Arqueologia "pós-modernista" no Barnard College
Por: Candace de Russy

Nadia Abu El-Haj é uma professora assistente na Faculdade Barnard que merece uma análise mais minuciosa por todo o mundo que se interessada pelos métodos degenerativos pelos quais são destruídas grandes universidades.  
A grandeza do moderno, as universidades de estilo ocidental — a coisa que as separa de todas as academias que vieram antes delas — é que fatos e as teorias afirmadas em universidades devem ser apoiados por evidências verificáveis. Nas antigas academias, recorrer a Aristóteles, Confúcio, ou à Bíblia era suficiente para apoiar uma idéia.  Na universidade moderna, as teorias são julgadas pela navalha de Occam1, valor explicativo, e a comprovação dos fatos apoiados.  
El-Haj é uma antropóloga cultural da escola puramente teórica. Ela escreveu um livro intitulado Facts on the Ground: Archaeological Practice and Territorial Self-Fashioning in Israeli Society (“Fatos no Chão: Prática arqueológica e Auto-formação Territorial na Sociedade Israelense”) que me foi enviada por um grupo de acadêmicos que se autodenominam Va'ad ha-Emet (em hebraico Comitê da Verdade). Esses acadêmicos, cuidadosos ao falar publicamente contra o vulgar e difamador conhecimento de causa do livro de El-Haj, por receio de retribuição nos seus respectivos campi — o descrevem como "injurioso" — pediram-me auxílio para publicar uma declaração deles.  
Em sua introdução, El-Haj explica que trabalha "rejeitando o compromisso positivista ao método científico", e escrevendo, ao invés disso, por meio de uma tradição acadêmica do “pós-estruturalismo, críticas filosóficas do Fundacionismo2, do Marxismo, da teoria crítica e… em resposta a movimentos políticos específicos pós-colonialistas". E a teoria particular que El-Haj propõe é que “as origens judaicas dos antigos israelitas” são uma "pura fabricação política" — uma maquinação, ela prossegue, para culpar "arqueólogos israelenses" que foram chamados a "produzir… evidências dos antigos israelitas e presença judaica na terra de Israel, suprindo com isso a mesma base, incorporando de forma empírica, o moderno mito da origem da nação”.  
Lamentavelmente, no ar rarefeito de Morningside Heights, alguns acadêmicos de Columbia parecem celebrar este tipo de "liberação" de conhecimentos sem qualquer necessidade de encontrar fatos comprováveis. Por exemplo, Keith Moxey, do Ann Whitney Olin, professor de História da Arte na Faculdade Barnard, e um dos cinco membros do comitê que votará pela proposta de estabilidade de El-Haj, elogia "o abandono de um fundamento epistemológico pela… história e o reconhecimento de argumentos históricos devem ser avaliados de acordo com o quanto e como eles coincidem com nossas convicções políticas e atitudes culturais que derrubam a tradicional distinção entre história e teoria". (Ver o trabalho de Moxey: The Practice of Theory: Poststructuralism, Cultural Politics, and Art History [A Prática da Teoria: Pós-estruturalismo, Políticas Culturais e História da Arte]) Em outras palavras, evidência, comprovação, probabilidade e poder explicativo tornam-se irrelevantes, pois o que conta é um argumento que "coincide com nossas convicções políticas".
Até o momento, os artefatos que os arqueólogos descobriram no solo do Oriente Médio são bastante claros. De acordo com o professor William Dever, da Universidade de Arizona, o arqueólogo sênior americano que faz escavações no Oriente Médio (citado em The New York Sun), os estudiosos concordam amplamente que o Estado israelita floresceu no 10º ou no 9º século a.E.C, e as histórias bíblicas são "baseadas em fatos históricos". Ele diz que o trabalho de El-Haj é "defeituoso, enganoso e perigoso", enquanto Aren Maeir, arqueólogo que encabeça as escavações em Gath3 dos Filisteus, julga isto "ridículo".
No mundo altamente politizado e pós-moderno de El-Haj, porém, fatos não são fatos; pelo contrário, como ela afirma em seu livro, eles são “produzidos” como parte de "uma prática contínua de nacionalismo colonial… através da qual reivindicações histórico-nacionais, transformações territoriais, herança patrimonial e historicidades 'acontecem'". Para reconhecer a quantidade de evidências arqueológicas e as pesquisas que estabelecem a existência dos antigos reinos israelitas seria necessário participar de uma "hierarquia acadêmica de credibilidade" na qual "o factual é conferido". Estabelecendo como uma “hierarquia privilegia um tipo particular de evidência". 
Realmente é assim. O tipo de evidência que privilegia é do tipo antiquado que era conhecido como fato verificável.     
A meta de El-Haj é transparente. De acordo com suas convicções políticas, o Estado judeu nasceu em pecado. É culpado, ela reclama, de ser um estado-nação “colono-colonialista judeu em construção". Se, entretanto, os judeus podem traçar uma herança contínua de volta para uma série de reinos hebreus antigos, então Israel não pode ser deslegitimado, chamando isto de um estado “colono-colonialista”.
Mas El-Haj não está satisfeita em ocupar-se neste tipo de negação de história judaica agora chamado de negação de Templo. Ela também se inclina ao que Dever caracteriza como "a demonização de uma geração de arqueólogos israelenses apolíticos", incluindo o que parece ser uma deliberada e sórdida tentativa de destruir a reputação de um arqueólogo estimado com o objetivo de obter uma meta política.
Esta é a mais séria das acusações trazidas contra ela pelo grupo Va’ad ha-Emet, ao qual me referi antes, e cuja declaração publiquei na National Review Online. De acordo com o grupo, ela faz um ataque direto e pessoal contra David Ussishkin, da Universidade de Tel Aviv, a quem El-Haj acusa de "má ciência”, que usa "grandes pás” para não peneirar a sujeira "à procura de restos muito pequenos", e de usar escavadoras para atingir os estratos mais profundos que estão saturados de significação nacional, o mais rápido possível". De acordo com El-Haj, ele fez assim de tal modo para que "os resíduos acima ficassem sumariamente destruídos". El-Haj declara que estas afirmações são nada além de histórias "recontadas… depois do fato por arqueólogos e estudantes voluntários", nenhum dos quais ela dá nomes.
A declaração conclui: "Nós consideramos as acusações de El-Haj difamadoras”. Em outra réplica, o professor Ussishkin defende a integridade de sua pesquisa detalhando sua metodologia de campo. Ele descreve a falha de El-Haj em não consultar os relatórios das escavações, nem os projetos diretores, o que seria “um apropriado e sério método de pesquisa”.  
Por que uma jovem acadêmica publicaria falsidades difamatórias sobre um pesquisador altamente considerado, sem a menor evidência para apoiar suas afirmações a não ser conversas com informantes anônimos?  Por que, como o Va’ad ha-Emet também afirma, ela fingiria um domínio da "prática arqueológica" sem ter feito uma visita, por breve que fosse, a uma escavação arqueológica, bem como também ter estudado a "sociedade israelense" sem conhecimento do idioma nacional? E por que ela repetidamente faria declarações sobre o fato citando informantes sem nomes ou não cita fonte alguma?  
Provavelmente porque caluniando arqueólogos que trabalham individualmente ou coletivamente em Israel, e na confiança absurda da nova linguagem pós-moderna, ela espera desacreditar inteiramente o campo acadêmico da arqueologia israelense, e através disso limitar a liberdade dos arqueólogos de proverem evidências de que os antigos reinos israelitas realmente existiram.  
Nesse pé está a contratação estável de El-Haj na Faculdade Barnard onde o distinguido Ruth Benedict uma vez ensinou antropologia para a jovem Margaret Mead.   O lamentável é que este processo tenha ganho esse impulso em primeiro lugar. Se o Barnard simplesmente tivesse insistido em contratar para a faculdade alguém que — não importa suas opiniões políticas — empregue evidências para apoiar as idéias que publica, não teria que explicar agora por que a faculdade está pensando em dar posse a uma professora que considera a história extensivamente documentada dos israelitas e dos reinos da Judéia como uma mera invenção politicamente incentivada.  
A comunidade acadêmica do Barnard e sua presidente que está de saída, Judith Shapiro, deveriam negar a posse para El-Haj, fixando assim um exemplo para outros líderes de campus de forma semelhante, demonstrarem o seu compromisso com a preservação e a transmissão da base de evidências nas pesquisas.  

Notas:
1. Navalha de Occam — A Navalha de Occam é um princípio lógico atribuído ao inglês do século XIV, William de Ockham, e que hoje em dia se enuncia: "se há várias explicações igualmente válidas para um fato, então devemos escolher a mais simples".

2. Fundacionismo é qualquer teoria em epistemologia (tipicamente, teorias da justificação, mas também do conhecimento) que mantém que as crenças são justificadas (saber, etc) baseado no que é chamado crenças básicas (também comumente chamadas crenças fundacionais). Crenças básicas são crenças que dão apoio justificatório a outras crenças, e mais crenças derivativas estão baseadas em mais outras crenças básicas.

3. Gath era uma das cinco cidades-estado dos filisteus estabelecidas na Filistéia. Era o lar do gigante Golias, assim como também o de Ittai e seus 600 soldados que ajudaram o rei David em seu exílio em Absalão.

* Candace de Russy é reconhecida nacionalmente nos Estados Unidos como escritora e oradora sobre temas educacionais e culturais. Sua carreira é dedicada especialmente à reforma da educação e ela tem liderado esforços para estabelecer padrões acadêmicos, fortalecer o conhecimento e trazer responsabilidade aos campi e colégios. Tradução: Szyja Lorber.