Tishá Beav - 14 de julho de 2005 – 9 de Av

O dia 9 de Av – Tishá Beav – é um dia de jejum público (semelhante ao de Iom Kipur) e luto pela destruição dos dois Templos de Jerusalém. O primeiro foi destruído por Nabucodonosor em 586 a.e.c., e o segundo por Tito, em 70 e.c. Ambos foram destruídos no mesmo dia.

Depois do Iom Kipur, Tishá Beav é o dia de jejum mais importante do calendário judaico. Ele marca o último dia do período de três semanas de intenso luto nacional pelos eventos que levaram à perda da independência judaica com a destruição dos santuários da vida judaica.

Tal como no Iom Kipur, o jejum começa antes do pôr-do-sol e termina após o pôr-do-sol no dia seguinte. Nada pode ser bebido ou comido, inclusive água. Na sinagoga a cortina existente na frente da Arca é retirada. No serviço do anoitecer, acendem-se velas suficientes para a leitura do serviço e os fiéis não se sentam em bancos ou cadeiras, mas no chão ou em banquinhos baixos e descalços que são sinal de luto, que também são seguidos pelos enlutados durante a shivá (a primeira semana de luto após a morte de um parente). O uso de sapatos de couro é proibido.

Na última refeição antes do jejum, comem-se pãezinhos redondos e ovos, e às vezes, se espalham cinzas sobre os ovos. O círculo não tem começo nem fim, assim como a eternidade. Portanto, estes alimentos têm sido, desde longa data, associados com o luto e a vida eterna. Alimentos redondos são servidos tradicionalmente para os enlutados quando voltam do cemitério, depois do funeral. Alguns dos costumes observados pelos enlutados são seguidos em Tishá Beav. As cinzas são espalhadas sobre os ovos como símbolo de luto, em algumas comunidades, mas não se trata de um costume muito comum.

Após o serviço ao anoitecer, lê-se o Livro das Lamentações, e isto é seguido pela leitura de elegias, hinos e preces de luto, que são publicadas num livreto especial e mantidas na sinagoga para este dia. Os ashkenazim e os sefaradim possuem muitas elegias diferentes, em parte em virtude do fato de que a expulsão dos judeus da Espanha, em 1492, também ocorreu no nono dia de Av e também a queda de Betar (a última fortaleza judaica durante a rebelião contra os romanos) em 135 e.c. No serviço matutino, nem talit (xale de orações) nem tefilin (filactérios) são usados, pois são considerados enfeites. São, contudo, colocados à tarde, para o serviço de Minchá, de maneira que a mitsvá possa ser cumprida. As lamentações são lidas após o serviço, assim como as elegias. Permite-se o trabalho no Tishá Beav, mas barbear-se, relações conjugais, festas, casamentos e até mesmo o estudo da Torá são proibidos, por constituírem ocupações agradáveis.

Embora todas as três semanas que antecedem Tishá Beav sejam de luto, os nove dias antes de nove de Av são observados com maior intensidade. A Mishná (Lei Oral compilada) observa que, para recordar a destruição do Templo, durante estes nove dias, não se deve cortar o cabelo nem lavar as roupas (salvo na quinta-feira, para honrar o shabat).
Exceto no shabat, não se consome vinho e carne durante os primeiros nove dias de Av (denominados “os Nove Dias”). Uma vez que vinho e carne são tradicionalmente servidos em ocasiões festivas, eles são proibidos nestes Nove Dias. Durante este período, os produtos lácteos são consumidos.