Por: Sérgio
Rosvald Donaire*
Na tradição judaica aprendemos como é importante
respeitar cada elemento da Criação. No Ocidente,
em geral, em boa parte também pela influência do monoteísmo ético
judaico, muito de nós abominam certas práticas culinárias
adotadas por algumas pessoas em países do Extremo Oriente.
Não pretendo aqui abordá-las em detalhe, mas em resumo,
tais práticas maltratam sobremaneira certos animais, que
chocam até os corações mais empedernidos.
Certos animais são comidos vivos (o que a Torá proíbe),
outros são maltratados (também proibido pela Torá)
para pretensamente "melhorar seu sabor", revelando egoísmo
do ser humano que pratica tal ato.
Um importante líder de um país no Extremo Oriente,
tido como grande "gourmet" por muitos, come sashimi de
peixe vivo (jornal "O Estado de S. Paulo", 4 julho de
2004).
A ética judaica e os princípios da kashrut (alimentação
adequada) também visam a que na alimentação
possamos auxiliar na retificação do mundo — Tikun
Olam — revelando e elevando a parte Divina contida no alimento.
Portanto, alimentar-se deve ser um ato sagrado e de muito significado.
Por isto abençoamos a comida.
O que nos choca ainda, enquanto participantes de uma sociedade
ocidental, é ver na televisão, eventualmente, a célebre
corrida de touros. Não podemos concordar que isto ainda
continue acontecendo. Para quem já teve oportunidade de
assistir, é lamentável o sofrimento e a angústia
destes animais inocentes, provocados pela turba ensandecida. Quem
são os animais e quem são os seres humanos? Deveríamos
ter vergonha e arrependimento.
Não foi para isso que D-us nos deu o livre-arbítrio.
Não foi para maltratar os outros seres da Criação,
subvertendo nossa condição humana.
Os leitores lembram do episódio da "vaca-louca" na
Europa? Pois já ficou muito bem claro que a causa deste
desastre foi, na verdade, obrigar o ruminante herbívoro
a alimentar-se com ração contendo partes animais.
E quanto à gripe dos frangos?
Enquanto o ser humano negar as Leis da Natureza, estará negando
as Leis de D-us. O ponto é que temos que impedir estas e
outras agressões à fauna e à flora, pois como
diz o velho ditado: "a Natureza se vinga".
Quantos distúrbios climatológicos de hoje foram causados
pelo excessivo desrespeito ao equilíbrio vigente na natureza?
Que outras conseqüências poderão advir de nossos
atos de hoje? Mantenhamos estas questões em mente quando
estamos avaliando projetos de investimentos, quando no dia-a-dia
nos alimentamos, quando jogamos resíduos em local inadequado
e mesmo quando abusamos do uso dos recursos naturais escassos à nossa
disposição.
Ter consciência ambiental é ter consciência
do Todo do qual fazemos parte, pois somos "uma parte do D-us
acima". Shalom Uvrachá.
*Sérgio Rosvald Donaire é consultor
empresarial.