E considerou “quase essencial” a ofensiva lançada durante a última guerra do Líbano
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, recebeu um aval importante quando o relatório oficial isentou-o de culpa por sua conduta durante a guerra no Líbano, conflito esse responsável por criar pressões para que ele renunciasse em 2006. A Comissão Winograd, formada por ordem do governo, identificou "falhas graves" da parte de líderes políticos e militares do país na guerra de um mês. Mas, no final, manifestou compreensão quanto à polêmica decisão do premiê de lançar uma dispendiosa ofensiva terrestre nos últimos dias do conflito.
O governo deu indícios de que Olmert aceitava as críticas, mas que não tinha planos de renunciar: "Assumir a responsabilidade significa continuar no cargo, consertando, melhorando e mantendo a liderança para que avancemos", disse Oved Yehezkel à Rádio do Exército.
"A pressão dissipou-se", afirmou Ilan Mizrahi, que deixou há pouco o cargo de conselheiro nacional para a área de segurança. "No final das contas, as conclusões do relatório isentaram-no de culpa", disse o analista israelense Mark Heller. "A maior parte das críticas lançadas contra o premiê não se basearam em motivos legítimos".
O juiz aposentado Eliahu Winograd, que presidiu a comissão formada por cinco membros, afirmou: "Identificamos falhas graves nos processos decisórios tanto no nível militar quanto no político." Mas considerou "quase essencial" a ofensiva lançada nos últimos dias da guerra, quando as partes envolvidas negociavam uma trégua.
Olmert viu-se duramente criticado por conta dos israelenses mortos durante a investida. Winograd, porém, na única menção direta ao premiê, disse que o dirigente agiu com base em uma "avaliação honesta" dos interesses de Israel quando a Organização das Nações Unidas (ONU) tentava arrancar um cessar-fogo.
'Oportunidade desperdiçada’
O presidente da comissão qualificou como uma "oportunidade desperdiçada" o conflito que terminou sem uma vitória clara sobre o grupo guerrilheiro Hezbolá, o qual disparou foguetes contra o norte de Israel e conseguiu resistir à investida do Exército mais avançado do Oriente Médio em termos tecnológicos.
Os adversários de Olmert vinham negociando discretamente para disputarem o cargo caso o premiê abrisse mão dele, o que provocaria, quase certamente, a realização de eleições antecipadas. Olmert viu-se prejudicado também por denúncias de corrupção contra membros de seu governo e já perdeu um aliado de coalizão em janeiro devido às manobras de paz realizadas com os palestinos.
Grande parte do público israelense, entretanto, considerou o conflito no Líbano um erro. O relatório, porém, afirma que a guerra que Israel travou com o Hezbolá no Líbano em 2006 foi uma falha "grande e grave", e líderes políticos e militares israelenses não tinham uma estratégia clara quando decidiram entrar no Líbano, o que significa que Israel foi "arrastado" para uma operação terrestre sem prazo para terminar, diz o relatório feito por uma comissão nomeada pelo próprio governo israelense.
O relatório do chamado Comitê Winograd também apontou erros táticos. Segundo o documento, no começo da guerra, os militares confiaram demais no poder aéreo e tiveram pouco planejamento ou preparo para uma operação terrestre mais ampla no final do conflito. Em termos mais específicos, o comitê criticou a falta de treinamento de alguns dos soldados e o que descreveu como várias falhas na cultura e estrutura de organização das Forças de Defesa Israelenses.
As Forças de Defesa Israelenses insistem que muitas melhorias em sua estrutura já foram feitas e acrescenta que, desde a guerra de 2006, o treinamento melhorou, investimentos foram feitos nas divisões militares reservas e já ocorreram preparativos para qualquer novo conflito que possa ocorrer no Líbano no futuro.
Eliyahu Winograd, juiz aposentado, entregou o relatório ao primeiro-ministro Ehud Olmert, nove meses depois de seu relatório preliminar ter condenado as "graves falhas" cometidas no início da guerra que durou 34 dias.
O conflito teve início em julho de 2006, quando combatentes do Hezbolá capturaram dois soldados israelenses em uma operação na fronteira que deixou outros três soldados mortos. (Reuters/BBC).