As mentiras de um embaixador - Jornalista muçulmano foi preso em Bangladesh por defender a paz com Israel

Por: Richard L. Benkin

Salah Uddin Shoaib Choudhury é um jornalista que está preso em Bangladesh pelo "crime" de defender o diálogo entre as religiões e o fim do ódio cego a Israel em seu país. O esforço de 16 meses para libertá-lo avançou significativamente semanas atrás em Washington, quando o congressista Mark Kirk, (Partido Republicano — Illinois) e eu, nos reunimos com o embaixador de Bangladesh nos Estados Unidos, Shamsher Chowdhury.

Shoaib Choudhury é um muçulmano que teve a coragem de condenar o aumento do poder do Islã radical em Bangladesh. O jornal que ele publicou e editou, The Weekly Blitz, deu ao seu povo as primeiras notícias imparciais sobre o Oriente Médio antes que a polícia o agarrasse em 2003, quando se preparava para ir falar na Conferência dos Escritores Judeus, em Tel Aviv sobre "O Papel de Mídia na Criação de uma Cultura de Paz".

Logo após a prisão dele, a polícia invadiu sua casa e o escritório, e apreendeu computadores, arquivos e outros materiais. Uma turba, em seguida, saqueou aqueles locais, impunemente. Sua família foi ameaçada e depois até mesmo atacada. Um irmão dele teve que fugir da capital duas vezes. Uma multidão aglomerou-se em frente à casa da família, e a polícia pôs a culpa de tudo isso na "aliança dos Choudhurys com os judeus".

O governo disse que “Choudhury estava fazendo espionagem para os interesses de Israel contra os interesses de Bangladesh" e orquestrou uma campanha de difamação. Eles consideraram o discurso não realizado de Choudhury como a evidência mais forte de sua perfídia e disseram que ele infringiu as leis de Bangladesh tentando visitar Israel. Choudhury permanece atrás das grades com a saúde se deteriorando, sem um processo formal, e enfrentando um delito capital. Banido do emprego, sua família está à beira da ruína financeira.

Na nossa reunião, o embaixador de Bangladesh declarou que a prisão de Choudhury estava relacionada a uma disputa financeira "puramente interna" e que não teve "nada a ver com a tentativa dele viajar a Israel" ou suas atividades jornalísticas. Isto era obviamente falso, e não pode explicar seus 17 meses de cárcere ou as numerosas acusações contra ele feitas e diretamente relacionadas ao seu apoio a Israel.

Kirk insistiu que o assunto seja resolvido com rapidez e Choudhury libertado. Nós também apresentamos evidências, contrárias às afirmações do governo de que Choudhury está sendo bem tratado, que ele que não está recebendo cuidados médicos adequados.

O embaixador prometeu corrigir isso, e então anunciou que de agora em diante, os cidadãos de Bangladesh poderiam viajar livremente para Israel. O teste óbvio de tal proclamação será comprovado se Choudhury for libertado imediatamente, inocentado, compensado e for permitido que se expresse como ele deseja.

Promessas anteriores do governo significaram pouco, tomando tempo de Choudhury e de sua família de novo. A crescente irritação nos Estados Unidos, porém, não será suavizada com promessas vazias, ou através de declarações de que Bangladesh é uma democracia quando as liberdades de um homem e a liberdade de expressão são esmagadas tão rudemente. Mas isso não nos importa. Não descansaremos até que nosso amigo esteja livre.

A cultura de morte da mídia muçulmana

Shoaib Choudhury

Que emoção para mim é estar aqui em Israel! Sabe, isso pode ser inesperado vindo de alguém de Bangladesh, mas eu tenho que contar-lhes que essa vinda aqui foi o sonho de toda minha vida. No momento em que eu sai do avião e pisei o solo israelense, eu realizei esse sonho; e eu não posso agradecer-lhes o bastante por ajudarem a fazer disto uma realidade.
Hoje, estou diante de vocês talvez como uma contradição viva: um sionista, um defensor de Israel e um devoto praticante muçulmano que mora em um país muçulmano.

Como vocês eu acredito na justiça do sonho sionista. Eu também reconheço esta realidade histórica: que o mundo pretendeu esmagar esse sonho e, sim, até mesmo destruir a viabilidade do povo judeu.

Ao mesmo tempo eu vivo num ambiente onde as pessoas acreditam da mesma maneira apaixonadamente numa visão adversária que vê Israel como ilegítimo e o povo judeu como o mal encarnado. Testemunhei a recente declaração do primeiro-ministro da Malásia, Mohammed Mahathir, ao deixar o poder, de que os "judeus governam o mundo".

Uma verdadeira cultura de paz é muito mais que a cessação de hostilidades. Inclui justiça e tolerância para todas as pessoas. Permite a cada pessoa para ter orgulho da sua própria fé, enquanto respeita o orgulho que corre pelas veias daqueles que seguem outros caminhos para D-us.

Em Israel, vocês têm qualquer número de pontos de vista que são ventilados em qualquer número de fóruns. Vocês têm Likud; vocês têm Avodá (Trabalhistas). Vocês têm Shas; vocês têm Shinui. Vocês têm Paz Agora; vocês têm o Crente do Monte do Templo. Vocês têm The Jerusalem Post; vocês têm Haaretz.

Na maior parte do mundo muçulmano as coisas têm sua diversidade como um sinal de fraqueza e desunião, uma falta de resolução; nós sabemos que é sua grande força. É complicado, temos que admitir. Mas o fato de vocês não sentirem ser necessário controlar o fluxo da informação para seu povo significa que vocês os respeitam muito mais que nós fazemos com os nossos — de quem nós guardamos as notícias e negamos diálogo aberto, especialmente quando vem de Israel e do povo judeu.

Para alguns, o mundo muçulmano pode parecer uma grande massa indiferenciada. Talvez de algum modo seja. Mas, claro que essa imagem é simplista. Permitam-me contar-lhes um pouco sobre meu país, Bangladesh. Porque eu acredito que seja exclusivamente apropriado para nos ajudar a construir uma cultura de paz no mundo muçulmano.

Muitos de vocês poderão lembrar de quando Bangladesh era chamado de Paquistão Oriental — parte da porção muçulmana formada fora da ex-colônia britânica. Na realidade, Bangladesh hoje tem aproximadamente 83 por cento de muçulmanos e uma população total de cerca de 140 milhões. É um das maiores populações muçulmanas do mundo. Mas os muçulmanos de Bangladesh são conhecidos por estar entre os muçulmanos mais tolerantes do globo.

O maior percentual de não-muçulmanos em Bangladesh é de hindus. Outros fazem parte das assim chamadas religiões "orientais" e "tribais". Mas nós também temos uma pequena população cristã, e eu quero compartilhar nossa experiência em Bangladesh, porque acredito que seja muito ilustrativa.

Missionários cristãos, como sabemos, são ativos em todo o mundo, incluindo em vários países muçulmanos. Eles dirigem igrejas e escolas com o objetivo de convencer pessoas convincentes a abraçar o cristianismo. Líderes muçulmanos sempre não lhes deram as boas-vindas. No Paquistão, na Arábia Saudita e em outros lugares eles foram atacados, foram presos e foram expulsos. Mas entre os muçulmanos tolerantes de Bangladesh uns 400 e tantos missionários atuam livres de tais perturbações. E eles tiveram sucesso na conversão de cerca de 500.000 membros de grupos tribais e várias minorias à sua fé. Consideramos nós os muçulmanos de Bangladesh isto uma ofensa contra O Profeta? Os convertidos enfrentam problemas legais ou outras dificuldades? Não, porque isso não é nosso jeito. O dia de Natal é feriado público em Bangladesh, embora o Islã seja nossa religião oficial.

Mas até mesmo em Bangladesh — e certamente em outros lugares do mundo muçulmano — muitos de nós temos um ponto cego. E estou envergonhado dizer que com relação ao povo judeu e Israel que tantos ignoram convenientemente os mais nobres e até mesmo essenciais princípios do Islã e de decência humana básica.

Os missionários islâmicos que criaram raízes recentemente em Bangladesh têm, é claro, uma agenda bem diferente que suas contrapartes cristãs. Baseados em forças obscuras no Oriente Médio e África, eles agem sob nomes caridosos que soam como Hospital islâmico, Serviço de Ambulância Gratuito e Jardim de Infância Madrassa.

Mas caridosos eles não são. Alegações sussurradas — objeções mais altas o colocam em risco considerável — pois aquelas madrassas islâmicas jardins de infância, treinam crianças para a guerra de guerrilhas e obtêm apoio quando muitos dos seus graduados entram nos campos batalha real no Afeganistão e no Iraque. Alguns até mesmo se oferecem como voluntários para lutar ao lado da OLP e outras organizações terroristas por aqui.
“ Soldados Repatriados da Palestina” é uma organização de Bangladesh que cuida dos "soldados" feridos na luta aqui e depois recruta novo grupo de terroristas para tomar seu lugar.

Vocês poderiam pensar que tais revelações colocariam organizações como essa num foco negativo. Apesar disso, qualquer coisa, para minha decepção, melhora sua posição aos olhos de muitos cidadãos de Bangladesh.

Essa popularidade levou-os aos bairros mais abundantes, longe das áreas mais pobres que uma vez foram os seus locais exclusivos. Filhos de proeminentes cidadãos de Bangladesh freqüentam as madrassas onde eles agora aprendem bengali (nosso idioma local), árabe, urdu, inglês e, em alguns lugares, o francês, como também outras matérias anunciadas. Mas eles também aprendem teoria e prática da guerra de guerrilha. Velhos ódios são ensinados como sendo fé, e eles aprendem a venerar Bin Laden, Yasser Arafat, Saddam Hussein e os shahids1. Crianças muçulmanas inocentes são seduzidas para a jihad2, são ensinadas odiar os cristãos e os judeus e são encorajadas a matá-los e a destruir suas propriedades como se fosse um dever religioso.

Assim, isto me aflige pelo fato de estarmos permitindo que estas crianças, os futuros líderes de Bangladesh, tenham seus cérebros lavados com ódio e extremismo. Estas instituições estão seguramente gerando milhares de Bin Ladens e Arafats para o futuro.

Eu tinha ouvido esta imundície desde a infância. Quando cresci, voltei meus olhos para a Bíblia, e muitos outros livros; tive amigos cristãos e judeus, e agora estou convencido de que o que os mullahs3 ensinaram não só era inteiramente falso, mas também era o mal. Isso não só está claro para mim, como para muitos outros em meu país.

Para que haja qualquer chance de paz duradoura, isto tem que mudar. Como nós podemos ter paz quando a maioria dos muçulmanos ainda acredita que Israel esteve por trás dos ataques do 11 de Setembro nos Estados Unidos da América? Como podemos ter paz quando os muçulmanos vêem seus próprios líderes recusando reconhecer até mesmo o direito de Israel existir? Como podemos ter paz quando nem ouvimos nem lemos qualquer coisa ao contrário?
Nós não podemos. É bastante simples: não haverá nenhuma presença muçulmana significativa em qualquer diálogo de paz sem uma mídia efetiva que combata no mundo muçulmano as falsas imagens que hoje constroem a cultura de morte.
O Islã não endossa o terrorismo, a matança de inocentes ou mesmo a destruição de propriedades. Sob condições normais, os muçulmanos não fariam nada disso. Ainda que só uns poucos muçulmanos contestem o que está esgotado em nome da sua religião. Os oportunistas vestem uma máscara islâmica para justificar seus crimes, e nossa mídia os apóia e, com isso, também nosso próprio empobrecimento, ignorância e opressão.

Somente uma forte presença da mídia contrabalançando trará uma mudança positiva, como nossos esforços iniciais sugeridos em Bangladesh. Nosso tablóide semanal, The Weekly Blitz, é a única publicação no mundo muçulmano onde as pessoas podem ler coisas positivas sobre Israel.

Obviamente, nossos passos iniciais são algumas tentativas, mas elas estão rendendo os primeiros frutos do sucesso. Em Bangladesh, no meio da arenga monolítica antiisraelense, estão entrando algumas vozes, para o questionamento da sabedoria daquela posição. Serenamente, algumas almas valentes estão questionando o que antes era uma doutrina inquestionável.

Mas nossos esforços são tímidos e hesitantes comparados ao grande barulho ouvido dia após dia dos outros gigantes da mídia. Os muçulmanos precisam ouvir mais vozes de dissensão, de razão, de decência. E uma democracia como Bangladesh justamente poderia nos oferecer uma “cabeça de ponte” ao unir-se a esta batalha épica.
A mídia poderia desempenhar um papel efetivo e dinâmico propagando a herança cultural da comunidade judaica, suas festas religiosas e suas tradições nos países muçulmanos, tanto quanto o fez com o Cristianismo em Bangladesh.
As mesquitas, as madrassas, e as mídias muçulmanas tiveram poder absoluto sobre os nossos corações e nossas mentes por tempo demais. Ao invés de referirmo-nos à má intenção — que há entre alguns; ou ignorância — que também existe, deixem-nos perfurar a cortina de ferro da ignorância e do ódio com o maior poder da terra: conhecimento, informação e pela a aberta troca de idéias.
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O autor deste discurso que seria pronunciado em Israel era o editor da revista semanal The Weekly Blitz, de Bangladeshi, quando foi preso e acusado de, mas não imputado, apoiar o Estado de Israel. Ele esperava julgamento na cela nº 15 da prisão central de Dhaka, em Bangladesh. Por ter sido impedido de viajar a Israel, onde faria seu pronunciamento, este foi então publicado no The Jerusalem Post. Veja mais informações a respeito nos webistes www.freechoudhury.com e www.penusa.org.

Notas:
1 – Shahids, – plural de shahid, mártir, em árabe.
2 – Jihad – No islã, literalmente, “guerra santa”.
3 – Mullahs – plural de mullah, professor ou versado na lei islâmica.

* Richard L. Benkin dirige a campanha internacional para libertar o jornalista Salah Uddin Shoaib Choudhury e criou o website www.freechoudhury.com. Publicado em inglês no jornal israelense The Jerusalem Post.