Solto pela pressão internacional

Choudhury foi libertado da prisão, sob fiança, em 30 de abril de 2005 às 19h, horário de Bangladesh. A notícia foi divulgada pela Pen USA, uma instituição que reúne escritores americanos em defesa de colegas presos em diversos países do mundo, e que juntamente com outras entidades internacionais comandou um movimento de pressão por sua libertação. Mas ele ainda corre risco de ser preso novamente.

Em 14 de março de 2005, um juiz rejeitou o pedido de Choudhury para ser libertado sob fiança. Ao invés disso, fixou 2 de abril como a data "para o início do julgamento”. Choudhury esteve encarcerado mais de 16 meses.

No dia 9 de agosto de 2004 de agosto, Choudhury pediu para assistir aos funerais de sua mãe, após ela ter falecido de um ataque cardíaco motivado pelo sofrimento imposto ao filho. O pedido foi negado.

Num recente comunicado de Choudhury, por carta contrabandeada para fora da prisão ele escreveu: "Sinto que estou absolutamente privado dos direitos humanos em meu país. Peço a todos que levantem suas vozes em seus países respectivos e divulguem esta mensagem aos nossos amigos que apóiam nossa causa". “Minha missão para estabelecimento da paz nunca terminará. A prisão e o sofrimento estão me fazendo muito mais determinado em minha missão", disse ele.

Salah Uddin Shoaib Choudhury, jornalista, colunista, escritor, analista político, e editor da The Weekly Blitz, em Bangladesh, freqüentemente escrevia artigos pregando a paz, o entendimento e a comunicação entre as sociedades.
Praticamente na hora de sua prisão, Choudhury havia sido designado há pouco diretor internacional do 1º Capítulo em Bangladesh do Fórum Internacional para a Literatura e Cultura da Paz, uma organização israelense e internacional que promove diálogo com base na cultura. Uma das principais metas do Fórum é "estabelecer pontes de cultura entre os povos de Bangladesh e Israel, e promover a cultura global da paz".

Por causa do trabalho de Choudhury pela paz, ele foi convidado por Ada Aharon, professor israelense para falar em Tel Aviv, sobre o papel da mídia no estabelecimento da paz. Ele teria sido o primeiro jornalista de Bangladesh a falar para um grupo em Israel. Porém, nunca chegou lá. Foi impedido de viajar e preso no aeroporto internacional Zia, em Dhaka, no dia 29 de novembro de 2003, quando se dirigia à conferência.

Disseram-lhe que havia uma "violação de passaporte", e os agentes de inteligência o interrogaram no aeroporto antes de confiscarem sua bagagem. Ficou detido a noite toda “para interrogatório”. Pouco depois sua casa e o escritório do jornal foram invadidos, sendo apreendidos seus computadores, disquetes e outros arquivos. Fontes reivindicam extremistas islâmicos "ajudados" na interrogação dele. Depois disso foi encarcerado, acusado de "espionagem contra o país a favor de Israel". Informaram-lhe de que ele seria libertado no dia 15 de janeiro de 2004. Ao invés disso, em janeiro, Choudhury foi acusado de sedição, uma ofensa grave. Ele estava sendo mantido numa cela sem ventilação, sob condições "deploráveis". Choudhury passou mal, mas teve recusado tratamento médico e foi forçado a assinar declarações que estava em boas condições, enquanto seu estado de saúde se deteriorava, trancafiado atrás das grades.