O leitor Marcos L. Susskind, de São Paulo, comenta a situação de Gaza e informa que enviou à redação do jornal O Estado de S. Paulo a carta abaixo. ”Infelizmente — observa ele — cartas que têm Israel como tema, são reiteradamente rejeitadas, e não publicadas”. Por este motivo ele resolveu enviar cópia do escreveu, para alguns veículos judaicos de comunicação para que tomem conhecimento.
Dia a carta. Sr. Redator: A população de Gaza acaba de romper os muros que a separam do Egito e dezenas de milhares de cidadãos de Gaza "invadiram" o Egito para fazer compras de artigos essenciais, num triste retrato das carências de Gaza. O primeiro ministro israelense declarou que não permitirá uma crise humanitária em Gaza, apesar de seguir pressionando o Hamas a coibir o lançamento de mísseis contra a população civil de Israel.
É dramática a situação em Gaza depois que o Hamas, em revolta interna desalojou as forças do governo palestino de Mahmud Abbas. O Hamas, organização apoiada pelo Irã, tem como sua meta principal a destruição do Estado de Israel. É considerado como grupo terrorista pelo Ocidente.
Com a vitória do Hamas, foguetes passaram a ser disparados diariamente a partir de Gaza em direção às cidades do sul de Israel. Em curto espaço de tempo foram lançados mais de quatro mil mísseis. Apenas como exemplo, na cidade de Sderot, 74% das crianças entre 7 e 11 anos sofrem de Crise de Ansiedade Pós-Traumática, uma vez que os mísseis atirados de Gaza atingiram escolas, play-grounds e pré-escolas e forçam as crianças a dormirem em abrigos antibombas há meses.
Na semana passada, terroristas de Gaza dispararam 220 mísseis contra Sderot em apenas 4 dias, o que levou o governo de Israel a impingir o fechamento das fronteiras com Gaza buscando exigir o fim dos ataques e o cerceamento da infra-estrutura de terror. A atitude de Israel abalou o fornecimento de óleo diesel e forçou o fechamento de usinas elétricas de Gaza responsáveis por 25% do consumo local. No entanto Israel segue fornecendo 75% da eletricidade de Gaza. Surpreende que as "autoridades" de Gaza optaram por desviar parte desta energia que Israel fornece — desviando-as de escolas e hospitais para fábricas de foguetes Kassam. O mundo — inclusive o "Estadão" nada falam sobre isto. Haverá algum motivo ou apenas falta de espaço redacional para informar-nos?
É claro que a população civil está sofrendo em Gaza. Por outro lado, há que se perguntar: é justo que apenas a população civil de Israel sofra? Não é de se esperar de um governo defenda a vida do povo que o elegeu? Lembremos que o Hamas não foi eleito em Gaza, ele tomou o poder do governo Abbas. Marcos L. Susskind, São Paulo.