Resposta a um pretenso racional
Por: André Cardon*

 

A revista “Carta Capital”, abriu espaço em sua edição de 10/1/2007 para uma estranha “carta aberta” do sr. Adauto Suannes, que assina o texto “Liberdade de dizer — idéias — Por que o comentário de Clodovil sobre o Holocausto constitui crime de racismo”, como sendo “Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo” e autor dos livros “Os Fundamentos Éticos do Devido Processo Penal (Editora Revista dos Tribunais)” e “Justiça & Caos (no prelo)”. O texto, cheio de inverdades, afirmações capciosas e fatos desconexos é uma peça medíocre que expõe todo um preconceito manhoso, mal disfarçardo de intelectualismo irracional, desencadeou uma série de protestos e respostas. Uma delas publicamos aqui.

 

É impressionante como existem pessoas que fazem questão de comparar o incomparável. Desta vez foi o Sr. Adauto Suannes, que mistura informações completamente equivocadas, compara episódios completamente diferentes, e tenta provar para todos que pelo fato de banana não ter caroço, é possível comer melancia sem fazer mal. Ah, você não viu sentido no que eu falei? Mas é isso mesmo, o "artigo" dele sai do nada para lugar nenhum, sem qualquer embasamento de fatos. Senão vejamos...
O "autor" cita "entidade hebraica". Lamento informá-lo, mas não existem instituições hebraicas já faz mais de 3 mil anos. O povo se chama judeu e suas instituições e entidades são judaicas ou israelitas. Interessante também a falta de coerência do Sr. Suannes: por um lado ele questiona se o número de assassinatos iria fazer alguma diferença com relação a gravidade do ato, mas por outro lado, ele acha que o fato de a opinião ter sido emitida por um judeu, que isso se torna mais ou menos verdade, citando, obviamente, exemplos que não correspondem com a opinião da maioria do povo, no caso de Einstein e Chomsky. É óbvio que quando se trata de um judeu de Israel opinar sobre o terror que ocorre naquele país, aí claro, este judeu não tem a mesma credibilidade para opinar sobre o assunto.
Einstein não tinha, nunca teve sangue judeu, pelo simples motivo que ser judeu não é uma questão de sangue, mas sim de alma. Houvesse sangue judeu e a conversão ao judaísmo seria um processo impossível de ser realizado, o que não é verdade. Há conversão sim pelo judaísmo. Mais uma amostra de quão o Sr. Suannes entende sobre o assunto sobre o qual tenta argumentar.
Tentando amenizar o ato, o "autor" diz que "Clodovil comentou sobre o Holocausto". Não, Clodovil não comentou sobre o Holocausto, porque, para começo de conversa, Clodovil disse não acreditar no Holocausto, logo, não poderia comentar sobre algo que para ele não houve. Além de negar o Holocausto, Clodovil disse que foi manipulação feita pelos judeus. Detalhe: na própria Alemanha negar o Holocausto é crime.
No final do pseudo-artigo, o aspirante a autor tenta se utilizar de dicionários português, inglês e francês para assim tentar colocar no mesmo nível o direito de defesa de um país que teve sua população assassinada pelo inimigo, com o covarde massacre de 6 milhões de judeus, querendo argumentar que ambos podem ser chamados de "Holocausto".
Não é de se admirar que ele tente fazer isso desta forma, afinal de contas, ele sabe que se utilizar os livros de história e geografia para defender a sua causa, não chegarã a lugar nenhum, restando apelar para a etimologia fazendo um jogo de palavras.

*André Cardon é engenheiro de software e mora em Porto Alegre. Viveu 7 anos em Jerusalém.