Dia 3 de Tamuz, este ano, dia 10 de julho de 2005, é o
11º ano do passamento do maior líder judaico da geração,
Rabi Menachem Mendel Schneerson, o Rebe de Lubavitch. Judeus
do mundo inteiro, especialmente os chassidim de Chabad preparam-se
espiritualmente para poder sintonizar-se com a intensa energia
e conectar-se com a alma do Tsadik da geração.
Acrescenta-se em atos de bondade e caridade para reunir méritos
para a revelação do Mashiach em breve.
O Rebe costumava repetir que considerava todo judeu como seu
filho. Perguntamo-nos, pois, como ele pôde agüentar
a morte de seis milhões de seus filhos. E, ainda assim,
ele nunca se desesperou ou perdeu a fé. Certa vez perguntaram à esposa
do Rebe o que ela pensava sobre seu marido. “Vou dizer-lhe
uma coisa”, respondeu. “Meu marido crê em D-us”.
O Holocausto e as perseguições dos comunistas fizeram
balançar a fé de muitos. Mas, apesar de seu próprio
sofrimento, o Rebe conseguiu restaurar a fé de muitos
judeus. Ele era um pilar de coragem, um baluarte de justiça
e virtude. Muitas pessoas lhe escreviam, em desespero. Ele lhes
respondia que o desespero é diametralmente oposto a tudo
aquilo em que acreditamos: o fato de que existe um D-us, Onipresente,
que guia os passos de cada ser humano em direção à realização
de seus objetivos. Ele consolava os enlutados, instilava coragem
aos que temiam e levou muito júbilo e amor a muitas e
muitas vidas. De fato, como ensinam os místicos judeus,
o nome de uma pessoa revela a sua essência. Em hebraico,
Menachem significa “aquele que consola”. O famoso
escritor, sobrevivente do Holocausto e Prêmio Nobel da
Paz, Elie Wiesel, declarou, certa vez: “Sempre que visitava
o Rebe, ele conseguia tocar o mais íntimo do meu ser.
Isto é válido para qualquer pessoa que tenha ido
vê-lo. De algum modo, quando a pessoa saía, sentia
estar vivendo com maior intensidade e elevação,
em um nível mais alto, com um senso mais profundo de sua
existência e uma busca mais intensa pela vida e por seu
significado”.
Os anos mais recentes
Durante seus quarenta e quatro anos de liderança, o Rebe
transformou o movimento Lubavitch, antes um agrupamento pequeno,
quase aniquilado pelo Holocausto, em uma comunidade de âmbito
mundial com mais de 200 mil membros. Fundou centenas de centros
educacionais que oferecem atendimento social e ajuda humanitária
a todos os necessitados, independentemente de nacionalidade ou
religião. Instituiu o sistema de shluchim – emissários
do movimento Lubavitch, enviando-os a várias partes do
mundo para lá fundar e dirigir centros de difusão
Chabad-Lubavitch. Hoje há mais de 2.700 dessas instituições
nos seis continentes. As razões fundamentais para a criação
desses centros são fortalecer o judaísmo, aproximar
os judeus da Torá e de sua herança cultural e ajudar
aqueles que estejam carentes material ou espiritualmente. Existe,
porém, uma razão mais profunda. Lembremo-nos do
que respondeu o Messias ao Baal Shem Tov acerca de sua vinda: “Quando
as fontes de teus ensinamentos estejam disseminadas por todos
os cantos do mundo”. Com o avançar dos anos, o Rebe
não mais podia atender todos os que desejavam ir à sua
presença. Foi assim que, a partir de 1986, passou a saudar
milhares de visitantes a cada domingo, distribuindo notas de
um dólar que tinham o objetivo de estimular quem as recebia
a praticar a caridade.
Quanto mais idoso, mais vibrante se tornava. Quando pessoas de
seu círculo íntimo, bem-intencionadas, aconselhavam-no
a diminuir o ritmo de suas atividades, ele reagia fazendo exatamente
o oposto. Dia após dia de sua existência, dedicava-se
por completo – física e espiritualmente – a
todos e a cada um dos homens e a D-us, Todo-Poderoso.
Mas, em 1992, aos 90 anos, o Rebe teve um derrame. Faleceu dois
anos mais tarde, em 12 de junho de 1994. Aquele homem que não
tivera filhos deixava órfão todo um povo; quiçá,
o mundo todo. Como afirmou, um dia, um famoso escritor, o Rebe
não era apenas o Rebe de Lubavitch, mas o Rebe do mundo
todo.
Logo após sua morte, o Congresso dos Estados Unidos votou
uma proposta que lhe outorgava, postumamente, a Medalha de Ouro
do Congresso. Aprovada unanimemente na Câmara e no Senado,
o decreto-lei homenageava o Rebe por “sua destacada e duradoura
contribuição para o aperfeiçoamento do ensino,
da moralidade e da caridade, em todo o mundo”.
Maior do que em vida
O Rebe deixou este mundo, fisicamente, no terceiro dia do mês
de Tamuz. Nesse mesmo dia, há milhares de anos, Yehoshua
(Josué) liderava os filhos de Israel em uma importante
batalha pela conquista da Terra de Israel. Mas, como se aproximava
o Shabat, Yehoshua implorou a D-us que detivesse o sol para que
a batalha pudesse prosseguir sem que se violasse o Sábado
sagrado. Seu pedido foi atendido; e o sol não se pôs
durante as 36 horas seguintes. Por isso, o dia 3 de Tamuz é associado
a um milagre sobrenatural – um dia em que o sol não
se pôs até que a vitória fosse alcançada.
Quão adequado para o Rebe: um homem cujas preces a D-us
resultaram em tantos milagres; um líder do povo judeu
que construiu um império de bondade onde o sol nunca se
põe.
Há um ensinamento judaico que diz que um verdadeiro pastor
nunca abandona seu rebanho. O Talmud afirma que nosso patriarca
Jacob nunca morreu. Nem tampouco Moshê Rabeinu, nosso Mestre,
nem o Nosso Mestre Santificado, Rabeinu Ha-Kadosh Rabi Yehudá Ha-Nassi.
Suas almas estão sempre em nossa volta, ajudando-nos e
nos abençoando em nossos afazeres mundanos. O mesmo pode
ser dito do Rebe e de seu antecessor, Rabi Yosef Yitzhak. O Zohar,
livro base da Cabalá, revela que os poderes das bênçãos
de um tzadik, um homem integralmente justo e virtuoso, são
ainda maiores após sua morte do que em vida. Pois quando
sua alma deixa o corpo, o tzadik liberta-se das limitações
terrenas.
* Mordechai Kaczala é rabino do Beit Chabad de Curitiba.
Fonte: site www.morasha.com.br