Visão Judaica - Edição N° 15
:. A falta que fará o Consulado de Israel .:

 

O anunciado encerramento das atividades do Consulado Geral de Israel em São Paulo, por determinação do Ministério das Relações Exteriores israelense, em função de rigorosos cortes nas despesas governamentais, está causando uma movimentação sem igual nas lideranças das entidades judaicas brasileiras, na tentativa de obter a reversão da medida. Mas preocupa sobremaneira aos judeus de São Paulo e também os do resto do País a idéia de ter de conviver sem a presença da representação diplomática israelense, que os fortalece em espírito e em corpo no sentimento de amor pela terra de seus antepassados.
É certo que as dificuldades econômicas advindas da Intifada nos dois últimos anos comprimiram as finanças israelenses. E em conseqüência dos e bárbaros e covardes atentados perpetrados por assassinos tresloucados o turismo reduziu sensivelmente a entrada de divisas em Israel. Além disso, o boicote comercial e institucional europeu, comandado principalmente a partir da Bélgica, resultou num quadro recessivo da economia de Israel. Mas se nesse aspecto o panorama atual não é promissor, a moral dos israelenses está firme e altiva. E não é Road Map, que ainda constitui uma séria dúvida ao sonho de paz. É pela própria natureza da alma do sabra, que mesmo nos momentos mais difíceis não se deixa abater. É típico do israelense não esmorecer nunca.
Mas voltemos ao Consulado. Ele tem um papel preponderante na defesa de Israel, justamente agora em que recrudescem o anti-semitismo e o anti-sionismo, no Brasil e no mundo. E faz isso de numa maneira muito mais direta e precisa do que qualquer instituição judaica ou judeu brasileiro, por melhor experiência ou conhecimento que possuam. Querem um exemplo simples disso? Recentemente a Veja On-line, que edita um noticiário eletrônico lido por milhões de leitores em todo o Brasil, veiculou material completamente distorcido sobre Israel e seu primeiro-ministro Ariel Sharon.
A reação não se fez esperar e veio fulminante e enérgica, exatamente como deve ser nesses casos. E a resposta partiu do cônsul de Israel, em São Paulo, Medad Medina, que escreveu, entre outras coisas o seguinte: “Causa-me estranheza um veículo de comunicação de tanta repercussão no Brasil, como Veja On-line, ter publicado informações falsas do perfil do primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon” (...) “Sobre os lamentáveis acontecimentos nos campos de refugiados Sabra e Chatila, não houve nenhuma chacina por parte do exército israelense. Confundir seus soldados com os membros da Falange libanesa é outra distorção. O Exército de Defesa de Israel não estava ciente de que iria acontecer e foram os membros da Falange os invasores dos campos”.
Sim, o Consulado fará muita falta. É ele quem divulga e promove a cultura, as artes plásticas, os espetáculos de música e dança, de teatro e de cinema de Israel entre os brasileiros. É ele quem patrocina e assiste a vinda de intelectuais israelenses, com o historiador Ely Ben Gal, que proferiu conferências em importantes universidades brasileiras ajudando a mudar a opinião de professores e estudantes acerca de Israel. E é o Consulado que além dos serviços diplomáticos que presta aos cidadãos israelenses no Brasil e aos brasileiros que viajam a Israel, é parte fundamental no intercâmbio tecnológico e científico entre instituições dos dois países. É o consulado que promove e estimula as missões oficiais ou privadas que resultam na expansão do comércio bilateral entre Israel e o Brasil. Do fundo do coração, esperamos, sinceramente, que o nosso consulado não seja fechado.

A Redação

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