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Visão
Judaica - Edição N° 26 |
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Decisão de Haia sobre a cerca já era esperada.: |
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A maioria dos observadores já esperava que o Tribunal Internacional
de Justiça de Haia daria sentença contra a legalidade da cerca
de segurança israelense. Israel optou por não apresentar ante
aquela Corte nenhuma defesa de sua construção, tendo remetido
em seu lugar uma declaração na qual sustenta que a Corte carece
de autoridade legal para emitir opinião sobre um assunto político
que tem que ser objeto de negociação entre as partes.
É
por isto que as exposições orais apresentadas ante a Corte foram
dos países árabes e consistiram em diatribes contra a cerca.
Entretanto, muitos países do Ocidente que geralmente se mostram opostos à cerca,
expressaram apoio à forma processual adotada por Israel. Manifestações
efetuadas nas ruas de Haia possibilitaram que os europeus conhecessem a posição
israelense e compreendessem o sofrimento produzido pelo terrorismo palestino.
Mas estes aspectos “positivos” não chegaram a neutralizar
a decisão negativa do tribunal.
Antecedentes
Em dezembro de 2003 a Assembléia Geral das Nações Unidas
submeteu formalmente a seguinte consulta ao Tribunal Internacional de Justiça,
para que expedisse uma opinião:
“
Quais são as conseqüências legais que surgem da construção
da cerca que está sendo erguida por Israel, a Potência ocupante,
no Território Palestino Ocupado, incluindo dentro e ao redor de Jerusalém
Oriental, como está descrito no informe do secretário geral,
levando em consideração as regras e princípios do Direito
Internacional, incluindo a Quarta Convenção de Genebra de 1949
e importantes resoluções do Conselho de Segurança e da
Assembléia Geral?”.
Virtualmente, cada elemento da consulta citada, que a Assembléia Geral
da ONU formulou ao Tribunal Internacional de Justiça de Haia, reflete
uma má predisposição contra Israel. Como Israel destacou
em sua própria apresentação feita a respeito ante o TIJ,
não se menciona em absoluto o contexto por cujo motivo se está construindo
a cerca, nem se menciona a situação de segurança pública
que a motiva. E que ao invocar a Quarta Convenção de Genebra
e sua terminologia de potências ocupantes atuando em território
ocupado, a Assembléia Geral previamente se assegura de que toda sentença
legal que emita a respeito o TIJ, irá declarar que a cerca constitui
uma violação ao Direito Internacional.
O TIJ, por seu estatuto, está autorizado a emitir decisões em
casos surgidos entre dois estados que tenham sido apresentados à sua
jurisdição para que os resolva; ou para emitir opiniões
de assessoramento que lhe tenham sido requeridas pela Assembléia Geral,
o Conselho de Segurança ou outros organismos da ONU aos quais a Assembléia
Geral tenha autorizado a formular tais consultas. O caso da cerca de segurança
de Israel é um pedido de opinião consultiva apresentado ao TIJ
pela Assembléia Geral e como tal, a decisão à qual chegou
o TIJ não é formalmente obrigatória para parte alguma.
Mas sua condição não vinculante não ajuda Israel
no que se refere a suas relações públicas, posto que,
em primeiro lugar, a resolução do TIJ é um presente para
a posição contra a cerca, uma vantagem incalculável na
guerra pela opinião pública, e tudo o que Israel fizer com a
cerca será automaticamente caracterizado como “uma violação
do Direito Internacional, como referendado pelo TIJ”. As críticas
que agora se lançam sobre a construção da cerca aumentarão
em número e em intensidade, e estarão revestidas da decisão
do TIJ.
Em segundo lugar, e isto é mais importante, existe a forte possibilidade
de que a ONU empreenda ação para apoiar essa decisão,
possivelmente recorrendo à imposição de sanções
contra Israel. Esta é, provavelmente, a intenção principal
dos que pressionaram para que a questão da legalidade da cerca fosse
submetida ao TIJ. O modelo que serviu de base para isto foi a opinião
consultiva solicitada ao TIJ no que se refere à ocupação
sul-africana da Namíbia, o que foi uma medida que atualmente é considerada
um componente essencial à derrocada do regime do apartheid sul-africano.
Aconteceu que opinião consultiva emitida pela TIJ contra a África
do Sul em 1971 conduziu ao reconhecimento da ilegalidade do apartheid. A imposição
de sanções por parte da ONU desempenhou um papel que conduziu
ao processo pelo qual a África do Sul foi obrigada a abandonar o regime
do apartheid e a evoluir até sua atual forma de governo. A perspectiva
da ONU numa campanha desse tipo contra Israel – uma campanha cuja intensidade
vai exceder com certeza a tudo o que Israel já suportou da ONU – é matéria
para seria preocupação.
A posição de Israel
Em 29 de janeiro de 2004 Israel submeteu um documento com 133 avaliações,
no qual argumentou a impropriedade do TIJ emitir uma opinião consultiva
sobre este assuntos. Ofereceu razões para sustentar sua posição,
incluindo a declaração de que até o fato de se solicitar
ao TIJ sua opinião a respeito, atentava até mesmo ao espírito
do “Mapa da Estrada”, plano patrocinado pela própria ONU;
e além disso, que a opinião requerida constituía um assunto
político que não se atinha à classe de “questão
legal” que o TIJ estava habilitado a responder. E mais: Israel mostrou
em sua exposição que se inclusive não houvesse a causa
jurisdicional que impedisse entender o caso, o TIJ deveria declinar de fazê-lo
por motivo da estreita vinculação existente entre o assunto a
ser considerado e uma resolução geral do conflito palestino-israelense,
tema este que o TIJ não tem competência para decidir.
Os Estados Unidos – como outras nações - adotaram a posição
de que uma opinião consultiva do TIJ sobre a cerca é imprópria,
e expuseram esta posição em documentos que fazem eco nos argumentos
sustentados por Israel. Foi assim que em sua exposição perante
o TIJ, os EUA defenderam que o mero fato de se ter submetido à consulta é inapropriado.
Antes disso, a União Européia também expressara a mesma
opinião.
No passado, o TIJ se recusou a emitir opinião sobre uma questão
de procedimento. Em 1996 seus juízes determinaram que tinham base processual
para abster-se de emitir uma opinião solicitada por uma agência
da ONU: A Organização Mundial da Saúde, com relação à legalidade
das armas nucleares. Embora se tratasse de um caso fundamentalmente diferente
do assunto da cerca de segurança, a maneira como o TIJ operou no caso
das armas nucleares mostra que quando se trata de um assunto extremamente sensível,
e quando é “necessário” proceder assim, o Tribunal
prefere evitar emitir uma opinião que muito provavelmente não
será aceita pelas partes afetadas.
Mas conhecendo-se quão pouca simpatia alguns dos juízes sentem
pela cerca e a antipatia geral que há contra Israel no seio das instituições
das Nações Unidas, já era esperado a Corte pronunciar-se
contrária à cerca.
O efeito positivo: a hasbará israelí
Ao preparar-se para as audiências em Haia, Israel já havia aprendido
a lição propiciada pelas demonstrações pró-palestinas
que agitaram a Conferência sobre o Racismo realizada em Durban com o
patrocínio das Nações Unidas. Israel aprendeu que sempre
tem que estar preparado para enfrentar demostrações fortes, bem
organizadas e planejadas. A presença de Israel nas ruas de Haia em fevereiro último
constituiu – ao menos na opinião de muitos observadores – uma
aplicação prática muito efetiva destes conhecimentos adquiridos
em ocasiões anteriores. Um elemento principal da campanha de hasbará (esclarecimento,
em hebraico) israelense na cidade de Haia, foi o esqueleto queimado de um ônibus
público que havia sofrido um atentado com homem-bomba em uma rua de
Jerusalém, enviado pela organização israelense de resgate
humanitário Zaka.
Outro marco importante dos esforços israelenses de esclarecimento foi
a marcha efetuada em 23 de fevereiro diante do edifício da Corte, na
qual mais de mil participantes portaram fotografias de vítimas do terrorismo
palestino, e muitos de seus parentes tomaram parte na marcha. Também
o fizeram estudantes judeus procedentes de vários países europeus
e dos Estados Unidos. E participaram do evento representantes oficiais do governo
israelense para falar à imprensa e observar os acontecimentos.
Conclusão
Para Israel e os países que o apóiam, a vida da população
está em primeiro lugar. Por isso a decisão de Haia não
será acatada e a construção da cerca vai seguir adiante
e seu término esperançosamente contribuirá para suprir
a defesa e a proteção contra os terroristas que todos os israelenses
necessitam nestes tempos tão difíceis. Quando o terrorismo palestino
extinguir-se a cerca já não terá razão de existir
e então, finalmente, poderá ser derrubada.
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