A assinatura do Acordo de Livre Comércio (ALC) entre Israel e o Mercosul, no dia 18 de dezembro do ano passado, será mais um obstáculo para o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, ingressar no bloco caso os senadores brasileiros e paraguaios aprovem sua entrada. As relações da Venezuela com o Irã estabelecem um dilema a mais para o Mercosul, Mercado Comum do Sul, criado em 1991 pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e ao qual a Venezuela está em processo de adesão. A assinatura do ALC com Israel foi o primeiro avanço significativo em termos de comércio exterior desde 2004.
"O acordo com Israel tem um caráter comercial importante, mas sobretudo, simbólico a partir das possibilidades que nosso espaço econômico possa ter com outras regiões", destacou o chanceler uruguaio, Reinaldo Gargano.
O tratado firmado estava sendo negociado desde dezembro de 2005, quando o maior bloco sul-americano e Israel subscreveram um acordo marco para buscar um pacto de liberalização de seus intercâmbios.
Entretanto, o acordo selado em dezembro não inclui a Venezuela, que está em processo para ingressar no Mercosul como membro pleno. Hugo Chavez tem tido sérios problemas para que se aprove seu ingresso no bloco, algo que até hoje não conseguiu. Depois do bate-boca com o Senado brasileiro pelo fechamento da RCTV, este último decidiu não aprovar o ingresso de Chavez no bloco. Apesar das ameaças do venezuelano, o Brasil ainda não se pronunciou a respeito.
De qualquer maneira, os obstáculos que surgem a Chavez agora se tornam um pouco mais complicados ainda. No caso de entrar em vigor o acordo de adesão da Venezuela ao bloco, o país caribenho terá 270 dias (9 meses) para analisar o tratado e deverá ser o Mercosul quem consultará Israel sobre sua disposição para negociar a incorporação da Venezuela ao ALC.
O destino deste assunto é incerto, dadas as fricções políticas que se têm registrado entre Israel e o governo do presidente venezuelano, Hugo Chavez, que mantém laços estreitos com o Irã.
Comércio Israel-Venezuela
Nos dez primeiros meses de 2007, a Venezuela exportou para Israel US$ 3,9 milhões, com uma queda de 51%, em relação ao ano anterior, e importou desse país US$ 43,5 milhões, com uma alta no ano de 23,5%.
O acordo cobre 90% do comércio, com um calendário de desagravos de tarifas progressivas em quatro fases (imediata, em 4, 8 e 10 anos).
A balança comercial entre ambos exibe um dinamismo crescente e o bloco sul-americano está consciente das oportunidades abertas na conquista de acesso a um mercado com alto poder aquisitivo como o israelense, cujo Produto Interno Bruto (PIB) nominal per capita é US$ 22.000 e importações anuais de US$ 48.000 milhões.
Israel é, além disso, um país que concentra seu comércio em mercados com os quais tem acordos (União Européia, EUA, Turquia, México, Canadá, Jordânia e Egito). Segundo os dados do Escritório Central de Estatísticas de Israel, nos primeiros dez meses de 2007 os quatro membros do Mercosul exportaram para Israel US$ 460,2 milhões, com um alta de 22%, em relação ao ano anterior, e importaram desse país US$ 653 milhões, 40% a mais que em igual período de 2006.
Os principais produtos que o bloco sul-americano exporta a Israel são grãos e cereais, bens de capitais e calçados, enquanto que Israel provê agroquímicos, softwares e produtos tecnológicos.
70% do intercâmbio é explicado pelo comércio entre Israel e Brasil, que nos primeiros dez meses de 2007 exportou ao país do Oriente Médio US$ 238 milhões e comprou por US$ 540 milhões. Mesmo que com intercâmbios muito menores, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai têm saldos positivos na balança comercial com Israel.