua influência no mundo
europeu e a contínua propagação de mentiras
que, se não questionadas, tornam-se verdades, passando
pelas artimanhas da Autoridade Palestina e pelo fundamentalismo
islâmico.
Aos jovens judeus de Curitiba ela recomendou união, organização
e conhecimento de seus valores em prol da defesa do povo judeu
e de Israel. “Vocês só têm a vocês
mesmo para os defenderem”, disse ela. Falou também
de sua própria formação familiar, republicana
e democrática, sempre em defesa da pluralidade, e liberdade
com paz, tendo sua família perdido muito na época
da repressão fascista na Espanha. A todos deixou uma mensagem
encorajadora e um exemplo de tenacidade: a defesa intransigente
que faz de Israel e do povo judeu. Devemos conhecer melhor nossa
história e nossos valores de justiça, de paz, liberdade
e solidariedade humana, recomendou a jornalista. Só assim
teremos respaldo para combater o anti-semitismo e os que atacam
Israel.