O
anunciado encerramento das atividades do Consulado Geral de
Israel em São Paulo, por determinação
do Ministério das Relações Exteriores
israelense, em função de rigorosos cortes nas
despesas governamentais, está causando uma movimentação
sem igual nas lideranças das entidades judaicas brasileiras,
na tentativa de obter a reversão da medida. Mas preocupa
sobremaneira aos judeus de São Paulo e também
os do resto do País a idéia de ter de conviver
sem a presença da representação diplomática
israelense, que os fortalece em espírito e em corpo
no sentimento de amor pela terra de seus antepassados.
É certo que as dificuldades econômicas advindas
da Intifada nos dois últimos anos comprimiram as finanças
israelenses. E em conseqüência dos e bárbaros
e covardes atentados perpetrados por assassinos tresloucados
o turismo reduziu sensivelmente a entrada de divisas em Israel.
Além disso, o boicote comercial e institucional europeu,
comandado principalmente a partir da Bélgica, resultou
num quadro recessivo da economia de Israel. Mas se nesse aspecto
o panorama atual não é promissor, a moral dos
israelenses está firme e altiva. E não é
Road Map, que ainda constitui uma séria dúvida
ao sonho de paz. É pela própria natureza da
alma do sabra, que mesmo nos momentos mais difíceis
não se deixa abater. É típico do israelense
não esmorecer nunca.
Mas voltemos ao Consulado. Ele tem um papel preponderante
na defesa de Israel, justamente agora em que recrudescem o
anti-semitismo e o anti-sionismo, no Brasil e no mundo. E
faz isso de numa maneira muito mais direta e precisa do que
qualquer instituição judaica ou judeu brasileiro,
por melhor experiência ou conhecimento que possuam.
Querem um exemplo simples disso? Recentemente a Veja On-line,
que edita um noticiário eletrônico lido por milhões
de leitores em todo o Brasil, veiculou material completamente
distorcido sobre Israel e seu primeiro-ministro Ariel Sharon.
A reação não se fez esperar e veio fulminante
e enérgica, exatamente como deve ser nesses casos.
E a resposta partiu do cônsul de Israel, em São
Paulo, Medad Medina, que escreveu, entre outras coisas o seguinte:
“Causa-me estranheza um veículo de comunicação
de tanta repercussão no Brasil, como Veja On-line,
ter publicado informações falsas do perfil do
primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon” (...) “Sobre
os lamentáveis acontecimentos nos campos de refugiados
Sabra e Chatila, não houve nenhuma chacina por parte
do exército israelense. Confundir seus soldados com
os membros da Falange libanesa é outra distorção.
O Exército de Defesa de Israel não estava ciente
de que iria acontecer e foram os membros da Falange os invasores
dos campos”.
Sim, o Consulado fará muita falta. É ele quem
divulga e promove a cultura, as artes plásticas, os
espetáculos de música e dança, de teatro
e de cinema de Israel entre os brasileiros. É ele quem
patrocina e assiste a vinda de intelectuais israelenses, com
o historiador Ely Ben Gal, que proferiu conferências
em importantes universidades brasileiras ajudando a mudar
a opinião de professores e estudantes acerca de Israel.
E é o Consulado que além dos serviços
diplomáticos que presta aos cidadãos israelenses
no Brasil e aos brasileiros que viajam a Israel, é
parte fundamental no intercâmbio tecnológico
e científico entre instituições dos dois
países. É o consulado que promove e estimula
as missões oficiais ou privadas que resultam na expansão
do comércio bilateral entre Israel e o Brasil. Do fundo
do coração, esperamos, sinceramente, que o nosso
consulado não seja fechado.
A Redação
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