Por: Benjamin Netanyahu
Embora a conclusão, na semana passada, por parte da Corte Internacional
de Justiça da ONU, de que a barreira erigida por Israel na Cisjordânia é ilegal,
possa ser comemorada pelos terroristas que gostariam de matar civis israelenses,
o episódio não modifica o fato de que nenhum dos argumentos
contrários ao muro de segurança possui qualquer mérito.
Primeiro, Israel não está construindo o muro em território
que segundo a lei internacional possa ser apropriadamente chamado de "terra
palestina". A barreira está sendo construída em territórios
disputados que Israel conquistou em uma guerra defensiva em 1967; territórios
sujeitos a uma ocupação jordaniana que nunca foi reconhecida
pela comunidade internacional.
Tanto Israel quanto os palestinos reivindicam a posse dessa terra. Segundo
a Resolução 242 do Conselho de Segurança da Organização
das Nações Unidas, essa disputa precisa ser resolvida por uma
paz negociada que proporcione a Israel segurança e fronteiras reconhecidas.
Segundo, o muro não é uma fronteira política permanente,
mas uma barreira de segurança temporária. Um muro sempre pode
ser retirado. Recentemente, Israel removeu 19 quilômetros de muro para
facilitar o dia-a-dia dos palestinos. E, no mês passado, a Suprema
Corte de Israel ordenou ao governo que transferisse a localização
de outros 32 quilômetros pelo mesmo motivo.
Na verdade, a linha indefensável sobre a qual muita gente argumentou
que o muro deveria ser construído - aquela que existia entre Israel
e as terras árabes antes da guerra de 1967 - é a única
que nada tem a ver com segurança e sim com política.
Uma linha que seja genuinamente baseada na segurança incluiria o maior
número possível de judeus e o menor de palestinos dentro da área
delimitada pelo muro. E é exatamente isso o que faz o muro de segurança
de Israel. Ao passar por menos de 12% da Cisjordânia, o muro incluirá cerca
de 80% dos judeus e somente 1% dos palestinos que vivem nos territórios
disputados. Assim, o muro bloqueará as tentativas por parte de terroristas
radicados em cidades palestinas de alcançarem os grandes centros populacionais
israelenses.
Terceiro, apesar daquilo que alguns argumentaram, os muros mostraram ser
instrumentos altamente eficientes contra o terrorismo. Das centenas de ataques
suicidas a bomba que ocorreram em Israel, somente um partiu da área
de Gaza, onde fica a sede do Hamas e da Jihad Islâmica.
Por quê? Porque Gaza está rodeada por um muro de segurança.
Ainda que não esteja pronto, o muro de segurança da Cisjordânia
já reduziu drasticamente o número de ataques suicidas.
O obstáculo à paz não é o muro, mas os líderes
palestinos que, ao contrário de lideranças do passado, como
Anuar Sadat do Egito e o rei Hussein, da Jordânia, ainda não
abandonaram o terrorismo e a meta ilegítima de destruir Israel.
Caso um acordo entre Israel e uma futura liderança palestina comprometida
com a paz exija ajustes no muro, essas modificações serão
feitas. E se a paz se mostrar genuína e duradoura, não haverá mais
razão para a existência de um muro.
Ao invés de julgar os terroristas palestinos e aqueles que os enviam
ao território israelense, a corte internacional patrocinada pela ONU
colocou o Estado judeu no banco dos réus, acusando Israel de prejudicar
a qualidade de vida dos palestinos. Mas salvar vidas é mais importante
do que preservar qualidade de vida. Qualidade de vida é algo sempre
possível de se melhorar. Já a morte é permanente.
Os palestinos reclamam de que os seus filhos chegam atrasados à escola
devido ao muro. Mas muitas das nossas crianças jamais chegam à escola
- elas são explodidas em pedaços por terroristas que entram
em Israel por locais onde ainda não existe um muro.
Nos últimos quatro anos, terroristas palestinos atacaram ônibus,
cafés, discotecas e pizzarias israelenses, matando mil dos nossos
cidadãos. Apesar dessa selvageria sem precedentes, o relatório
de 60 páginas da corte só menciona o terrorismo duas vezes,
e somente ao citar a posição de Israel com relação
ao muro.
Devido ao fato de a decisão da corte zombar do direito de Israel à autodefesa,
o governo israelense vai ignorá-la. Israel jamais sacrificará vidas
judaicas no altar espúrio da "justiça internacional".
*Benjamin Netanyahu é ministro das Finanças de Israel e ex-premier
do país. Este artigo foi publicado no jornal The New York Times, em
13 de julho de 2004