João Paulo II e os judeus
Por:Edda Bergmann


João Paulo II foi o primeiro Papa a visitar uma sinagoga, a de Roma procurando encontrar um amigo: O rabino-chefe Elio Toaff.

Desta mesma cidade de Roma, da qual o rabino-chefe Zoller, de Trieste, durante a Segunda Guerra Mundial se transferiu para o Vaticano e se converteu ao catolicismo para salvar a pele e deixou um livro escrito: “O meu encontro com Cristo” dedicado ao Papa Pio XII, seu anfitrião, se batizou com o nome do Papa Eugenio escandalizando a comunidade judaica romana já tão sofrida na época da Segunda Guerra Mundial.

João Paulo II ao receber em audiência o novo rabino-chefe de Roma, Ricardo Di Segni lhe diz que: “católicos e judeus devem construir juntos a paz”.

No dia 13 de fevereiro de 2003, João Paulo II manifestou seu desejo de estreitar cada vez mais os laços de amizade entre católicos e judeus e conclamou seguidores das duas comunidades a serem os construtores da Paz, diante da ameaça de uma nova guerra.

Com estas palavras recebeu em audiência o rabino-chefe de Roma, Ricardo Di Segni junto com outros rabinos e expoentes da comunidade judaica da cidade.

Esta foi a primeira vez em que Di Segni, no cargo há apenas um ano, se encontrou com o Papa no Vaticano.
Como já mencionamos, seu predecessor, Elio Toaff, a quem o Papa recordou com profunda estima durante a audiência, estava unido por laços de amizade com o Santo Padre.

Durante o encontro o Papa demonstrou o grande desejo que a Igreja Católica alimenta de tornar mais estreitos os vínculos de amizade e de colaboração recíproca com a Comunidade Judaica.

Referiu-se também à visita que ele mesmo fizera há 19 anos atrás à sinagoga de Roma, como já dissemos, a primeira de um pontífice, qualificando-a de “histórica e inesquecível”.

Aquele acontecimento “dom do Onipotente, representa toda uma etapa importante no caminho do entendimento entre os judeus e os católicos, disse o Papa".

Manifestou o seu desejo de que o caminho da confiança recíproca percorrida “incremente os relacionamentos entre a comunidade católica e a comunidade judaica de Roma” a mais antiga da Europa Ocidental.

O Santo Padre reconheceu que em 2002 as duas comunidades chegaram a viver hostilidades, relembrou o Concílio Vaticano II, a aplicação gradual do documento “Nostra Aetate”, a respeito dos relacionamentos da Igreja com as religiões não cristãs e os gestos de amizade de uns e outros que contribuíram para orientar nossos relacionamentos em direção a uma reciprocidade de compreensão cada vez maior“.

Neste contexto incentivou a prosseguir com os esforços de colaboração e a procurar os vínculos espirituais que unem ambas as religiões e as comunidades.

Disse que judeus e católicos “têm a missão urgente de implorar a D-us Criador e Eterno a Paz, e de sermos nós mesmos os agentes desta mesma Paz”.

Convidado pelas duas comunidades a proteger este dom frágil, exortou a que cada uma, com a ajuda de D-us fosse construtora da paz “na certeza de que quando o Homem trabalha pela paz, é capaz de melhorar o mundo”.

O novo rabino-chefe de Roma, em suas palavras de saudação ao Papa, ressaltou também a colaboração entre judeus e cristãos, qualificando-a de necessária para o mundo em sinal de paz e benção.

Di Segni convidou oficialmente o Papa a visitar a sinagoga de Roma no ano do centenário de sua fundação.

Manifestou, outrossim, o desejo de criar uma forma permanente de consultas recíprocas com a finalidade de prevenir possíveis incompreensões e definir formas de atração e de intervenções quando necessárias, concretas e atualizadas.
Mais um momento histórico a ser lembrado e analisado com cuidado.

* Edda Bergmann é Vice-presidente Internacional da B’nai B’rith.