Até meados do século XVII, os judeus de Roma eram humilhados anualmente no Carnaval, obrigados a desfilar pela Passarela do Samba da época, enquanto a multidão os ridicularizava, arremessava lixo sobre eles e até os golpeava, às vezes mortalmente.
Indignidade. Os próprios judeus tinham que financiar este espetáculo lamentável, além de ter que assistir sermões obrigatórios no Shabat, violando a santidade deste dia.
Ali nasceu a palavra Ghetto, área intramuros onde viviam os judeus, com três portões que eram fechados de noite. Para sair deviam usar roupas amarelas que os identificassem.
Onde estariam agora aqueles antigos Bispos de Roma? ...O Ghetto acabou... Mas a alegria do Carnaval não é incompatível com o judaísmo.
Ali perto do antigo Ghetto romano, um Santo Padre diferente daqueles que obrigavam os judeus a um triste carnaval mandou alumiar outro candelabro igualzinho, pela primeira vez num recinto da Santa Sé, antecedendo a prece fúnebre do Kadish.
Sua Santidade verdadeira sentou-se entre o Presidente da Itália e o Grão-Rabino de Roma, rodeado por sobreviventes dos campos de concentração. Foi uma das mais comoventes cerimônias realizadas no Vaticano em muito, muito tempo. Mais uma vez vencemos. Podemos brincar o Carnaval, mas não como aquele de Roma, e sim como o de Veneza, que nos legou as máscaras e fantasias.
Agora, só alegrias. As crianças adoraram os bailes, também nos clubes judaicos, o salão amplo e refrigerado, as brincadeiras, o concurso de fantasias, o desfile em meio às palmas do publico.
Que nos encontremos sempre em alegrias!
* Israel Blajberg é engenheiro, membro da Associação dos Ex-Alunos CPOR/RJ e integrou a equipe que levantou os Heróis Brasileiros Judeus da II Guerra Mundial (iblaj@telecom.uff.br).