...De ter chegado em casa. Sim, não há dúvidas. Foi isso mesmo que eu senti quando olhei para aquela placa no aeroporto, onde se lia: “Bem-Vindos a Israel”. Mais uma vez eu estava lá e de novo, tudo parece um sonho, embora seja muito real.
Quando pisquei o olho, novamente, como se fosse fruto da imaginação estava na frente do Muro rezando. Outra piscada e lá estava eu na caverna dos patriarcas passando um Shabat em Hebron.
Como transmitir a sensação que se tem quando se está em Israel? Não dá, é impossível. É preciso vivenciar. Dizem nossas fontes que só saberemos como é a redenção e todo o prazer imenso de desfrutá-la quando estivermos nesta época vendo as coisas acontecerem. Mas existem algumas dicas de como será, e entre elas diz que duas coisas dão um gostinho do que será isso: o Shabat e a volta do povo judeu a Israel. Sobre a volta do povo judeu, dizem as fontes: “Você quer um sinal de que a redenção está começando? Quando a Terra voltar a dar frutos, este é o sinal”. Ótimo, estamos vivenciando esta era. Mas para ter este “gostinho”, e saber como será é preciso se fazer o Shabat ou ir para Israel. Como saber sem vivenciar?
Este é um dos textos que mais está me dando prazer de escrever nos últimos anos. Porque desta vez decidi me poupar, e não vou falar dos problemas que Israel vive (e são muitos) ou as dificuldades que atravessa o povo judeu. Decidi apenas curtir esta deliciosa sensação de estar na Terra Santa, nosso lar e tentar transmitir aos leitores o que é isso.
Poderia falar das obviedades: Muro, placas em hebraico, facilidade de kashrut em todos os lugares, religiosos pela rua, ambiente familiar, etc..., mas resolvi ir um pouco mais além. Decidi contar duas historinhas que só acontecem em Israel.
A primeira: estava eu, um belo dia destes dois meses que passei por lá, no trem de Beit Shemesh para Ierushalaim, quando o sistema do som do mesmo transmite: “Tefilá Minchá” (reza da tarde). Neste momento todos os religiosos (diga-se de passagem, quase todo o trem) se dirigem a um vagão para rezar. Eu me aproximo e falo: “Gostaria de rezar junto, só que esqueci meu sidur lá onde eu to hospedado, alguém tem algum para emprestar?”. Imediatamente me foi fornecido um, ao qual eu agradeci e ouvi a resposta: “Muito obrigado nada. Pegou, agora trabalha: você vai ser o chazan (condutor da reza). Pode começar”. Alguém quer a experiência de liderar uma reza no trem? Vá para Israel.
Outra: Estava eu numa das tenebrosas noites de frio de Jerusalém, usando o meu notebook em plena pracinha da cidade velha, ao lado da Yeshivá onde estava estudando, para trabalhar no De Olho na Mídia, quando a cena inusitada aconteceu...
Um senhor religioso, de capote e chapéu, entra com um recibo na mão berrando no restaurante/vendinha que tem lá, gritando para o atendente: “você é ladrão”. E o atendente começa a discutir com ele. Ao fim de um tempo, este assume que errou, mas diz que não roubou e que vai repor a diferença, mas pediu ao senhor para voltar no dia seguinte que ele estava com o caixa baixo. O reclamante revoltado disse que não, que morava longe, que o outro era ladrão e que iria chamar a polícia. Dito e feito. Cinco minutos depois, ele volta com uma tropa de uns 20 policiais que questionam onde está o ladrão? Ao que o senhor irado aponta: “Ali”, para o embaraço dos policiais. O atendente então explica a confusão aos homens fardados que viram para o senhor e dizem: “desculpe, isto não é um roubo, é um erro, um engano...”. E então veio a cena que vale o ouro: O Senhor retruca aos policiais: “Não, não... pode conferir. No tratado de Baba Metsie do Talmud, na página x, na linha y está bem declarado que é roubo por conta de a, b, c...”. E para meu espanto maior, entre os policiais havia como era de se esperar em Israel, alguns religiosos que começaram a revidar: “Não, não, peraí, isto é machloket (dúvida/discussão)... não é bem assim por e, f, g, h...”. Quer ver algo assim? Vá a Israel. Só lá...
Isto porque não falei da neve. Ahhhh... Jerusalém sob a neve? Odeio frio, mas por um dia só para tirar fotos maravilhosas vale a pena. Mas se eu começar a falar disso, vai dar outro texto inteiro. Quem sabe mês que vem? Voltem para casa, venham para Israel, curtam o frio na barriga, sintam o tempo fluir como se nunca tivessem chegado e se não fosse nunca sair de lá, aproveitem... garanto que vale a pena... cada segundo!
* Daniel Benjamin Barenbein é jornalista, trabalha no site de combate a distorção na imprensa, "De Olho na Mídia" (www.deolhonamidia.org.br). É coordenador do movimento juvenil Betar de SP e exerce voluntariamente cargos de Hasbará na Organização Sionista de São Paulo, Espaço K e Aish Brasil, e orador nas sinagogas Beit Menachem e Kehilat Achim Tiferet. É sheliach da comunidade de Belém do Pará. Possui um livro publicado na internet sobre neonazismo digital: www.varsovia.jor.br