As expectativas do segundo encontro entre o primeiro ministro
israelense, Ariel Sharon, e o presidente palestino, Mahmoud
Abbas, não foram alcançadas. Mas não
surpreendeu a ninguém: Após a escalada da violência
nas últimas semanas em Gaza e na Cisjordânia,
muito pouco se poderia obter. A reunião, que durou
pouco mais de duas horas, aconteceu a portas fechadas na
residência de Sharon em Rehavia, um bairro de Jerusalém
Oeste. Ao final do encontro, os dois não apareceram
nem juntos nem separados para fazer uma declaração.
As avaliações vieram de seus porta-vozes e
colaboradores. O fato de Abbas concordar em encontrar-se
com Sharon na cidade que tanto israelenses como palestinos
reclamam como capital, provocou duras críticas do
Hamas ao presidente palestino. Ao sair da reunião,
o primeiro-ministro palestino, Ahmed Qureia disse: "foi
uma reunião difícil e não cobriu nossas
expectativas".
De sua parte, a única referência que Ariel Sharon
fez foi sobre a reunião não ter tido um tom
tão negativo e teve como pano de fundo a coordenação
da retirada de Gaza prevista para meados de agosto com os
palestinos. Sharon mostrou-se satisfeito pelo acordo de "uma
coordenada desconexão para assegura um êxito
pacífico para ambas as partes".
Sharon conversou sobre a possível transferência à Autoridade
Palestina das cidades cisjordanianas de Belém e Kalkilya,
compromisso assumido na Conferência de Sharm el-Sheik,
em fevereiro. Entre outros pontos, também autorizou
a entrada em Israel de cerca de 26 mil trabalhadores palestinos
e a reabertura do aeroporto de Gaza.
Israel quer assegurar-se que durante a retirada de Gaza,
prevista para agosto, as milícias palestinas manterão
a calma. O porta-voz do primeiro-ministro israelense Ranan
Grissim advertiu que "se os palestinos atacarem ou dispararem
contra soldados israelenses ou contra as pessoas que estarão
saindo aos milhares, em comboios tomaremos medidas muito
duras para deter o fogo. A retirada não se deterá,
mas o fogo, posso-lhes prometer que se deterá".
A Autoridade Palestina pediu ainda o estabelecimento de uma
via de ligação entre Gaza e Cisjordânia
após evacuação.