Visão Judaica - Edição N° 15
:. Ser terrorista – o direito dos povos que não reconhecem os direitos.:

 

Por Edda Bergmann:

O terrorismo sempre inclui riscos individuais para quem o pratica, mas nunca se transformou, com raríssimas exceções em destruição do próprio eu, em sacrifício total de quem se envolve com ele.
Este é um fenômeno relativamente novo no Século 21, com certeza novo na quantidade e qualidade dos seus praticantes, assim como na extensão de suas ações e no alcance de seus objetivos.
Trata-se de desvios mentais de comportamento incentivados pelo ódio exacerbado e pelo furor mágico contra a vida, em detrimento da vida terrestre e esperança da vida triunfal do Além.
Sempre houve seitas que pregaram o ódio e o fanatismo liderados por fanáticos intransigentes, retrógrados e repressores da vida.
Sempre houve ódio sobre a face da Terra. Mas tanto ódio reprimido por pessoas normais que saem da vida diária, de uma vida aparentemente útil, de uma família aparentemente constituída e numerosa, de uma casa e de um povoado ou cidade onde sempre moraram, para cometer atos suicidas e levar à morte inúmeras pessoas até então totalmente desconhecidas tentando matar e ferir gravemente o maior número possível delas para receber sua recompensa plena no paraíso, isto realmente nunca houve.
Tamanho desvio de comportamento, tamanho desvio de relacionamento humano de pessoas aparentemente normais e esclarecidas, de pessoas que vivem em sociedade demonstram a existência de uma sociedade doente, no mínimo com idéias distorcidas sobre a existência do mundo, deste mundo caótico que com certeza não é o preconizado por Maomé, que seria o enviado de Alá na Terra.
Bater palmas ao terrorismo, acalentá-lo em seu berço e fazer dele o ideal supremo da vida é tão caótico quanto irreal.
Quem poderia prever um novo século desta natureza desconhecida e não palpável? Quem poderia admitir que isso fosse acalentado em meio à globalização, aos computadores, às viagens espaciais e à centena de médicos debruçados sobre seus doentes a fim de prolongar a vida das pessoas e sua permanência no planeta terra?
O avanço da vida humana, a 3ª, a 4ª e 5ª idade já se fazem presentes nos dias de hoje com sua participação ainda ativa nas atividades normais da vida e do cérebro. As tentativas de vencer doenças até ontem incuráveis, todo o esforço para salvar uma vida quando outras tantas são jogadas estupidamente fora.
Se formos verificar quantas crianças palestinas e árabes estão em hospitais israelenses para sobreviver a doenças até ontem mortais, e quantas já foram curadas veremos que a missão da paz é muito superior à da guerra.
Numa guerra estúpida, sem presente nem futuro, que destrói por destruir, que não cria e não recria nada, um povo que diz não ao futuro, não pode dizer sim ao presente porque ele simplesmente não o tem.
Mas será que o mundo todo perdeu a cabeça e não é mais capaz de entender que isto não é caminho para nada?
É preciso que surja alguém que saiba sonhar, não no devaneio, não no imprevisível, mas que saiba sonhar com uma humanidade mais coesa, mais amiga, mais coerente e mais afeiçoada a si mesma, pessoas que gostem de pessoas, pessoas que respeitem pessoas que saibam que os destinos de todos e o de cada um, são resolvidos por um ser superior e não pelos seus ditames sanguinários e irreversíveis. Pessoas que saibam dizer sim à paz, mesmo que ela seja precária, difícil e complicada. A paz são três letras totalmente necessárias à sobrevivência do ser humano no planeta Terra.
Saber sonhar é como dizia Theodor Herzl; “Se tu quiseres será apenas um sonho, mas se realmente o quiseres poderás torná-lo realidade”.
Isto não depende apenas de nós, mas também depende de nós, de todos nós!!!

* Edda Bergmann é presidente da B’nai B’rith do Brasil.

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