Diante das portas de uma nova guerra

Na última página de seu livro autobiográfico “Minha Vida”, de meados da década de 70 do século passado, Golda Meir escreveu — “Aos que perguntam ‘E o futuro?’ Ainda tenho apenas uma resposta: acredito que teremos paz com os nossos vizinhos, mas estou certa de que ninguém fará paz com um Israel fraco. Se Israel não for forte, não haverá paz”. Essas palavras em tom profético prenunciaram a irritação dos israelenses no dia 12 de julho, com a abertura da nova frente de violência, depois que terroristas do Hezbolá, do Líbano, invadiram e bombardearam o norte de Israel, seqüestraram dois soldados de Israel e mataram outros oito. O ataque foi um ato de guerra e visou enfraquecer Israel, que está na Faixa de Gaza para recuperar outro soldado seqüestrado. A região atinge agora o pior nível de violência desde a virada do milênio. Provocado, Israel­ agora mostra sua força nesta guerra ainda não declarada, mas já em campo de batalha.
Pensando em dar uma chance aos palestinos de construírem seu Estado, Israel se retirou de Gaza. Mas o que o Hamas faz? Não concentra todas as suas energias na construção de um país para os seus jovens – uma nação e uma sociedade decentes, com empregos. Em vez disso, dispara centenas de foguetes contra Israel. Os palestinos poderiam ter seu Estado se reconhecessem claramente Israel, normalizassem as relações com o país e renunciassem à violência. Porém os que dirigem hoje a política palestina parecem decididos a destruir Israel em seu território - mesmo que isso signifique destruir a si próprios em seu próprio território.
O mundo, claro, outra vez acusa Israel de defender-se ou de reagir de forma desproporcional, esquecendo que a intensidade da reação é a garantia da sobrevivência. Os hipócritas aconselham diplomacia, esquecendo que não pode haver diá­logo com o terrorismo. Enquanto isso, mísseis Kassam continuam caindo sobre cidades israelenses, jovens cumprindo serviço militar são seqüestrados ou assassinados e cínicos  do mundo todo imaginam que “outra vez os judeus irão para as câmaras de gás como cordeiros ao matadouro... Israel é a garantia de que isso nunca mais ocorrerá”. A frase é da jornalista Dori Lustron, uma argentina radicada em Israel que se dedica à questão do Oriente Médio. Leia seu artigo “Nem militantes, nem pobrezinhos: terroristas”, publicada nesta edição.
Para certos indivíduos e “instituições”, como o difamador jornaleco “Hora do Povo”, o PC do B, o PSTU e outros tão insignificantes saudosistas do stalinismo, os judeus, não têm direito a nada. Provavelmente, pensam que os judeus são ETs que vieram de algum distante planeta da galáxia, pois na Terra não há lugar para eles. Uma similitude do discurso nazista tão comum hoje em dia entre os “esquerdizóides” e os “esquerdizofrênicos”. Não, não é uma paranóia o que nos aflige. É a realidade. Cinco mil anos de história afiançam isso. Vomita-se a bílis do ódio em notas e mais notas para demonstrar a “culpabilidade” de Israel... Para isso, outra jornalista, Pilar Rahola, tem uma resposta. Leia-a no artigo “A Culpa de Israel”, também desta edição. 
O Hamas, que tem em seu programa o compromisso de jamais reconhecer o estado judeu, e de se empenhar em destruí-lo, promete atacar dentro de Israel novamente. As operações israelenses, em andamento não tem prazo para terminar. Mas o mais espantoso — e vergonhoso — é que milhares de pessoas continuam perecendo em Darfur, milhões continuam sofrendo opressão em diversas partes do mundo, e a nova Comissão de Direitos Humanos da ONU em sua primeira sessão condena Israel por supostas “violações dos direitos humanos”! Às portas da guerra parecem ter sido abertas.