Por
Dalton Catunda Rocha:
O Supremo Tribunal Federal decidiu em definitivo. O escritor
gaúcho Siegfried Ellwanger foi condenado por crime
de racismo. Tal figura, que costuma assinar os livros que
escreve sob o pseudônimo S. E. Castan foi condenado
em definitivo. Reconheço que o julgamento não
acabou, por causa do pedido de vistas do processo, por parte
de um dos novos juízes do STF. Ainda assim, o pseudo-historiador
Ellwanger já foi condenado. A maioria absoluta dos
juízes do STF já o condenou. Como disse antes,
não cabe recurso a esta condenação. O
julgamento não terminou, mas a maioria absoluta dos
juízes condenou Ellwanger. Criou-se uma jurisprudência.
A discriminação contra grupo religioso, agora
é considerada racismo no Brasil.
Argumentavam os advogados de Ellwanger, que judeus não
são uma raça. Há judeus pretos, brancos,
mulatos. Judeus são um grupo religioso e não
racial. Ainda assim, todas as instâncias da justiça
brasileira decidiram, pela condenação do pseudo-historiador
Ellwanger. Decidiram eles que ao publicar livros, com fatos
falsos e absurdos sobre a História judaica, Ellwanger
cometeu crimes de racismo. Ainda não sendo os atingidos
de uma raça, mas de um grupo religioso, Ellwanger foi
condenado. E a condenação é definitiva,
sem recurso.
Se o mesmo critério, de condenar pessoas pelo fato
delas difundirem farsas absurdas e caluniosas, sobre povos,
Ellwanger teria que ser seguido por muitas centenas de pseudo-historiadores.
Ellwanger não é nem de longe, o único
caluniador de povos que tem por aí.
Exemplo de caluniadores de povos, são aqueles, que
"garantem" que os brasileiros massacraram mais de
1 milhão de paraguaios, na guerra do Paraguai. Na verdade,
a população paraguaia, antes do início
daquela guerra, sequer chegava a 300 mil almas. Outra maluquice
é a transformação de Solano Lopez, em
herói e figura a ser admirada, até mesmo por
descendentes de parte das vítimas deles, os brasileiros.
O supostamente heróico Solano Lopez, dentre outros
feitos, mandou prender e torturar a própria mãe.
Para completar, mandou matar dois cunhados, por imaginárias
traições. Livros que se dizem didáticos
dizem, que o Brasil entrou em guerra contra o Paraguai, a
fim de agradar os imperialistas britânicos. Na verdade,
o Brasil entrou em guerra, contra Lopez, não para agradar
os imperialistas britânicos, mas sim devido à
não provocada invasão de nosso território.
Há outros caluniadores de povos, que preferem caluniar
com base em farsas, da História recente. Um exemplo
são as dúzias de caluniadores, que garantiram
que quem havia armado o Iraque, tinham sido os americanos.
Na verdade, menos de 1% do arsenal do deposto ditador Saddam
Hussein, era de origem americana. A maioria absoluta era de
origem soviética. A França vinha em segundo
lugar.
Usando o mesmo critério, de calunia a povos, Ellwanger
ficaria cercado de centenas de companheiros de pena. Brasileiros
e americanos, não são raças, mas sim
povos. Há brasileiros e americanos brancos, negros,
mulatos, etc.
Mesmo no caso de calúnias diretas ou indiretas aos
judeus, Ellwanger tem muitos discípulos. A maioria
destes discípulos gosta de caluniar Israel e os judeus
que vivem nele. A maioria das mentiras dirigidas contra Israel
é indireta.
A maioria liga-se ao suposto tratamento dado aos palestinos
pelos governos de Israel. Sempre quando um palestino, mesmo
com uma ficha quilométrica de crimes terroristas, contra
judeus, é eliminado ou sofre ferimentos, a maioria
da mídia brasileira anuncia.
Quando muçulmanos massacram em massa, outros muçulmanos
ou não muçulmanos, a maioria da mídia
brasileira cala a boca. Sim, o finado ditador Hafez Assad
da Síria, mandou massacrar toda a população
de uma cidade síria por uma rebelião contra
ele. Quando tal ditador morreu no poder, não vi nenhum
grande jornal brasileiro que lembrasse este fato da vida de
Assad.
Quando este ou aquele palestino é morto, a mídia
anuncia em coro. Ao lado disto, há um silêncio
sepulcral sobre a escravidão de negros, por parte de
muçulmanos no Sudão. Quando o regime talebã
no Afeganistão decretou pena de morte a crianças
que soltassem pipas ou mulheres que pintassem as unhas, mal
se falou nisto. Toda vez que Israel resolve controlar, com
toque de recolher, os palestinos, a mídia tece imensos
comentários. É aquilo que George Orwell, em
seu livro "1984", chamou de duplipensar, se manifesta.
Um exemplo do ódio da maioria da imprensa brasileira,
a Israel é o eterno enfoque aos tiros e bombas, que
de fato ocorrem por lá. Considerando-se as mortes totais
de pessoas, por causas violentas, em Israel e territórios
palestinos, tenho que dizer que Israel é muito mais
calmo que o Rio de Janeiro. A revista "Força Aérea"
nº 31, que está nas bancas atualmente, mostra
que para o mesmo período de tempo, houve mais de quatro
vezes mais mortes violentas no Rio de Janeiro, que em Israel
mais Gaza e Cisjordânia. Quem duvide que leia a página
101, da referida revista. O autor do artigo é Carlos
Lorch. A mídia simplemente recusa-se a dizer, que o
Exército de Israel é uma criança inocente,
comparado ao comando vermelho (CV) ou ao terceiro comando.
Ambos vampiros insaciáveis, tanto o CV, como o terceiro
comando, não tem em geral, qualquer cuidado na escolha
de quem vão matar.
No entanto, a maioria da imprensa brasileira condena sempre
Israel. Sempre destaca aquele país, como se ele fosse
o mais violento do mundo. O que é uma clara mentira.
E difundida como se fosse verdade. Israel é muitas
vezes mais calmo que o Brasil, embora jamais eu vi nenhum
telejornal importante dizer isto.
Um outro exemplo recente foi o ataque terrorista à
maior cidade judaica do mundo, Nova York em 11/09/2001. Mais
de 3.600 mortos, sendo muitos deles judeus. Ainda assim, não
faltaram aqueles que "garantiram" serem as vítimas,
os verdadeiros culpados. Quando a reação americana
começou, um político brasileiro, chamou tal
reação de "injusta agressão ao povo
afegão".
Mais recentemente, um outro conhecido político brasileiro,
declarou que o terrorismo se deve à fome. Como se Osama
Bin Laden não fosse filho de um bilionário saudita,
tendo Bin Laden herdado várias centenas de milhões
de dólares.
O mesmo conhecido político resolveu reagir com todo
um palavrório contra a invasão americana ao
Iraque de Saddam Hussein. Vale lembrar que o curriculum vitae
de Saddam é horroroso. Saddam mandou jogar gás
venenoso contra seu próprio povo, invadiu e massacrou
iranianos, Saddam mandou enforcar em massa judeus em praças
públicas do Iraque, Saddam torturou e matou pessoalmente
judeus, etc. No entanto, segundo este conhecido político
brasileiro, os americanos tinham que ter o aval da ONU para
depor o anti-semita Saddam.
Nunca uma pessoa viu este mesmo político brasileiro
exigir aval da ONU para a então URSS invadir a Hungria
(1956), a Tchecoslováquia (1968) ou o Afeganistão
(1979). Este mesmo político brasileiro jamais exigiu
aval da ONU para Fidel Castro financiar e armar guerrilhas
no Brasil, Uruguai, Bolívia, Argentina, Chile, Venezuela,
etc. Quando Fidel Castro enviou ajuda à Síria
na guerra contra Israel, em 1973, não houve nenhuma
resolução da ONU apoiando isso. No entanto,
este político não exigiu de Fidel nenhuma resolução
da ONU para nenhuma das várias intervenções
patrocinadas pelo mais antigo ditador do mundo ao longo de
mais de 44 anos de ditadura. Pelo contrário, todos
sabem que este político brasileiro é o maior
amigo de Fidel Castro no mundo inteiro. Pelo que dá
entender este político, não é necessário
que nenhum país inimigo de Israel tenha aval da ONU
para intervir em qualquer outro país. Quando se deseja
depor um inimigo de Israel, tem que haver aval da ONU para
tal. Dois pesos e duas medidas: ambos contra Israel. Ellwanger
não faria melhor.
Concluindo: há menos o que comemorar com a condenação
definitiva de Ellwanger do que se pensa. Gente tão
mentirosa quanto o pseudo-historiador Ellwanger está
por aí. Esta gente repete todos os dias um monte de
farsas contra Israel. Eles difundem a farsa de um Israel cruel,
malvado, violento e etc. Não poucos desses mentirosos
são pessoas respeitadas, poderosas e em altos postos.
* Dalton Catunda é engenheiro-agrônomo desempregado.
E-mail:dalton@fortalnet.com.br
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