O dia 9 de Av – Tishá Beav – é um
dia de jejum público (semelhante ao de Iom Kipur)
e luto pela destruição dos dois Templos de
Jerusalém. O primeiro foi destruído por Nabucodonosor
em 586 a.e.c., e o segundo por Tito, em 70 e.c. Ambos foram
destruídos no mesmo dia.
Depois do Iom Kipur, Tishá Beav é o dia de
jejum mais importante do calendário judaico. Ele marca
o último dia do período de três semanas
de intenso luto nacional pelos eventos que levaram à perda
da independência judaica com a destruição
dos santuários da vida judaica.
Tal como no Iom Kipur, o jejum começa antes do pôr-do-sol
e termina após o pôr-do-sol no dia seguinte.
Nada pode ser bebido ou comido, inclusive água. Na
sinagoga a cortina existente na frente da Arca é retirada.
No serviço do anoitecer, acendem-se velas suficientes
para a leitura do serviço e os fiéis não
se sentam em bancos ou cadeiras, mas no chão ou em
banquinhos baixos e descalços que são sinal
de luto, que também são seguidos pelos enlutados
durante a shivá (a primeira semana de luto após
a morte de um parente). O uso de sapatos de couro é proibido.
Na última refeição antes do jejum, comem-se
pãezinhos redondos e ovos, e às vezes, se espalham
cinzas sobre os ovos. O círculo não tem começo
nem fim, assim como a eternidade. Portanto, estes alimentos
têm sido, desde longa data, associados com o luto e
a vida eterna. Alimentos redondos são servidos tradicionalmente
para os enlutados quando voltam do cemitério, depois
do funeral. Alguns dos costumes observados pelos enlutados
são seguidos em Tishá Beav. As cinzas são
espalhadas sobre os ovos como símbolo de luto, em
algumas comunidades, mas não se trata de um costume
muito comum.
Após o serviço ao anoitecer, lê-se o
Livro das Lamentações, e isto é seguido
pela leitura de elegias, hinos e preces de luto, que são
publicadas num livreto especial e mantidas na sinagoga para
este dia. Os ashkenazim e os sefaradim possuem muitas elegias
diferentes, em parte em virtude do fato de que a expulsão
dos judeus da Espanha, em 1492, também ocorreu no
nono dia de Av e também a queda de Betar (a última
fortaleza judaica durante a rebelião contra os romanos)
em 135 e.c. No serviço matutino, nem talit (xale de
orações) nem tefilin (filactérios) são
usados, pois são considerados enfeites. São,
contudo, colocados à tarde, para o serviço
de Minchá, de maneira que a mitsvá possa ser
cumprida. As lamentações são lidas após
o serviço, assim como as elegias. Permite-se o trabalho
no Tishá Beav, mas barbear-se, relações
conjugais, festas, casamentos e até mesmo o estudo
da Torá são proibidos, por constituírem
ocupações agradáveis.
Embora todas as três semanas que antecedem Tishá Beav
sejam de luto, os nove dias antes de nove de Av são
observados com maior intensidade. A Mishná (Lei Oral
compilada) observa que, para recordar a destruição
do Templo, durante estes nove dias, não se deve cortar
o cabelo nem lavar as roupas (salvo na quinta-feira, para
honrar o shabat).
Exceto no shabat, não se consome vinho e carne durante
os primeiros nove dias de Av (denominados “os Nove
Dias”). Uma vez que vinho e carne são tradicionalmente
servidos em ocasiões festivas, eles são proibidos
nestes Nove Dias. Durante este período, os produtos
lácteos são consumidos.