Por: Tila
Dubrawsky
O Talmud relata que
o grande sábio Aba Chilkiya e sua esposa
eram ambos caridosos, no entanto quando rezaram em época
de seca, as orações dela foram atendidas antes das
orações dele. A razão disto é porque
enquanto Aba Chilkiya dava dinheiro aos necessitados, com o qual
podiam comprar alimentos, sua esposa dava aos pobres, pão
e outros comestíveis. Por mérito deste auxílio
mais imediato suas preces foram atendidas mais prontamente.
O Rebe de Lubavitch, entre suas campanhas de mitsvot (preceitos),
incentivava que cada lar judaico tivesse um pushke (cofrinho) de
tsedacá (caridade) para facilitar o cumprimento deste preceito
de forma pessoal e imediata. (O Rebe também recomendava
que as pessoas mantivessem um cofrinho nos seus escritórios,
lojas e carros). Nós precisamos e pedimos que D-us nos dê saúde,
sustento e alegrias de filhos. Certamente, D-us não nos
deve nada. Ainda assim, Ele provê as Suas bênçãos
em forma de caridade, em medida ampla. Quando nós praticamos
a caridade, abrimos novos canais para a Caridade Divina para conosco,
enfatizava o Rebe.
É
costume colocar tsedacá no pushke todos os dias (exceto
no Shabat e Yom Tov) antes das orações. E é especialmente
propício antes do acendimento das velas de Shabat e Yom
Tov e em geral, antes de fazer um pedido ou súplica a D-us.
Devemos acostumar as crianças nesta prática bonita
e providenciar um pushke para cada filho como maneira de incentivar
esta mitsvá. (Existem cofrinhos lindíssimos para
enfeitar quarto de crianças, cozinha ou sala). Aquelas moedas
não nos fazem muita falta, mas ficará surpresa em
quanto bem elas podem fazer para ajudar de forma imediata e concreta
uma pessoa necessitada ou um instituto judaico.
Para um fundo de tsedacá não faz diferença
se alguém doe o dinheiro todo de uma vez ou em parcelas,
mas para quem está doando faz uma grande diferença.
Há vantagem em doar diariamente em pequenas quantias. Maimônides
explica que uma boa ação quantitativa tem o efeito
de refinar a nossa alma. Também, assim como diariamente
gastamos para as nossas necessidades e vontades, devemos fazer,
diariamente, gastos para as vontades de D-us, isto é, para
tsedacá. Ainda, o livro de Tanya explica que assim como
uma armadura é composta de pequenas peças sobrepostas
de metal, pequenos atos individuais de caridade combinam e somam
para formar um escudo protetor.
Uma das minhas histórias favoritas, relacionada com o poder
feminino e a tsedacá é a respeito de Chana Rivka,
esposa de Reb Gavriel, um dos mais proeminentes judeus de Vitebsk
e chassid (adepto) do Alter Rebe, primeiro Rebe de Chabad, Rabi
Schneur Zalman (1745-1812). Vinte e cinco anos após o seu
casamento, o casal não teve filhos. Depois, por motivo de
contínua perseguição, eles empobreceram.
Nessa época, Reb Gavriel, recebeu um apelo do Alter Rebe
para participar da mitsvá de Pidyon Shevuim (resgate de
prisioneiros) com uma contribuição substancial, como
ele costumava fazer em tempos anteriores. É compreensível,
a sua aflição em não poder atender ao pedido
do Rebe. Ao tomar conhecimento do apuro de seu marido, Chana Rivka
vendeu as suas jóias e levantou a quantia de dinheiro necessária.
Depois, ela esfregou e poliu as moedas até que elas cintilassem
e com uma prece no seu coração para que a sua sorte
(mazal) reavivesse, ela embrulhou as moedas em um pacote que qual
entregou ao marido para levar ao Alter Rebe.
Chegando à presença de seu Rebe em Liozna, Reb Gavriel
colocou o dinheiro em cima da mesa. O Rebe pediu ao chassid para
abrir o pacote. Imediatamente as moedas apareceram resplandecendo
com um brilho extraordinário.
O Tsadic (justo) se compenetrou e depois disse: “De todo
ouro, prata e cobre que os judeus contribuíram para o Mishkan
(tabernáculo), nada reluziu tanto quanto o Kior vekano -
o lavatório e a sua base — que foram confeccionados
dos espelhos de cobre que as mulheres judias doaram com abnegação,
generosidade e alegria. Conte-me, onde você arranjou estas
moedas?”
Reb Gavriel tinha que revelar ao Rebe sobre o seu estado financeiro
e como sua mulher, Chana Rivka bat Beila, havia levantado o dinheiro.
O Alter Rebe apoiou sua cabeça nas mãos e ficou em
concentração espiritual durante um tempo. Depois,
ele ergueu a cabeça e concedeu a Reb Gavriel e sua esposa
a bênção de filhos, longevidade, riqueza e
graça extraordinária. Orientou o chassid para fechar
os negócios em Vitebsk e começar a trabalhar com
gemas preciosas e diamantes.
A bênção do Rebe se realizou. Reb Gavriel Nossei
Chein - Gracioso Gavriel (como veio a ser conhecido) se tornou
rico. Ele e sua esposa foram abençoados com filhos e filhas.
Ele viveu até a idade de 110 anos e Chana Rivka sobreviveu
ao seu marido por dois anos.
Vemos, de fato, o poder da mitsvá de tsedacá; ela
anula decretos e traz salvação. Os nossos sábios
disseram: Grande é a mitsvá de tsedacá, pois
aproxima a Redenção. Que os nossos atos concretos
e imediatos de tsedacá e bondade tragam a tão esperada
Era Messiânica quando os dias de luto que ora marcamos (relacionadas
com a destruição do Templo Sagrado) serão
transformados em dias de regozijo e alegria.
Esta coluna é dedicada l’ilui nishmat (para a ascensão
da alma) de minha avó Ienta Braina bat Meshulam Zussia.
* Tila Dubrawsky é esposa do Rabino Yossef Dubrawsky, diretor
do Beit Chabad de Curitiba, mãe, avó, coordenadora
de programas educacionais e culturais, orientadora de pureza e
harmonia familiar para noivas e mulheres de todas as idades.