Os libaneses Farouk Omairi e Kaled Omairi estão presos na Penitenciária Federal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, desde o dia 18/1, sob acusação de tráfico internacional de drogas. Eles foram presos pela Polícia Federal durante a Operação Camelo, realizada em Foz do Iguaçu, em 2006. O Ministério da Justiça não divulga detalhes do caso por questões de segurança nacional.
De acordo com informações da Justiça Federal de Foz do Iguaçu, os dois estavam provisoriamente recolhidos na custódia da PF de Foz do Iguaçu. Ainda segundo a Justiça Federal, Farouk responde a inquérito policial por falsificação de documentos para obtenção da cidadania brasileira e também foi apontado pelo governo dos Estados Unidos, em lista oficial divulgada em dezembro de 2006, como um dos envolvidos no financiamento do Hezbolá.
De acordo com nota divulgada pela Justiça Federal, Farouk é um dos suspeitos pelo atentado terrorista ocorrido em Buenos Aires, em 1994, na sede da Associação Mutual Israelita Argentina. Durante o ataque, 85 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas.
A 2ª Vara Federal Criminal de Foz do Iguaçu condenou no dia 15 de agosto do ano passado cinco réus presos na Operação Camelo. O esquema criminoso consistia no aliciamento de "mulas" para o transporte de cocaína, via aérea, a partir de Foz do Iguaçu, tendo como destino final cidades da Europa e principalmente Amã, na Jordânia.
Farouk Omairi e Kaled Omairi cumprem pena de 11 anos e 8 meses de reclusão. Ahmad Omairi foi condenado a 9 anos, 7 meses e 15 dias, mas permanece foragido. Eles chefiavam a organização na condição de proprietários de uma agência de turismo em Foz do Iguaçu, fornecendo as passagens, hospedagem e dinheiro para as "mulas", e as malas contendo a cocaína camuflada.
Para o juiz federal Odilon de Oliveira, de Campo Grande, o pedido de transferência feito pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) no ano passado foi aceito depois do entendimento de que Farouk e Kaled serem uma ameaça à segurança nacional. "Eles são presos de alta periculosidade e têm suspeitas de envolvimento com o Hezbolá”, declarou.
Oliveira disse ainda que o Brasil está atrasado na questão do terrorismo. "Temos uma legislação de 1998 que trata sobre terrorismo, mas não classifica e define o que é o terrorismo. Falta o país reconhecer que existem terroristas por aqui. O Brasil teima em achar que não sofremos com ações terroristas, mas eu penso o contrário", disse o juiz federal. (Com informações da TV Morena).