O terror
boçal
volta a atacar
As fotos do ônibus explodido em Londres ocuparam as
primeiras páginas dos jornais de todo o mundo. É o
terror boçal que volta a atacar. Durante alguns dias
o atentado terrorista continuará repercutindo com destaque
na imprensa. Serão muitas páginas de noticiário
e análise. “O mundo já viu isso e não
fez nada. Como hoje nada faz -- produz manchetes e uns artigos
moralizantes, explicando que a atual barbárie é culpa
do sionismo e do imperialismo. Isto é um franco processo
de justificação e fortalecimento do fascismo
que avança, desta vez vindo do oriente”, diz o
jornalista carioca Miguel Fernandes, judeu de coração
e alma, cidadão do mundo e combatente valoroso do anti-semitismo,
num texto primoroso de desabafo sobre a matança em Londres.
E põe o dedo na ferida: “A cena do ônibus
explodido que horrorizou o planeta tem sido -- desgraçadamente
-- bastante comum em Israel. Parece-me que a indiferença
do resto do planeta a respeito do fenômeno terá encorajado
os piedosos assassinos a expandirem seus negócios, repetindo-os
noutras capitais”. Depois de pedir que todos condenemos,
com veemência, o atentado, o toque de humor inteligente — que
parece ser outra de suas características — aparece
no final, na assinatura de seu desabafo. Ele lembra que é usuário
de ônibus urbano e faz questão de continuar chegando
inteiro ao fim da viagem.
Outros que igualmente tocam na mesma ferida são o paulista
Daniel Barenbein, que atua no site de observação
do comportamento da imprensa “De Olho na Mídia” e
a espanhola da pena brilhante que luta contra as injustiças
no mundo, Pilar Rahola, ambos jornalistas, cujos artigos têm
freqüentado as páginas do Visão Judaica.
Nesta edição, Barenbein, critica a imprensa em
geral, por tratar terroristas de ativistas, militantes, insurgentes
e rebeldes, menos pelo que eles realmente são: terroristas.
Isso lhes conferiu certa aura de legitimidade e um romantismo
extravagante que acabou resultando nos atentados das Torres
de Nova York, em Bali, na Estação de Atocha,
em Madri e agora no metrô de Londres. Rahola, por sua
vez, chama a atenção dos europeus para a ingenuidade
e a cegueira em ver que a guerra já foi declarada. Mas é bem
clara ao afirmar que quem a declarou não foi o islã,
mas uma ideologia que utiliza o islã, que o seqüestra
e tenta apropriar-se dele. E lembra que essa ideologia integrista é tão
inimiga do Ocidente como é inimiga do direito dos cidadãos
islâmicos de viver em liberdade.
A boçalidade do terror fica patente também num
episódio recente em Israel. Uma palestina foi presa
antes de conseguir seu intento: explodir um hospital de Beersheva,
que salvou sua vida e a tratava das queimaduras por ela sofridas
na casa em que morava, em Gaza. O hospital, um dos mais importantes
do Sul de Israel, atende, indistintamente a israelenses e palestinos.
O fato, entretanto, foi solenemente ignorado pela imprensa
mundial. Quase todas as agências de notícias se
calaram. A exceção foi o canal de notícias
da Fox, o único a noticiar a prisão da terrorista
suicida palestina de 21 anos, com um cinturão de 12
quilos de explosivos, momentos antes de cometer o assassinato
em massa.
A Redação