Por
Edda Bergmann:
O
terrorismo sempre inclui riscos individuais para quem o pratica,
mas nunca se transformou, com raríssimas exceções
em destruição do próprio eu, em sacrifício
total de quem se envolve com ele.
Este é um fenômeno relativamente novo no Século
21, com certeza novo na quantidade e qualidade dos seus praticantes,
assim como na extensão de suas ações
e no alcance de seus objetivos.
Trata-se de desvios mentais de comportamento incentivados
pelo ódio exacerbado e pelo furor mágico contra
a vida, em detrimento da vida terrestre e esperança
da vida triunfal do Além.
Sempre houve seitas que pregaram o ódio e o fanatismo
liderados por fanáticos intransigentes, retrógrados
e repressores da vida.
Sempre houve ódio sobre a face da Terra. Mas tanto
ódio reprimido por pessoas normais que saem da vida
diária, de uma vida aparentemente útil, de uma
família aparentemente constituída e numerosa,
de uma casa e de um povoado ou cidade onde sempre moraram,
para cometer atos suicidas e levar à morte inúmeras
pessoas até então totalmente desconhecidas tentando
matar e ferir gravemente o maior número possível
delas para receber sua recompensa plena no paraíso,
isto realmente nunca houve.
Tamanho desvio de comportamento, tamanho desvio de relacionamento
humano de pessoas aparentemente normais e esclarecidas, de
pessoas que vivem em sociedade demonstram a existência
de uma sociedade doente, no mínimo com idéias
distorcidas sobre a existência do mundo, deste mundo
caótico que com certeza não é o preconizado
por Maomé, que seria o enviado de Alá na Terra.
Bater palmas ao terrorismo, acalentá-lo em seu berço
e fazer dele o ideal supremo da vida é tão caótico
quanto irreal.
Quem poderia prever um novo século desta natureza desconhecida
e não palpável? Quem poderia admitir que isso
fosse acalentado em meio à globalização,
aos computadores, às viagens espaciais e à centena
de médicos debruçados sobre seus doentes a fim
de prolongar a vida das pessoas e sua permanência no
planeta terra?
O avanço da vida humana, a 3ª, a 4ª e 5ª
idade já se fazem presentes nos dias de hoje com sua
participação ainda ativa nas atividades normais
da vida e do cérebro. As tentativas de vencer doenças
até ontem incuráveis, todo o esforço
para salvar uma vida quando outras tantas são jogadas
estupidamente fora.
Se formos verificar quantas crianças palestinas e árabes
estão em hospitais israelenses para sobreviver a doenças
até ontem mortais, e quantas já foram curadas
veremos que a missão da paz é muito superior
à da guerra.
Numa guerra estúpida, sem presente nem futuro, que
destrói por destruir, que não cria e não
recria nada, um povo que diz não ao futuro, não
pode dizer sim ao presente porque ele simplesmente não
o tem.
Mas será que o mundo todo perdeu a cabeça e
não é mais capaz de entender que isto não
é caminho para nada?
É preciso que surja alguém que saiba sonhar,
não no devaneio, não no imprevisível,
mas que saiba sonhar com uma humanidade mais coesa, mais amiga,
mais coerente e mais afeiçoada a si mesma, pessoas
que gostem de pessoas, pessoas que respeitem pessoas que saibam
que os destinos de todos e o de cada um, são resolvidos
por um ser superior e não pelos seus ditames sanguinários
e irreversíveis. Pessoas que saibam dizer sim à
paz, mesmo que ela seja precária, difícil e
complicada. A paz são três letras totalmente
necessárias à sobrevivência do ser humano
no planeta Terra.
Saber sonhar é como dizia Theodor Herzl; “Se
tu quiseres será apenas um sonho, mas se realmente
o quiseres poderás torná-lo realidade”.
Isto não depende apenas de nós, mas também
depende de nós, de todos nós!!!
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Edda Bergmann é presidente da B’nai B’rith
do Brasil. |