Visão Judaica - Edição N° 15
:. Discípulos de Ellwanger.:

Por Dalton Catunda Rocha:

O Supremo Tribunal Federal decidiu em definitivo. O escritor gaúcho Siegfried Ellwanger foi condenado por crime de racismo. Tal figura, que costuma assinar os livros que escreve sob o pseudônimo S. E. Castan foi condenado em definitivo. Reconheço que o julgamento não acabou, por causa do pedido de vistas do processo, por parte de um dos novos juízes do STF. Ainda assim, o pseudo-historiador Ellwanger já foi condenado. A maioria absoluta dos juízes do STF já o condenou. Como disse antes, não cabe recurso a esta condenação. O julgamento não terminou, mas a maioria absoluta dos juízes condenou Ellwanger. Criou-se uma jurisprudência. A discriminação contra grupo religioso, agora é considerada racismo no Brasil.
Argumentavam os advogados de Ellwanger, que judeus não são uma raça. Há judeus pretos, brancos, mulatos. Judeus são um grupo religioso e não racial. Ainda assim, todas as instâncias da justiça brasileira decidiram, pela condenação do pseudo-historiador Ellwanger. Decidiram eles que ao publicar livros, com fatos falsos e absurdos sobre a História judaica, Ellwanger cometeu crimes de racismo. Ainda não sendo os atingidos de uma raça, mas de um grupo religioso, Ellwanger foi condenado. E a condenação é definitiva, sem recurso.
Se o mesmo critério, de condenar pessoas pelo fato delas difundirem farsas absurdas e caluniosas, sobre povos, Ellwanger teria que ser seguido por muitas centenas de pseudo-historiadores. Ellwanger não é nem de longe, o único caluniador de povos que tem por aí.
Exemplo de caluniadores de povos, são aqueles, que "garantem" que os brasileiros massacraram mais de 1 milhão de paraguaios, na guerra do Paraguai. Na verdade, a população paraguaia, antes do início daquela guerra, sequer chegava a 300 mil almas. Outra maluquice é a transformação de Solano Lopez, em herói e figura a ser admirada, até mesmo por descendentes de parte das vítimas deles, os brasileiros. O supostamente heróico Solano Lopez, dentre outros feitos, mandou prender e torturar a própria mãe. Para completar, mandou matar dois cunhados, por imaginárias traições. Livros que se dizem didáticos dizem, que o Brasil entrou em guerra contra o Paraguai, a fim de agradar os imperialistas britânicos. Na verdade, o Brasil entrou em guerra, contra Lopez, não para agradar os imperialistas britânicos, mas sim devido à não provocada invasão de nosso território.
Há outros caluniadores de povos, que preferem caluniar com base em farsas, da História recente. Um exemplo são as dúzias de caluniadores, que garantiram que quem havia armado o Iraque, tinham sido os americanos. Na verdade, menos de 1% do arsenal do deposto ditador Saddam Hussein, era de origem americana. A maioria absoluta era de origem soviética. A França vinha em segundo lugar.
Usando o mesmo critério, de calunia a povos, Ellwanger ficaria cercado de centenas de companheiros de pena. Brasileiros e americanos, não são raças, mas sim povos. Há brasileiros e americanos brancos, negros, mulatos, etc.
Mesmo no caso de calúnias diretas ou indiretas aos judeus, Ellwanger tem muitos discípulos. A maioria destes discípulos gosta de caluniar Israel e os judeus que vivem nele. A maioria das mentiras dirigidas contra Israel é indireta.
A maioria liga-se ao suposto tratamento dado aos palestinos pelos governos de Israel. Sempre quando um palestino, mesmo com uma ficha quilométrica de crimes terroristas, contra judeus, é eliminado ou sofre ferimentos, a maioria da mídia brasileira anuncia.
Quando muçulmanos massacram em massa, outros muçulmanos ou não muçulmanos, a maioria da mídia brasileira cala a boca. Sim, o finado ditador Hafez Assad da Síria, mandou massacrar toda a população de uma cidade síria por uma rebelião contra ele. Quando tal ditador morreu no poder, não vi nenhum grande jornal brasileiro que lembrasse este fato da vida de Assad.
Quando este ou aquele palestino é morto, a mídia anuncia em coro. Ao lado disto, há um silêncio sepulcral sobre a escravidão de negros, por parte de muçulmanos no Sudão. Quando o regime talebã no Afeganistão decretou pena de morte a crianças que soltassem pipas ou mulheres que pintassem as unhas, mal se falou nisto. Toda vez que Israel resolve controlar, com toque de recolher, os palestinos, a mídia tece imensos comentários. É aquilo que George Orwell, em seu livro "1984", chamou de duplipensar, se manifesta.
Um exemplo do ódio da maioria da imprensa brasileira, a Israel é o eterno enfoque aos tiros e bombas, que de fato ocorrem por lá. Considerando-se as mortes totais de pessoas, por causas violentas, em Israel e territórios palestinos, tenho que dizer que Israel é muito mais calmo que o Rio de Janeiro. A revista "Força Aérea" nº 31, que está nas bancas atualmente, mostra que para o mesmo período de tempo, houve mais de quatro vezes mais mortes violentas no Rio de Janeiro, que em Israel mais Gaza e Cisjordânia. Quem duvide que leia a página 101, da referida revista. O autor do artigo é Carlos Lorch. A mídia simplemente recusa-se a dizer, que o Exército de Israel é uma criança inocente, comparado ao comando vermelho (CV) ou ao terceiro comando. Ambos vampiros insaciáveis, tanto o CV, como o terceiro comando, não tem em geral, qualquer cuidado na escolha de quem vão matar.
No entanto, a maioria da imprensa brasileira condena sempre Israel. Sempre destaca aquele país, como se ele fosse o mais violento do mundo. O que é uma clara mentira. E difundida como se fosse verdade. Israel é muitas vezes mais calmo que o Brasil, embora jamais eu vi nenhum telejornal importante dizer isto.
Um outro exemplo recente foi o ataque terrorista à maior cidade judaica do mundo, Nova York em 11/09/2001. Mais de 3.600 mortos, sendo muitos deles judeus. Ainda assim, não faltaram aqueles que "garantiram" serem as vítimas, os verdadeiros culpados. Quando a reação americana começou, um político brasileiro, chamou tal reação de "injusta agressão ao povo afegão".
Mais recentemente, um outro conhecido político brasileiro, declarou que o terrorismo se deve à fome. Como se Osama Bin Laden não fosse filho de um bilionário saudita, tendo Bin Laden herdado várias centenas de milhões de dólares.
O mesmo conhecido político resolveu reagir com todo um palavrório contra a invasão americana ao Iraque de Saddam Hussein. Vale lembrar que o curriculum vitae de Saddam é horroroso. Saddam mandou jogar gás venenoso contra seu próprio povo, invadiu e massacrou iranianos, Saddam mandou enforcar em massa judeus em praças públicas do Iraque, Saddam torturou e matou pessoalmente judeus, etc. No entanto, segundo este conhecido político brasileiro, os americanos tinham que ter o aval da ONU para depor o anti-semita Saddam.
Nunca uma pessoa viu este mesmo político brasileiro exigir aval da ONU para a então URSS invadir a Hungria (1956), a Tchecoslováquia (1968) ou o Afeganistão (1979). Este mesmo político brasileiro jamais exigiu aval da ONU para Fidel Castro financiar e armar guerrilhas no Brasil, Uruguai, Bolívia, Argentina, Chile, Venezuela, etc. Quando Fidel Castro enviou ajuda à Síria na guerra contra Israel, em 1973, não houve nenhuma resolução da ONU apoiando isso. No entanto, este político não exigiu de Fidel nenhuma resolução da ONU para nenhuma das várias intervenções patrocinadas pelo mais antigo ditador do mundo ao longo de mais de 44 anos de ditadura. Pelo contrário, todos sabem que este político brasileiro é o maior amigo de Fidel Castro no mundo inteiro. Pelo que dá entender este político, não é necessário que nenhum país inimigo de Israel tenha aval da ONU para intervir em qualquer outro país. Quando se deseja depor um inimigo de Israel, tem que haver aval da ONU para tal. Dois pesos e duas medidas: ambos contra Israel. Ellwanger não faria melhor.
Concluindo: há menos o que comemorar com a condenação definitiva de Ellwanger do que se pensa. Gente tão mentirosa quanto o pseudo-historiador Ellwanger está por aí. Esta gente repete todos os dias um monte de farsas contra Israel. Eles difundem a farsa de um Israel cruel, malvado, violento e etc. Não poucos desses mentirosos são pessoas respeitadas, poderosas e em altos postos.

* Dalton Catunda é engenheiro-agrônomo desempregado. E-mail:dalton@fortalnet.com.br

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