Em apenas uma semana, quatro episódios envolvendo pessoas de vida publica nacional, ilustram o drama do preconceito a que estamos sujeitos. Frei Betto escreve na pagina de Opinião de O Globo, que “A terra dos palestinos, invadida, cerca do ano 1.000 a.C, pelos hebreus provenientes do Egito...”. Vale lembrar que os "hebreus provenientes do Egito", citados equivocadamente por Frei Betto como invasores, eram os escravos judeus que fugiam do Faraó Ramsés, e permaneceram 40 anos vagando no deserto do Sinai, até entrarem na sua "Terra Prometida", segundo as escrituras sagradas, tão enaltecidas nos escritos de Frei Betto.
Outra distorção histórica relevante foi produzida pela cantora Nana Caymi, numa afirmação grave e preconceituosa. Em entrevista à revista “Quem Acontece”, ao ser perguntada como seu filho João (41 anos) consegue dinheiro para comprar maconha, respondeu: “...É um inferno. Você não faz idéia de como é o meu drama. Fico me perguntando por que preciso sofrer tanto com isso. Não sou judia, não crucifiquei Jesus”.
O jovem e simpático judeu-filantropo e apresentador, Luciano Huck, em seu programa deste sábado, perguntou a uma candidata se "a equipe de produção judiou" dela.
E completando o quadro, o escritor de novelas Walcyr Carrasco, em sua coluna de na Veja-São Paulo, conta a expressão de um amigo num jantar onde a comida era escassa: "Os povos que passaram pelo sofrimento da guerra são mais contidos".
Cada caso acima relatado merece um tratamento diverso por parte da liderança judaica institucional. Alguns serão resolvidos com uma abordagem fundamentada para suprir a ignorância do autor. Mas no caso de Nana Caymi, a coisa é muito séria para ser varrida para baixo do tapete. A revista "Quem" tem circulação nacional, e o publico leitor estará contaminado por uma preconceituosa afirmação.
Atitude enérgica e imediata deve ser tomada, por quem de direito, como fizemos há dois anos no caso do deputado federal Clodovil Hernandez, notificando-o judicialmente e aceitando, posteriormente, seu pedido de perdão no mesmo veículo das calúnias que proferiu, a rádio Tupi do Rio de Janeiro.
* Osias Wurman é jornalista, produz o informativo eletrônico Notícias da Rua Judaica e é vice-presidente da Confederação Israelita Brasileira (Conib).