Salah Uddin Shoaib Choudhury é um jornalista que
está preso em Bangladesh pelo "crime" de
defender o diálogo entre as religiões e o
fim do ódio cego a Israel em seu país. O
esforço de 16 meses para libertá-lo avançou
significativamente semanas atrás em Washington,
quando o congressista Mark Kirk, (Partido Republicano — Illinois)
e eu, nos reunimos com o embaixador de Bangladesh nos Estados
Unidos, Shamsher Chowdhury.
Shoaib Choudhury é um muçulmano que teve
a coragem de condenar o aumento do poder do Islã radical
em Bangladesh. O jornal que ele publicou e editou, The
Weekly Blitz, deu ao seu povo as primeiras notícias
imparciais sobre o Oriente Médio antes que a polícia
o agarrasse em 2003, quando se preparava para ir falar
na Conferência dos Escritores Judeus, em Tel Aviv
sobre "O Papel de Mídia na Criação
de uma Cultura de Paz".
Logo após a prisão dele, a polícia
invadiu sua casa e o escritório, e apreendeu computadores,
arquivos e outros materiais. Uma turba, em seguida, saqueou
aqueles locais, impunemente. Sua família foi ameaçada
e depois até mesmo atacada. Um irmão dele
teve que fugir da capital duas vezes. Uma multidão
aglomerou-se em frente à casa da família,
e a polícia pôs a culpa de tudo isso na "aliança
dos Choudhurys com os judeus".
O governo disse que “Choudhury estava fazendo espionagem
para os interesses de Israel contra os interesses de Bangladesh" e
orquestrou uma campanha de difamação. Eles
consideraram o discurso não realizado de Choudhury
como a evidência mais forte de sua perfídia
e disseram que ele infringiu as leis de Bangladesh tentando
visitar Israel. Choudhury permanece atrás das grades
com a saúde se deteriorando, sem um processo formal,
e enfrentando um delito capital. Banido do emprego, sua
família está à beira da ruína
financeira.
Na nossa reunião, o embaixador de Bangladesh declarou
que a prisão de Choudhury estava relacionada a uma
disputa financeira "puramente interna" e que
não teve "nada a ver com a tentativa dele viajar
a Israel" ou suas atividades jornalísticas.
Isto era obviamente falso, e não pode explicar seus
17 meses de cárcere ou as numerosas acusações
contra ele feitas e diretamente relacionadas ao seu apoio
a Israel.
Kirk insistiu que o assunto seja resolvido com rapidez
e Choudhury libertado. Nós também apresentamos
evidências, contrárias às afirmações
do governo de que Choudhury está sendo bem tratado,
que ele que não está recebendo cuidados médicos
adequados.
O embaixador prometeu corrigir isso, e então anunciou
que de agora em diante, os cidadãos de Bangladesh
poderiam viajar livremente para Israel. O teste óbvio
de tal proclamação será comprovado
se Choudhury for libertado imediatamente, inocentado, compensado
e for permitido que se expresse como ele deseja.
Promessas anteriores do governo significaram pouco, tomando
tempo de Choudhury e de sua família de novo. A crescente
irritação nos Estados Unidos, porém,
não será suavizada com promessas vazias,
ou através de declarações de que Bangladesh é uma
democracia quando as liberdades de um homem e a liberdade
de expressão são esmagadas tão rudemente.
Mas isso não nos importa. Não descansaremos
até que nosso amigo esteja livre.
A cultura de morte da mídia muçulmana
Shoaib Choudhury
Que emoção para mim é estar aqui em
Israel! Sabe, isso pode ser inesperado vindo de alguém
de Bangladesh, mas eu tenho que contar-lhes que essa vinda
aqui foi o sonho de toda minha vida. No momento em que eu
sai do avião e pisei o solo israelense, eu realizei
esse sonho; e eu não posso agradecer-lhes o bastante
por ajudarem a fazer disto uma realidade.
Hoje, estou diante de vocês talvez como uma contradição
viva: um sionista, um defensor de Israel e um devoto praticante
muçulmano que mora em um país muçulmano.
Como vocês eu acredito na justiça do sonho sionista.
Eu também reconheço esta realidade histórica:
que o mundo pretendeu esmagar esse sonho e, sim, até mesmo
destruir a viabilidade do povo judeu.
Ao mesmo tempo eu vivo num ambiente onde as pessoas acreditam
da mesma maneira apaixonadamente numa visão adversária
que vê Israel como ilegítimo e o povo judeu
como o mal encarnado. Testemunhei a recente declaração
do primeiro-ministro da Malásia, Mohammed Mahathir,
ao deixar o poder, de que os "judeus governam o mundo".
Uma verdadeira cultura de paz é muito mais que a cessação
de hostilidades. Inclui justiça e tolerância
para todas as pessoas. Permite a cada pessoa para ter orgulho
da sua própria fé, enquanto respeita o orgulho
que corre pelas veias daqueles que seguem outros caminhos
para D-us.
Em Israel, vocês têm qualquer número de
pontos de vista que são ventilados em qualquer número
de fóruns. Vocês têm Likud; vocês
têm Avodá (Trabalhistas). Vocês têm
Shas; vocês têm Shinui. Vocês têm
Paz Agora; vocês têm o Crente do Monte do Templo.
Vocês têm The Jerusalem Post; vocês têm
Haaretz.
Na maior parte do mundo muçulmano as coisas têm
sua diversidade como um sinal de fraqueza e desunião,
uma falta de resolução; nós sabemos
que é sua grande força. É complicado,
temos que admitir. Mas o fato de vocês não sentirem
ser necessário controlar o fluxo da informação
para seu povo significa que vocês os respeitam muito
mais que nós fazemos com os nossos — de quem
nós guardamos as notícias e negamos diálogo
aberto, especialmente quando vem de Israel e do povo judeu.
Para alguns, o mundo muçulmano pode parecer uma grande
massa indiferenciada. Talvez de algum modo seja. Mas, claro
que essa imagem é simplista. Permitam-me contar-lhes
um pouco sobre meu país, Bangladesh. Porque eu acredito
que seja exclusivamente apropriado para nos ajudar a construir
uma cultura de paz no mundo muçulmano.
Muitos de vocês poderão lembrar de quando Bangladesh
era chamado de Paquistão Oriental — parte da
porção muçulmana formada fora da ex-colônia
britânica. Na realidade, Bangladesh hoje tem aproximadamente
83 por cento de muçulmanos e uma população
total de cerca de 140 milhões. É um das maiores
populações muçulmanas do mundo. Mas
os muçulmanos de Bangladesh são conhecidos
por estar entre os muçulmanos mais tolerantes do globo.
O maior percentual de não-muçulmanos em Bangladesh é de
hindus. Outros fazem parte das assim chamadas religiões "orientais" e "tribais".
Mas nós também temos uma pequena população
cristã, e eu quero compartilhar nossa experiência
em Bangladesh, porque acredito que seja muito ilustrativa.
Missionários cristãos, como sabemos, são
ativos em todo o mundo, incluindo em vários países
muçulmanos. Eles dirigem igrejas e escolas com o objetivo
de convencer pessoas convincentes a abraçar o cristianismo.
Líderes muçulmanos sempre não lhes deram
as boas-vindas. No Paquistão, na Arábia Saudita
e em outros lugares eles foram atacados, foram presos e foram
expulsos. Mas entre os muçulmanos tolerantes de Bangladesh
uns 400 e tantos missionários atuam livres de tais
perturbações. E eles tiveram sucesso na conversão
de cerca de 500.000 membros de grupos tribais e várias
minorias à sua fé. Consideramos nós
os muçulmanos de Bangladesh isto uma ofensa contra
O Profeta? Os convertidos enfrentam problemas legais ou outras
dificuldades? Não, porque isso não é nosso
jeito. O dia de Natal é feriado público em
Bangladesh, embora o Islã seja nossa religião
oficial.
Mas até mesmo em Bangladesh — e certamente em
outros lugares do mundo muçulmano — muitos de
nós temos um ponto cego. E estou envergonhado dizer
que com relação ao povo judeu e Israel que
tantos ignoram convenientemente os mais nobres e até mesmo
essenciais princípios do Islã e de decência
humana básica.
Os missionários islâmicos que criaram raízes
recentemente em Bangladesh têm, é claro, uma
agenda bem diferente que suas contrapartes cristãs.
Baseados em forças obscuras no Oriente Médio
e África, eles agem sob nomes caridosos que soam como
Hospital islâmico, Serviço de Ambulância
Gratuito e Jardim de Infância Madrassa.
Mas caridosos eles não são. Alegações
sussurradas — objeções mais altas o colocam
em risco considerável — pois aquelas madrassas
islâmicas jardins de infância, treinam crianças
para a guerra de guerrilhas e obtêm apoio quando muitos
dos seus graduados entram nos campos batalha real no Afeganistão
e no Iraque. Alguns até mesmo se oferecem como voluntários
para lutar ao lado da OLP e outras organizações
terroristas por aqui.
“
Soldados Repatriados da Palestina” é uma organização
de Bangladesh que cuida dos "soldados" feridos
na luta aqui e depois recruta novo grupo de terroristas para
tomar seu lugar.
Vocês poderiam pensar que tais revelações
colocariam organizações como essa num foco
negativo. Apesar disso, qualquer coisa, para minha decepção,
melhora sua posição aos olhos de muitos cidadãos
de Bangladesh.
Essa popularidade levou-os aos bairros mais abundantes, longe
das áreas mais pobres que uma vez foram os seus locais
exclusivos. Filhos de proeminentes cidadãos de Bangladesh
freqüentam as madrassas onde eles agora aprendem bengali
(nosso idioma local), árabe, urdu, inglês e,
em alguns lugares, o francês, como também outras
matérias anunciadas. Mas eles também aprendem
teoria e prática da guerra de guerrilha. Velhos ódios
são ensinados como sendo fé, e eles aprendem
a venerar Bin Laden, Yasser Arafat, Saddam Hussein e os shahids1.
Crianças muçulmanas inocentes são seduzidas
para a jihad2, são ensinadas odiar os cristãos
e os judeus e são encorajadas a matá-los e
a destruir suas propriedades como se fosse um dever religioso.
Assim, isto me aflige pelo fato de estarmos permitindo que
estas crianças, os futuros líderes de Bangladesh,
tenham seus cérebros lavados com ódio e extremismo.
Estas instituições estão seguramente
gerando milhares de Bin Ladens e Arafats para o futuro.
Eu tinha ouvido esta imundície desde a infância.
Quando cresci, voltei meus olhos para a Bíblia, e
muitos outros livros; tive amigos cristãos e judeus,
e agora estou convencido de que o que os mullahs3 ensinaram
não só era inteiramente falso, mas também
era o mal. Isso não só está claro para
mim, como para muitos outros em meu país.
Para que haja qualquer chance de paz duradoura, isto tem
que mudar. Como nós podemos ter paz quando a maioria
dos muçulmanos ainda acredita que Israel esteve por
trás dos ataques do 11 de Setembro nos Estados Unidos
da América? Como podemos ter paz quando os muçulmanos
vêem seus próprios líderes recusando
reconhecer até mesmo o direito de Israel existir?
Como podemos ter paz quando nem ouvimos nem lemos qualquer
coisa ao contrário?
Nós não podemos. É bastante simples:
não haverá nenhuma presença muçulmana
significativa em qualquer diálogo de paz sem uma mídia
efetiva que combata no mundo muçulmano as falsas imagens
que hoje constroem a cultura de morte.
O Islã não endossa o terrorismo, a matança
de inocentes ou mesmo a destruição de propriedades.
Sob condições normais, os muçulmanos
não fariam nada disso. Ainda que só uns poucos
muçulmanos contestem o que está esgotado em
nome da sua religião. Os oportunistas vestem uma máscara
islâmica para justificar seus crimes, e nossa mídia
os apóia e, com isso, também nosso próprio
empobrecimento, ignorância e opressão.
Somente uma forte presença da mídia contrabalançando
trará uma mudança positiva, como nossos esforços
iniciais sugeridos em Bangladesh. Nosso tablóide semanal,
The Weekly Blitz, é a única publicação
no mundo muçulmano onde as pessoas podem ler coisas
positivas sobre Israel.
Obviamente, nossos passos iniciais são algumas tentativas,
mas elas estão rendendo os primeiros frutos do sucesso.
Em Bangladesh, no meio da arenga monolítica antiisraelense,
estão entrando algumas vozes, para o questionamento
da sabedoria daquela posição. Serenamente,
algumas almas valentes estão questionando o que antes
era uma doutrina inquestionável.
Mas nossos esforços são tímidos e hesitantes
comparados ao grande barulho ouvido dia após dia dos
outros gigantes da mídia. Os muçulmanos precisam
ouvir mais vozes de dissensão, de razão, de
decência. E uma democracia como Bangladesh justamente
poderia nos oferecer uma “cabeça de ponte” ao
unir-se a esta batalha épica.
A mídia poderia desempenhar um papel efetivo e dinâmico
propagando a herança cultural da comunidade judaica,
suas festas religiosas e suas tradições nos
países muçulmanos, tanto quanto o fez com o
Cristianismo em Bangladesh.
As mesquitas, as madrassas, e as mídias muçulmanas
tiveram poder absoluto sobre os nossos corações
e nossas mentes por tempo demais. Ao invés de referirmo-nos à má intenção — que
há entre alguns; ou ignorância — que também
existe, deixem-nos perfurar a cortina de ferro da ignorância
e do ódio com o maior poder da terra: conhecimento,
informação e pela a aberta troca de idéias.
--
O autor deste discurso que seria pronunciado em Israel era
o editor da revista semanal The Weekly Blitz, de Bangladeshi,
quando foi preso e acusado de, mas não imputado, apoiar
o Estado de Israel. Ele esperava julgamento na cela nº 15
da prisão central de Dhaka, em Bangladesh. Por ter
sido impedido de viajar a Israel, onde faria seu pronunciamento,
este foi então publicado no The Jerusalem Post. Veja
mais informações a respeito nos webistes www.freechoudhury.com
e www.penusa.org.
Notas:
1 – Shahids, – plural de shahid, mártir,
em árabe.
2 – Jihad – No islã, literalmente, “guerra
santa”.
3 – Mullahs – plural de mullah, professor ou
versado na lei islâmica.
* Richard L. Benkin dirige a campanha internacional para
libertar o jornalista Salah Uddin Shoaib Choudhury e criou
o website www.freechoudhury.com. Publicado em inglês
no jornal israelense The Jerusalem Post.