A pregação do mundo árabe contra o judaísmo
Por: Edda Bergmann

De repente as desculpas usuais não funcionam mais, ninguém pode dizer que o presidente do Irã, na realidade, reclama de Israel e do sionismo e não dos judeus, nem que ele fala dos crimes coloniais do ocidente.
Estava propagando um dos bordões que definem a extrema direita racista, a negação do holocausto.
Uma posição que visa negar aos judeus sua história, seu sofrimento, quase que sua existência.
É como negar que os afro-brasileiros ou afro-americanos tenham sido escravos, coisa de quem só deseja o mal da espécie.
Em outubro, quando Ahmadinejad se postou sob uma faixa que prometia um mundo sem sionismo e clamou que Israel fosse varrido do mapa, muitos judeus sentiram um calafrio ante o que aparecia como uma fantasia animalesca de um homem desequilibrado, em sua mente doentia de culturas de um mundo de ações penais e de gestos heróicos animalescos, que põe em discussão a existência do homem no planeta Terra, e os espaços que os homens devem ou não ocupar, de acordo com as mentes privilegiadas dos maníacos da história, ou seja, seus ditadores maníacos e inspirados por definição e escolha divina.
O que ele queria explicar friamente, era um mundo sem sionismo, e não sem judeus.
Mas em se tratando de um chefe de governo de 70 milhões de pessoas, um país que aspira à liderança do mundo muçulmano, liderança atômica, inclusive, trata-se de um presidente que tem sonhos de aniquilamento.
Muitos historiadores revisionistas que contaram que acreditam nas falhas históricas do Holocausto, passados apenas 60 anos e procuram negá-lo apesar de todas as evidências históricas presentes. Trata-se de revelar a falsa verdade, a falsidade da história verdadeira, em prol do mito islâmico da mentira, sempre muito apreciado na história dos povos quando se quer mistificar a verdade passada e presente, frutos de mentes pouco saudáveis e de pensamentos negativos.
Só agora se percebe que TV’s em todo o mundo muçulmano vêm apresentando lixo há décadas, com conteúdo anti-semita e apesar disso, ninguém reclamou, por que ninguém se debruçou sobre este fenômeno.
Uma série da televisão jordaniana produzida na Síria, neste ano, foi a que falou de um governo judaico mundial e repete a velha história infame de que os judeus usam sangue de crianças cristãs na comida da Páscoa.(Vejam bem! Cristãs!!!).
“O cavaleiro sem cavalo”, cujo tema são os “Protocolos dos sábios de Sião”, uma fraude de 100 anos, criada pela polícia czarista, sobre um suposto complô judaico para a tomada do mundo.
Esta é uma das mais torpes heranças do ocidente, uma forma de anti-semitismo, o vírus do anti-semitismo infestou o mundo islâmico, copiando uma linguagem e iconografia de cristandade, retomando o fôlego no Cairo, em Riad e Damasco, e o mundo cristão onde está, que não se preocupa com as aberrações e mentiras que ele criou, e onde está o Papa, procurando culpados?
Por enquanto está claro que isto é uma tragédia para os judeus, não é tão claro que isto seja um confronto para os muçulmanos que valorizam a tradição e com um ignorante no poder que nega a história e debocha desta tradição, nada de bom poderá surgir de suas evidentes necessidades de mostrar ao mundo que sabe espancar, dar chutes e pontapés, e tornar os muçulmanos que eram vistos pelos judeus, como o povo do saber, da ciência, de tolerância e da coexistência em contraste com os bárbaros cruzados dos tempos passados, os catequistas de hoje.
É bom pensar e repensar a história, a presente como a passada.

Estamos num momento histórico tremendamente grave para o Oriente Médio, um momento pelo qual outros já passaram, muitos orientais engolem agora os mitos e as mentiras que mataram os camponeses na Europa e perderam ao longo dos séculos passados, conduzindo a Treblinka.
O muçulmano de hoje não deveria participar de tal ignorância ou deixando sair tudo que o diminua.
Os pregadores muçulmanos que não concordam com a ignorância sistematizada do presidente do Irã, devem condená-lo e evitar que ele tenha público e continue provocando o adubo necessário ao desenvolvimento das plantas daninhas do ódio e do mal estar entre homens, povos e nações e até entre vizinhos.
Na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, isto já está acontecendo.
E os cálidos dos islâmicos devem fazer o mesmo.
Pode até ser desconfortável nas conversas, mas os dias da negação têm que acabar queiram ou não, e o Brasil deva ser tomado como exemplo da seriedade em ter desbravado o complô de um pseudo-escritor que nega o Holocausto e tê-lo colocado entre os réus, designados pela lei, como formadores da verdade. Trata-se do caso Ellwanger.
Por que não escrevemos isto nos jornais brasileiros, que o Presidente do Irã é um mentiroso, que seria condenado no Brasil pelo Supremo, será que estamos precisando de uma Rainha Esther, com sua beleza, sabedoria e encantos pessoais adequados à época presente?

* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional da B’nai B’rith.