Visão Judaica - Edição N° 26
:. Ética judaica e kashrut - O respeito ao ser humano, aos animais e a todo o meio ambiente .:

 

 

Por: Sérgio Rosvald Donaire*

Na tradição judaica aprendemos como é importante respeitar cada elemento da Criação. No Ocidente, em geral, em boa parte também pela influência do monoteísmo ético judaico, muito de nós abominam certas práticas culinárias adotadas por algumas pessoas em países do Extremo Oriente.
Não pretendo aqui abordá-las em detalhe, mas em resumo, tais práticas maltratam sobremaneira certos animais, que chocam até os corações mais empedernidos. Certos animais são comidos vivos (o que a Torá proíbe), outros são maltratados (também proibido pela Torá) para pretensamente "melhorar seu sabor", revelando egoísmo do ser humano que pratica tal ato.
Um importante líder de um país no Extremo Oriente, tido como grande "gourmet" por muitos, come sashimi de peixe vivo (jornal "O Estado de S. Paulo", 4 julho de 2004).
A ética judaica e os princípios da kashrut (alimentação adequada) também visam a que na alimentação possamos auxiliar na retificação do mundo — Tikun Olam — revelando e elevando a parte Divina contida no alimento. Portanto, alimentar-se deve ser um ato sagrado e de muito significado. Por isto abençoamos a comida.
O que nos choca ainda, enquanto participantes de uma sociedade ocidental, é ver na televisão, eventualmente, a célebre corrida de touros. Não podemos concordar que isto ainda continue acontecendo. Para quem já teve oportunidade de assistir, é lamentável o sofrimento e a angústia destes animais inocentes, provocados pela turba ensandecida. Quem são os animais e quem são os seres humanos? Deveríamos ter vergonha e arrependimento.
Não foi para isso que D-us nos deu o livre-arbítrio. Não foi para maltratar os outros seres da Criação, subvertendo nossa condição humana.
Os leitores lembram do episódio da "vaca-louca" na Europa? Pois já ficou muito bem claro que a causa deste desastre foi, na verdade, obrigar o ruminante herbívoro a alimentar-se com ração contendo partes animais. E quanto à gripe dos frangos?
Enquanto o ser humano negar as Leis da Natureza, estará negando as Leis de D-us. O ponto é que temos que impedir estas e outras agressões à fauna e à flora, pois como diz o velho ditado: "a Natureza se vinga".
Quantos distúrbios climatológicos de hoje foram causados pelo excessivo desrespeito ao equilíbrio vigente na natureza? Que outras conseqüências poderão advir de nossos atos de hoje? Mantenhamos estas questões em mente quando estamos avaliando projetos de investimentos, quando no dia-a-dia nos alimentamos, quando jogamos resíduos em local inadequado e mesmo quando abusamos do uso dos recursos naturais escassos à nossa disposição.
Ter consciência ambiental é ter consciência do Todo do qual fazemos parte, pois somos "uma parte do D-us acima". Shalom Uvrachá.

*Sérgio Rosvald Donaire é consultor empresarial.

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