Akko - 1

Antonio Carlos Coelho

Akko, localizada cerca de meia hora de carro, partindo de Haifa para o norte, é uma das cidades mais pitorescas de Israel. Akko ou Acre, bem que poderia servir de cenário para filmes. Ela mantém quase que intacta a arquitetura de diferentes períodos da sua história. Foi testemunha da passagem de tantas civilizações conquistadoras que, como Jerusalém, preserva em suas pedras o som das pessoas e das lutas que testemunhou.
Cercada com uma impressionante muralha contra o mar, guarda em seu interior uma cidade de contrastes. Na beira-mar, encontramos hotéis modernos, sofisticados e também, os mais simples, mas bons e com uma comida fantástica, principalmente no Shabat.   
Akko é citada na história desde o tempo do faraó Tutamósis III, século 15 a.e.c. Por estar situada num ponto de interesse para o controle militar e comercial foi tomada por inúmeras vezes por líderes de nações poderosas da antiguidade: os assírios no ano 700 a.e.c, Alexandre Magno no ano 332 a.e.c, depois os Ptolomeus (do Egito) e os romanos. Akko passou a pertencer ao império bizantino até cair nas mãos dos árabes no século 7. Em 1104, o rei Balduíno I de Jerusalém capturou a cidade dos muçulmanos, permanecendo ela sob o domínio dos cristãos por 83 anos, até serem derrotados por Saladino. Mais tarde os europeus reconquistaram a cobiçada cidade e deram a ela muito do que vemos hoje na sua arquitetura, como exemplo, a murada na orla marítima. No final do século 13 os sarracenos (mouros) tomaram a cidade permanecendo até o domínio otomano em 1517. E foi, durante o período dos otomanos que Napoleão tentou, em vão, conquistar Akko.
Durante o mandato britânico uma antiga fortaleza cruzada foi transformada na prisão central do Oriente Médio. Atualmente, é um museu onde se pode conhecer o dia-a-dia dos prisioneiros que ali permaneceram. Muitos desses eram membros da resistência judaica, inclusive Ze’ev Jabotinsky e membros do Irgun, conforme relatado no livro Exodus, de Leon Uris e, também, no filme do mesmo nome. Documentos e fotos ali exibidos contam muito da história da formação do novo Estado de Israel.
Ao norte, junto à rua Napoleão Bonaparte, temos a muralha que recebeu o nome de El Jazzar, Pacha de Akko, responsável pela defesa da cidade em 1799, quando Napoleão tentou conquistá-la, frustrando assim, seu desejo de fundar um império no Oriente. Contornado a muralha chega-se ao Jardim do Fosso, situado na base da construção. Logo em seguida, no sentido leste, há o Mercado Branco, construído pelo sheik beduíno, Dahr el-Omar, no século 18.  
Muito se tem a falar dessa cidade ocupada nos tempos bíblicos pelos filhos de Asher. Na próxima edição continuarei escrevendo sobre Akko, pequena e pitoresca cidade do norte do litoral de Israel, que conta, em sua arquitetura, a dramática história da relação entre o Oriente e o Ocidente.  

* Antônio Carlos Coelho é professor, diretor do Instituto Ciência e Fé, e colaborador do jornal Visão Judaica.