O leitor escreve

Tributo a Aracy e justiça a Aranha

Amigos:
Nada mais justa, e emocionante, do que esta a homenagem à mulher brasileira, Aracy Guimarães Rosa. Encarregada da emissão de vistos no consulado de Hamburgo, salvou a vida de muitos judeus, permitindo a entrada deles no Brasil. Só corrigindo um equivoco histórico, a Circular Secreta 1.127, que proibia a concessão de vistos a "semitas" foi assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Pimentel Brandão, foi expedida em 17 de junho de 1937, não 1938 como consta na homenagem. Naquele ano, quando Aracy começou a trabalhar no consulado, a nefanda proibição foi revogada pela Circular Reservada 1249, de 14/4/1938, assinada por Oswaldo Aranha. Esta circular acompanhada de "novas instruções" abriria amplamente as portas do Brasil para a emigração judaica, inclusive na condição de turistas e representantes do comércio. Arrostou a furiosa reação dos filonazistas do governo Vargas que fizeram de tudo para sabotá-la. Foi graças ao esforço heróico de Aracy, entre outras e outros, que muitos "semitas" salvaram suas vidas, fugindo do terror nazista para terras brasileiras.

Marx Golgher, médico
Belo Horizonte - MG

 

Encanto com Israel

Ao VJ:
Estou encantada com sua descrição de Israel. Amo aquela terra, seu povo, simplesmente por amar. Meu sonho é estar lá um dia, e enquanto não chega, sigo visitando pela internet. Parabéns! Shalom!

Heloísa Ferreira de Lima
Por e-mail

 

Viradouro nega o Holocausto
                           
Senhores:
Acordei no meio da noite, liguei a TV para ver a Viradouro entrar na avenida. Depois da polêmica do carro alegórico estava na expectativa de ver qual seria o desfecho.
Frustração... Acabei adormecendo e perdi parte do desfile. Mas vi o suficiente para afirmar que o tema Holocausto nunca poderia ser abordado no contexto do enredo daquela escola de samba. Se antes a questão era se o Holocausto poderia ser tema de carnaval, e se concluiu que não combinava com o clima ameno e descontraído da festa, agora, depois de visto e percebido o contexto do enredo da Viradouro, a questão que se apresenta é outra e, muito grave!
O tema do enredo da Escola de Samba Viradouro, "De Arrepiar", abordou ficção, ou seja, tudo que não faz parte da realidade. Desta forma, levou para a avenida filmes como "Chucky, o boneco assassino", "Alien", "Edward — Mãos de Tesoura", e um carro repleto de baratas fazendo um banquete — o filme "Joe e as baratas". Colocar o tema do Holocausto ao lado de filmes de ficção é fazer denúncia de genocídio ou negá-lo?
Creio que esta história está apenas começando e a Fierj deve tomar as medidas cabíveis. Não somos idiotas e não se brinca com um tema tão sério. "Como diz a música do samba enredo "mesmo proibido, desfilei, zombei..."..
 
Silvia Nogueira de B. Rezende, professora e artista plástica
São Paulo – SP, por e-mail

Viradouro II
 
Prezados amigos:
Quero fazer-me solidário com a mensagem do Centro Wiesenthal contra o estapafúrdio carro alegórico da escola Viradouro.

Flávio José Gomes de Queiroz
Por e-mail

 

Viradouro III

Caros editores:
Vi a foto de um carro alegórico do carnaval brasileiro sobre o Holocausto. Sinto-me envergonhado por essa gente: por esta humanidade tão vulgar e desatenta, superficial e violenta. Tudo isso serve para mostrar o quanto se pode ser indecente e grosseiro, desrespeitoso para com os mortos. Às vezes eu gostaria de saber quando e como se poderá ver um pouco de luz. Mas tenho receio de que estejamos dentro de um túnel sombrio. Continuo sempre com a esperança em um mundo melhor, mas com muita tristeza.
Irrita-me a polêmica sobre a Feira do Livro de Turim. A direção convidou o Estado de Israel como hóspede de honra da edição 2008, ocasionando um bate-boca alimentado por um personagem do pequeno Partido Comunista italiano. Há quem queira impedir tudo; alguns convidariam os palestinos e, por fim, há os que querem provocar só confusão.  Ninguém pensa no fato que os autores convidados são sim cidadãos de Israel mas são, além disso, pessoas que também divergem, na sua grande maioria, da política de seu governo. Assim, a equação governamental, de forma independente de como se pensa ou se é — inimigo da humanidade — está viva em muitas cabeças doentias da extrema esquerda italiana.
E ninguém pensa que o livro, ao contrário de dividir, só ajuda a unir e a melhor entender qualquer que seja a situação. Shalom e abraços.

Paolo Vinai
Jornalista, Chefe da Assessoria de Relações com Público da Província de Torino
Turim – Itália

 

Viradouro IV
 
Meus amigos:
Fiquei super chocada e indignada com o tal "jornalista" que além de todo o lixo que fez publicar na revista, ainda teve a ousadia de dizer que "os judeus não são donos do Holocausto". Mas, quem são os "donos" se esta é uma história DOS judeus? Desde quando ignorantes carnavalescos têm mais autoridade, moral, intelectual ou outra qualquer para transformar a dor de um povo — e daqueles que os amam e respeitam como irmãos — em patetice de Carnaval?
Desrespeito ainda é um nome doce e simplório para definir a estupidez e hediondez da defesa daquele fulano aos carnavalescos. Bravos! Shalom!

Graça Salgueiro
MG - Por e-mail

 

Viradouro V

Senhores:
Não há absolutamente o que discutir. Não é possível que, após tantos anos, ainda existam pessoas querendo contestar o incontestável. Esse episódio foi o mais estúpido, deplorável, abjeto, vil e covarde ato de extermínio contra pessoas indefesas. Quem acha o contrário, quem fica tentando tergiversar e explicar, é cabeça de bagre mesmo. Só que não acontecerá de novo, pois os judeus não estão mais indefesos e não serão pegos de surpresa. Mas todo cuidado é pouco. Qualquer forma de preconceito tem que ser repudiada com veemência e apenada exemplarmente.

Tagore Wotton de A. Madruga
Por e-mail