Ashkelon - 1

Na rota comercial das duas grandes civilizações da antiguidade médio-oriental estava a localidade que oferecia a necessária água aos comerciantes que percorriam o caminho entre o Egito e as cidades da Mesopotâmia. Essa era uma antiga cidade canaanita, a atual Ashkelon. Dela continuavam as caravanas para o norte, passando por Aphek (Tel Aphek), Meguido, Hazor, dali para o vizinho exterior. Na beira do Mediterrâneo a antiga cidade cresceu, tornou-se uma das cinco cidades filistinas e um importante porto marítimo. Depois dos cananeus vieram os filisteus, fenícios, persas, gregos, romanos, bizantinos, islâmicos e os cruzados europeus. Tantas ocupações da cidade provam sua importância comercial e estratégica e para domínio da região nos tempos antigos.  
Desde a era do bronze (2000-1550 a.e.c) Ashkelon, com 607.000m2, possuía a considerável população de 15 mil habitantes. Era cercada por uma muralha de quase 2,5 km de extensão. Esta muralha, com 2,5 metros de largura, era para o seu tempo, um sistema de defesa muito aperfeiçoado, sendo a primeira no mundo a possuir seteiras sobre as suas portas. Sua forte estrutura permitiu que os dominadores seguintes usassem a mesma base e traçado para a construção dos seus sistemas de defesa. Na década de 90, arqueólogos da Universidade de Oxford, encontraram estatuetas votivas do período canaanita. Eram bois e touros em metal nobre simbolizando os seus deuses El e Baal.
No ano 1550 a.e.c, os filisteus conquistaram Ashkelon. Foram encontradas cerâmicas muito semelhantes às usadas em Micenas, deixando a suposição de que esses eram de origem de origem micênica ou de populações que viveram em estreito contato essa civilização do Mediterrâneo. Foi também, no tempo dos filisteus que Sansão, passando por Ashkelon, matou trinta homens.
Ashkelon, quando cidade filistina, era uma ameaça constantemente ao Reino de Judá. Foi assediada por Sargão e Senaquerib e, no ano 604 a.e.c, finalmente o rei babilônico, Nabucodonosor, a  conquistou, pondo fim no domínio deste povo na costa do reino judeu.
Após a conquista de Alexandre, a cidade foi reconstruída, se tornado um importante porto marítimo. Mais tarde, Herodes, o Grande, melhorou a cidade, reconstruindo o que não tinha sido feito pelos gregos e enriquecendo-a. Durante o período romano e bizantino a cidade manteve sua importância, principalmente como porta de entrada e saída de riquezas. No período dos cruzados Ashkelon ficou mais conhecida pelo seu papel militar do que comercial. Após anos de batalhas entre cruzados e islâmicos, Saladino a destruiu.  Conta-se que, Ricardo Coração de Leão a reconstruiu sobre as antigas ruínas e, finalmente, em 1270 o  sultão mameluco, Baybars, destruiu Ashkelon deixando-a desolada.
No Parque Nacional de Ashkelon há museus, escavações e reproduções de peças encontradas pelos arqueólogos que testemunham a importância histórica dessa antiga cidade dominada por tantas civilizações.

* Antonio Carlos Coelho é professor, membro do Instituto Ciência é Fé e colaborador do jornal Visão Judaica.