Paz? Tudo como antes no quartel de Abrantes

A notícia surpreendeu. Israel receberia uma delegação da Liga Árabe para contatos iniciais sobre as probabilidades de um acordo de paz. Era a primeira vez em seus 59 de independência que isso aconteceria. Mas não vai mais acontecer, pelo menos por enquanto. Dizia-se que os ministros do Exterior do Egito e da Jordânia chefiaram representantes dos outros 22 países árabes para discutir o plano de paz elaborado pela Arábia Saudita e assumido pela Liga. Como observa Nahum Sirotsky nosso colaborador em Israel, e um dos mais experientes e bem informados jornalistas, havia um ambiente de euforia pela missão da Liga Árabe, pois na prática esse gesto poderia ser entendido como  reconhecimento da existência  de Israel pelos paises árabes. Porém, não será mais erguida a bandeira da Liga Árabe em Jerusalém.
“Em diplomacia” — ensina Sirotsky — “tudo tem significado simbólico”. Só virão os ministros do Egito e da Jordânia, em nome de seus próprios países, e não da Liga Árabe. Os dois países já mantêm relações diplomáticas com Israel. Em outras palavras, prevalece o antigo provérbio português: Tudo como antes no quartel de Abrantes. O que houve? Sonhamos muito alto? A paz é impossível? Ou há saída? O próprio jornalista explica: A Liga Árabe recuou de seu propósito já que decidiu pretender uma compensação previa de Israel. Uma concessão aos palestinos. Um dá cá antes de um toma lá. Egito e Jordânia vêem ver se Israel dará o passo seguinte ao dos árabes que apresentaram o plano.
Se a coisa vai andar ou não, ainda é imprevisível. O Plano de Paz, como proposto, inclui exigências que Israel não poderá satisfazer. Mas o importante é que há a intenção de se negociar. E negociando sempre se pode chegar a um acordo. Não devemos, porém, ser nem muito otimistas, nem pessimistas, mas cautelosos. A dolorosa experiência da retirada Gaza revelou-se um erro. Desde que saiu, Israel é vítima, todos os dias de foguetes Kassam. E já são mais de 2 mil. O contrabando de armas e explosivos, os ataques mortais, os seqüestros e, por fim, o golpe do Hamas tomando a faixa, mostram que sair da Judéia e da Samaria não é bom negócio.
Então, por que o aceno árabe? Há vários fatores a considerar, mas o cenário de Gaza é o que melhor elucida a questão. O Hamas não é apenas um grupo ideológico extremista. No seu próprio estatuto de criação exibido a natureza de sua maléfica inspiração no nazismo. E a forma brutal com que os terroristas do Hamas — até o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, assim se refere a eles, agora — agiram contra seus próprios irmãos, dá uma idéia do que fariam com os israelenses.
A Liga Árabe não está alheia à tentativa do Irã xiita, em querer hegemonia da região com a ajuda de sua sócia, a Síria.
Enquanto na fronteira de Gaza o Hamas matava um jovem israelense, e feria outros, sem que a imprensa internacional desse uma linha sequer (se fosse o inverso, as manchetes seriam “novo massacre de Israel”), dias atrás, aqui em Curitiba, um filósofo publicou artigo num jornal local para apontar os culpados de sempre: Israel, Estados Unidos e comunidade internacional, e dizer que o Hamas foi “obrigado a retornar às armas” e à violência. Só se esqueceu que o estatuto do grupo radical prega a morte dos judeus e a destruição de Israel. Nem mais, nem menos. E dizia ainda o texto do professor que, como ser humano se sentia envergonhado ao ver “soldados israelenses fortemente armados, agredindo com insultos e empurrões mulheres e crianças palestinas e indefesas”. A frase de efeito tenta jogar com o sentimento alheio. Qual exército, em qualquer parte do mundo, precisa estar “fortemente armado” para xingar ou empurrar a quem quer que seja? E os seres humanos mantidos em cativeiro, há mais de um ano, os três soldados israelenses seqüestrados? Isso não envergonha? Ensinar ódio aos judeus e a Israel para crianças palestinas com livros didáticos oficiais, também não envergonha? Isso ainda é um dos grandes obstáculos para a coexistência. Como dizíamos, tudo como antes no quartel de Abrantes.
                                                                                                           

                                                                                                                A Redação